<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331</id><updated>2012-01-27T05:33:36.766-08:00</updated><title type='text'>Crônicos</title><subtitle type='html'>Este blog tem o intuito de divulgar produções dos alunos da Oficina de Crônicas da FLIP que aconteceu entre os dias 5 e 7 de julho. A oficina foi ministrada pelos jornalistas e cronistas Joaquim Ferreira dos Santos e Arthur Dapieve.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Cronista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14414569288172485158</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>116</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2864270077117408477</id><published>2008-09-15T12:15:00.000-07:00</published><updated>2008-09-15T12:16:06.780-07:00</updated><title type='text'>Café com leite, pão com manteiga e bom humor</title><content type='html'>Chego ao balcão da padaria e espero menos que 10 segundos. A atendente, lavando copos, me abre um sorriso do tamanhão do rosto dela: “Boa tarde, pode falar!” Já surpresa diante de tanta simpatia, peço um café pingado e um pão com manteiga. Tenho poucos minutos para driblar o apetite enquanto espero o horário da minha consulta no prédio ao lado. A padaria está cheia, como sempre. Ainda mais numa tarde fria, perfeita para um café bem quentinho e um pão fresco. E as meninas, as atendentes, numa felicidade que nunca presenciei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freqüentei essa mesma padaria um tempo atrás, quando trabalhava perto. Só tomava meu café ali porque o pão era (e ainda é) muito gostoso e eu estava sempre atrasada, portanto, era mais prático. Com o meu bom humor de sempre, chegava, dava aquele sonoro bom dia e o que eu recebia em troca era um olhar fulminante da balconista. Todos os dias. Em silêncio ela arrumava meu pão com manteiga, meu café com leite, colocava-os em cima do balcão e virava as costas. Ao sair, sempre me despedia e até hoje não sei se ela fingia que não escutava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quase todos esses lugares é mais ou menos a mesma situação. Pessoas mal humoradas, tristes, mal pagas, mal tratadas pelos patrões, desrespeitadas de várias formas, acabam revelando suas dores e amarguras por meio de suas expressões (ou falta delas). Já vi das piores caras em diversos tipos de estabelecimentos, de supermercado a sorveteria, de manicure a floricultura, de loja de tintas a botequins, de clínicas médicas a restaurantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que depois de muito tempo volto àquela mesma padaria e encontro um ambiente totalmente anormal, se comparado ao mau humor comum que reina no comércio e na prestação de serviços (salvo raríssimas exceções). Três balconistas sorridentes, conversando, cantando, brincando entre si e com os clientes, tratando as pessoas pelos nomes. Eu e uma mulher ao meu lado nos olhamos, sem acreditar no que víamos. “Nossa, gente, quanta felicidade nesse lugar”, ela disse. E lá de dentro veio esta: “É assim mesmo, trabalhamos sempre assim. Olha lá no caixa. A outra fica reclamando da gente, mas ela queria mesmo é estar aqui, rindo e cantando também, mas não pode”, brincou a balconista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí da padaria rumo ao consultório médico tentando imaginar como seria a vida de cada uma daquelas mulheres. Com certeza, não muito diferente da vida de todas as outras e outros que são empregados neste tipo de estabelecimento. Madrugam para trabalhar, ajudam a família no sustento da casa, ou sustentam filhos sozinhos, fazem jornada tripla, ou quádrupla, ganham um salário daqueles que a gente praticamente paga pra trabalhar. Enfim, têm problemas como todo mundo e, por isso, teriam o direito a viver de cara feia, como todo mundo. Mas não. Fazem justamente o contrário e nem sei se têm consciência de que desta forma realmente conseguem tornar seus dias melhores. Só sei que conseguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, naquele dia eu estava com um problemão na cabeça e foi extremamente reconfortante tomar aquele café com tanta alegria a minha volta. É isso aí. Nunca sabemos se quem está por perto precisa de uma palavra de carinho, apoio, sei lá. E ao sentir toda aquela energia positiva, concluí que nem tudo está perdido, mesmo. Seja qual for o motivo que possa me deixar de ‘bico’, a melhor solução, sempre, é encarar a vida com bom humor, já que cara feia não traz solução pra nada.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2864270077117408477?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2864270077117408477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2864270077117408477' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2864270077117408477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2864270077117408477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/09/caf-com-leite-po-com-manteiga-e-bom.html' title='Café com leite, pão com manteiga e bom humor'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2177559117855441585</id><published>2008-09-10T08:11:00.000-07:00</published><updated>2008-09-10T08:12:38.061-07:00</updated><title type='text'>Beija-Vida</title><content type='html'>Acordo de manhã, abro a janela e ela está lá, no fio. Não fica muitos metros longe. Está sempre de olho, vigiando. Vai até a árvore em frente, se alimenta do néctar da flor de pata-de-vaca, e volta. Estou falando e uma zelosa mãe, moradora temporária do meu Ipê, na porta da minha casa: uma beija-flor que cuidadosamente construiu seu ninho para procriar ali, diante dos meus olhos. Os filhotes, nascidos na terceira semana de agosto foram uma agradável surpresa nestes dias secos, áridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha árvore ainda é jovem. Um Ipê de apenas seis anos, pouco mais de três metros de altura. Sua floração, na primavera, ainda é frágil, mas suas poucas flores brancas já nos dão uma rápida demonstração do que ela será capaz de produzir daqui a alguns anos. Sou apaixonada pelo meu Ipê, cuja muda ganhei de um grande amigo. Por isso observo-o com freqüência. Suas folhas, seus galhos, seu crescimento. E foi num desses momentos de observação que descobri algo novo, estranho, perfeitamente encaixado entre três galhos. Achei aquilo esquisito, porém não imaginei que pudesse ser um ninho, não ali, naquela posição, tão desprotegido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois lá estava ela, a mãe beija-flor, sentadinha, chocando. E eu, chocada com aquela visão. Um ninho bem pequeno, com um pássaro delicado aguardando a chegada dos seus filhotes. Beija-flores são visitantes muito comuns na minha casa. São atraídos pelas minhas plantas, sempre em floração, mas como são aves muito ariscas, é raro ver um ninho e mais raro ainda é poder acompanhar sua reprodução. E por conta dessa grata surpresa, claro, fui pesquisar para saber um pouco mais sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menor pássaro do mundo, o beija-flor é muito independente. É a fêmea a única responsável por sua cria. Constrói o ninho, choca os ovos e protege os filhotes. Apesar de pequeno e de parecer frágil, o abrigo é muito seguro; resiste ao vento, às chuvas e ao crescimento dos filhotes. Normalmente é construído com grama, folhas, flores, pétalas e musgo, e fixado com o fio viscoso da teia de aranha, que o deixa bem firme. Geralmente, os beija-flores botam apenas dois ovos. Seus ninhos não comportam mais, e a fêmea não consegue alimentar mais que dois filhotes.  &lt;br /&gt;Esse ser aparentemente frágil é capaz de se adaptar a qualquer ambiente e não exige muito para sobreviver: constrói seu ninho na cidade, em qualquer tipo de árvore, não tem medo de gente nem de ruídos, e precisa de flores para se alimentar. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão simples quanto a decisão de derrubar uma árvore, seja qual for o motivo, sem pensar no quanto de vida se interrompe com atitude tão drástica. O crescimento acelerado da população e a destruição de muitas espécies de plantas nativas constituem um grave problema para os beija-flores, por faltar-lhes locais apropriados para construir seus ninhos ou para encontrar alimento adequado. Li sobre uma fêmea que ergueu seu ninho em cima de um bocal de lâmpada, na sala de uma casa. Os moradores quebraram o vidro da janela para que a beija-flor saísse e voltasse à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui na minha casa tive o cuidado de manter a reprodução da beija-flor em silêncio. Até mesmo a curiosidade pode prejudicar a procriação. Adultos e crianças gostam de chegar perto, falar alto, tocar, remexer. Observo sempre que posso, porém de longe, só para ver como vai o desenvolvimento dos filhotes. Segundo minha pesquisa, com duas semanas de idade, a maioria dos beija-flores já tem olhos brilhantes e atentos, e o corpo coberto de penas. Às vezes, se levantam no ninho e batem as asas. Com três ou quatro semanas, o pequeno pássaro já está pronto para deixar o ninho e começa a dominar o vôo com rapidez e facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para eles um momento feliz, quando se sentem seguros e podem ganhar a liberdade. Para nós, com os pés plantados no chão, fica aquele sentimento de frio na barriga ao ver filho indo embora. A gente se acostuma e chega até a dizer “meus filhotinhos”. Mas não. São filhos da natureza, que apenas encontraram na minha árvore um local ideal para se reproduzir. Cabe-me respeitar, favorecer, preservar, não derrubar, silenciar, admirar. E desejar que eles voltem outras vezes. Faz bem para a minha saúde e para a energia da minha casa.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2177559117855441585?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2177559117855441585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2177559117855441585' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2177559117855441585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2177559117855441585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/09/beija-vida.html' title='Beija-Vida'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3593950597649397359</id><published>2008-08-19T13:48:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T13:53:20.382-07:00</updated><title type='text'>MEU BLOG MUDOU!</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;AVISO!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ESTE BLOG CONTINUA UMA MARAVILHA!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;MAS MEU BLOG PESSOAL MUDOU!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;CLIQUE &lt;a href="http://osdesmandamentos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;AQUI&lt;/a&gt; PARA CONFERIR!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://osdesmandamentos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;OS DESMANDAMENTOS&lt;/a&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;É só clicar &lt;a href="http://osdesmandamentos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; para entrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Entrevistei no &lt;a href="http://osdesmandamentos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;NOVO BLOG&lt;/a&gt; o escritor João Anzanello Carrascoza. Está bem interessante.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Se quiser ler a entrevista, clique &lt;a href="http://osdesmandamentos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ou entre em: &lt;a href="http://osdesmandamentos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;http://osdesmandamentos.blogspot.com/&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;E, logo abaixo da entrevista, tem um conto meu inédito. Que estará no meu próximo livro! Seja bem-vindo e fique à vontade!&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Um blog atualizadíssimo - dia a dia, hora a hora - com as últimas notícias sobre Literatura, Música, Cinema, Literatura, Arte, Prêmios e Concursos literários, Literatura, Teatro, Filosofia e Literatura. Lá também antecipo contos do meu próximo livro e publico poemas do meu último, homônimo ao &lt;a href="http://osdesmandamentos.blogspot.com/" target="_blank"&gt;blog&lt;/a&gt;. Seja bem-vindo! Deixe seu comentário! E se puder divulgar, agradeço.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3593950597649397359?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3593950597649397359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3593950597649397359' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3593950597649397359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3593950597649397359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/08/meu-blog-mudou.html' title='MEU BLOG MUDOU!'/><author><name>Leocadio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02235423181849065909</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://images3.orkut.com/images/medium/770/1794770.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-122990325627085808</id><published>2008-07-31T18:29:00.000-07:00</published><updated>2008-07-31T18:31:00.254-07:00</updated><title type='text'>“Admirável mundo novo”</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O sociólogo Bernardo Sorj disse recentemente no programa Invenção do Contemporâneo, na TV Cultura (segundas, 00h30) que “o mundo que formou nossa percepção não existe mais”. Isso quer dizer que muito – mas, muito mesmo – do que nos foi ensinado ao longo da história passou, mudou, caducou. Ao mesmo tempo em que corremos atrás da sobrevivência, da carreira, do sucesso, do relacionamento estável, do conhecimento, temos também que disparar rumo à adaptação a este, digamos, novo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos treinados a perceber tudo do jeitinho que nos foi ensinado por nossos pais e professores, que por sua vez aprenderam com seus pais e professores, e daí para trás. Aprendemos a viver com profundidade, a exercitar o pensar, a formular, a elaborar idéias, experimentar. Viver um sem fim de cobranças para ser aceitos numa sociedade altamente exigente em comportamentos, regras, etiquetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, para quem viveu e vive tais regras, está difícil viver. Está difícil a aceitação de uma nova sociedade, pautada na velocidade, no imediatismo, no prazer neste momento agora mesmo. As soluções são práticas, rápidas e objetivas. A profundidade virou perda de tempo. Tem-se que fazer cinco coisas no mesmo instante e passar ligeiramente os olhos em cada uma delas pode me trazer o resultado que preciso em todas, sem parar, sem agarrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet favoreceu esta praticidade, que já passa aos jornais, revistas e outras publicações. Textos curtos, leitura dinâmica, entendimento fácil, raciocínio em flash. Foi-se o tempo de Shakespeare, Marx, Kant, Edgar Allan Poe, Nietzsche, Kafka, Rimbaud, Vitor Hugo. Sem ir tão longe, há poucos meses uma adolescente de 18 anos, universitária, me perguntou quem era Raquel de Queiroz. Será que ela tem idéia de que muitos dos nomes mais célebres da literatura morreram pouco depois dos 20 anos, nos deixando obras fabulosas? Álvares de Azevedo, por exemplo, aos 21 anos foi levado pela tuberculose, e nos legou poesias imortais. Sem falar de Castro Alves, Fernando Pessoa, Ana Cristina César, ou Torquato Neto – este suicidou aos 28 anos. Neste mundo novo de hoje, jovem que escreve poesia é um excluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem é difícil a aceitação, a saída é denominar este mundo de superficial. Nas salas de aula, nós, professores, nos surpreendemos com mentes que, antes, chamaríamos de vazias, mas que na verdade são fruto desse mundo novo ao qual estamos tentando nos adaptar. Eles são resultado da hipermodernidade, já nasceram com o compromisso de serem melhores que seus pais, fazer rápido e passar à próxima etapa. Ler? Estudar? Reunir informação? Pesquisar? Escrever? Aprimorar o nível cultural? Só o suficiente para saber o que é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi um texto pela internet dias atrás, desses que nunca temos certeza da autoria. Nele, o autor ou autora diz que nosso mundo é do tamanho do nosso foco de atenção. “É como se nossa consciência flutuasse por diferentes níveis de percepção que desvelam diferentes níveis de realidade”. Para ele, ou ela, ficamos encapsulados e limitados a um número específico de ações, em contato com uma pequena quantidade de seres e universos, incapazes de acessar outras práticas, modos de ser, sensações, emoções, visões. “Há um vasto mundo fora da nossa mente!” E o mundo de hoje, o mundo de cada um, não tem mais espaço para o mundo lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estranho até tentar lembrar que mundo foi aquele que formou a minha percepção. Quando nasci, no ano que não terminou, grandes e até então inimagináveis mudanças começavam a pipocar pelos quatro cantos do mundo. E cresci sem me dar conta do que era importante deste tempo pra trás. Me sinto parte desta geração que apreendeu o pragmatismo e com ele formulou seu pensar e seu agir. Pelo menos não tenho tanta dificuldade em me sentir adequada. Ufa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo ou errado não há mais como fugir das necessidades atuais ou ficar tentando retomar o passado, com o batido discurso “no meu tempo era assim” ou “não gosto desse negócio de MSN; prefiro o olho no olho”. Esse passou, caducou. Fica cada vez mais isolado na recusa em caminhar para a frente, em fazer parte deste novo mundo que não se recusa a correr na frente de todos nós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-122990325627085808?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/122990325627085808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=122990325627085808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/122990325627085808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/122990325627085808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/07/admirvel-mundo-novo.html' title='“Admirável mundo novo”'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-7475018131655056549</id><published>2008-07-21T10:40:00.000-07:00</published><updated>2008-07-21T10:41:25.109-07:00</updated><title type='text'>Que circo é esse?</title><content type='html'>Lamentável.&lt;br /&gt;É a única palavra que me vem à cabeça ao tentar definir o que faz o circo Big Brother que está em exibição em Volta Redonda/RJ: utiliza cães que se apresentam dançando, sob as ordens daquele que se auto-intitula artista, mas que neste caso não passa de um simples adestrador, como vários por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouquíssimo tempo depois do brilhante espetáculo do Circo da China na cidade, no qual os verdadeiros artistas dão o show, ficamos boquiabertos com a ousadia do Big Brother de exibir animais na cidade onde reside o deputado estadual Edson Albertassi, que criou a lei, de 2001, que proíbe animais em circo em todo o Estado do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrevista que deram à reportagem do jornal Diário do Vale deste sábado, 19, os donos do circo, os irmãos Ewerton e Alessandro Lestra, (não sei qual dos dois é o adestrador, porque neste caso, reafirmo que artista não é), se justificam dizendo que os cães são bem tratados, comem ração e saem para passear. Eles não fazem mais que sua obrigação dar de comer, beber e passeio aos animais. Porém, daí vai uma longa distância de obrigar cachorros a fazerem o que não nasceram para fazer. Basta imaginar-se no lugar dos bichos, que sentem tudo o que a gente sente, para perceber que isso é no mínimo cinismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentável.&lt;br /&gt;É simplesmente lamentável ler, na entrevista, o dono do circo dizer que temos preconceito contra o circo. Seria preconceito sentir asco ao verificar a falta de higiene dos banheiros disponibilizados ao público? Será que ao aprovar a instalação de um circo no centro da cidade a prefeitura observou isso? Ou fez algum tipo de exigência neste sentido? O dono do circo disse que desconhece a lei que proíbe o uso de animais. Na hora de aprovar a instalação ele deveria ter sido informado. E quem é que aprova, não é a prefeitura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de dizer, diretamente aos donos do circo e adestradores (não são artistas), que não temos nenhum preconceito contra nenhum circo, desde que não sujeite animais a nada. Como disse anteriormente, pagaria três, quatro, cinco, 12 vezes para assistir ao espetáculo do Circo da China porque lá, sim, tem arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é lamentável.&lt;br /&gt;Lamentável o dono cobrar que se faça algo pelos animais que estão abandonados nas ruas, se são os circos grandes responsáveis pelo sofrimento de centenas de animais, destinados ao abandono após não servirem mais para as apresentações. É lamentável tentar se eximir de uma responsabilidade, cobrando outra, que também deveria ser a sua. Afinal, é tão cruel animal abandonado na rua, quanto obrigado a fazer gracinhas para um público voraz, numa clara demonstração de trabalho escravo, onde se faz o que não se quer, em troca de casa e comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentável que no século 21 ainda de submeta animais a espetáculos para diversão de humanos, como barbaramente se fazia três séculos antes de Cristo. Serão os donos de circo e adestradores seres bárbaros como aqueles? Mesmo sendo pais de família e que pagam seus impostos, como dizem os donos do circo na entrevista, cremos que não há necessidade de utilizar animal para ganhar a vida, mesmo porque, são eles mesmos, os donos do circo, que afirmam que “o número que envolve os cães corresponde a aproximadamente quatro minutos do espetáculo de duas horas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentável ainda termos que ouvir tudo isso, após tanta luta por um pouco de educação, evolução, inteligência e sensibilidade das autoridades. Ainda falta muito, vemos aí o exemplo, mas não pretendemos descansar. E que as autoridades que deveriam fiscalizar este tipo de ‘entretenimento’, cumpram realmente o seu papel. É o mínimo que a sociedade exige.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-7475018131655056549?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/7475018131655056549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=7475018131655056549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7475018131655056549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7475018131655056549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/07/que-circo-esse.html' title='Que circo é esse?'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-7530594017391537941</id><published>2008-07-08T14:10:00.000-07:00</published><updated>2008-07-08T14:28:58.581-07:00</updated><title type='text'>Parabéns pra Nós!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E fizemos aniversário e ninguém abriu um latinha? Nem um "êbaaa!"? Hã?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois eu vou fazer barulho e mexer no embrulho desse pacotinho aqui de fita vermelha e quem foi esse ano vê-la? A Paraty? Hum? Eu não, fiquei por &lt;em&gt;quá&lt;/em&gt; porque minha filha nasceu nos 4 do mês. Julho é meu mês diléto. Lembro do Joaquim e do Arthur e agora comemorarei a Ana e todos os anos lembrarei de vir aqui abrir uma latinha após comprar os bibelos à minha menininha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este ano o Nelson deu a cadeira ao Bruxo de Cosme Velho, e foi o segundo texto que li a está ouvinte disposta, li o Apólogo. Ela não deu nesga de apreciação, mas quando li uma crônica minha babou, e aí vejo que a moça já sabe quando calar e babar. Manipular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E estou dizendo um monte de coisas desconcexas e fico todo esse tempo sem publicar e chego a palrar e bláblár a pensar o quanto as coisas mudam em um ano, o pé de galinha se aprofunda e vira parte do desenho das aflições e quantas! muitas! e felicidades, doidas e acontecimentos impossíveis do click da crônica e eu queria dar um abraço e antes da lágrima vou parando e repetindo o feliz aniversário ao nosso cantinho! Ê! Abraços e se cuidem, um ótimo ano para os Crônicos!&lt;/div&gt;t+&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-7530594017391537941?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/7530594017391537941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=7530594017391537941' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7530594017391537941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7530594017391537941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/07/parabns-pra-ns.html' title='Parabéns pra Nós!'/><author><name>Claudio Brites</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_gf8jY9DIG3o/SYmsQn_MWKI/AAAAAAAAAIE/S9vz8M1DtNM/S220/kut2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8193188702096097712</id><published>2008-06-25T07:32:00.001-07:00</published><updated>2008-06-25T07:40:05.704-07:00</updated><title type='text'>Os últimos serão os primeiros</title><content type='html'>Tudo bem. A gente já sabe que uma infância calada, isolada, interiorizada e, antes que eu me esqueça, habilmente disfarçada de inteligência arrogante — estratégia pueril de autodefesa contra a exibida burrice malvada, sempre pronta para uma provocação ou outra —, corre o sério risco de acabar muito mal. E geralmente acaba. Vide este &lt;a href="http://www.noga.blog.br/mugabe.jpg" target="blank"&gt;Robert Mugabe&lt;/a&gt;, por exemplo: por trás da eficaz retórica assassina dele, desvendam os analistas a sombra do eterno menino agarrado aos livros, filhinho da mamãe carente e isolado em fantasias de grandeza que preferia ficar sozinho a brincar com os outros — "Morei muito dentro da minha mente. Gostava de falar sozinho, ler em voz alta para mim mesmo." —, ui, arrepio. Já me envolvi em comparações melhores, gente, juro. Não me parece uma boa hora, e é por isso que evito qualquer referência comprometedora àquele evento distante — e nem por isso menos marcante —, em que me escondi no armário do quarto pra escapar a mais uma bem-intencionada tentativa de mamãe, que nunca desistiu de me transformar num "ser mais social". Fracassou, coitada. Quanto mais o tempo passa, mais bicho-do-mato eu fico. E em contrapartida, claro, mais carente do que nunca de reconhecimento, eloqüência e celebridade, ui, &lt;em&gt;vade retro&lt;/em&gt;, coisa-ruim. &lt;br /&gt;Pior ainda é pretender aproveitar esta crônica triste da inclemência humana pra me alegrar com você, leitor fiel — que não se incomoda nunca com esta minha tendência nata para o humor mais negro que as mais negras intenções de qualquer ditador africano —, e rir um bocado com os novos sinais de uma vaga promessa de notoriedade, é sério, gente, descobri por acaso no google (sim, eu goglo &lt;a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;q=noga+lubicz+sklar&amp;meta=" target="blank"&gt;meu nome no google&lt;/a&gt; de vez em quando, mesmo soando meio assim, gluglu, perua): meu incrível best-seller e praticamente esgotado "Hierosgamos" (modéstia à parte, o livro é bom mesmo, viu, gente?) está à venda, por módicos vinte reais, na &lt;a href="http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/info.cgi?livro=13467204" target="blank"&gt;Estante Virtual &lt;/a&gt;— corram, fãs —, em "excelente estado de conservação".&lt;br /&gt;Outras coisas bacanas que descobri na pesquisa, vamos combinar, não conto nem sob tortura: não sou babaca de alimentar este mito crescente da minha fadada arrogância intelectual, imaginem. Só alerto vocês para o fato inescapável de que vou caminhando para a fama assim, com constância e trama, como venho vivendo esta vida: entrando sempre pela porta dos fundos e comendo pelas beiradas. Pois é. Não me estranhem se dentro em breve um ou outro escritor concorrente, disputando a tapa aquele espaço cada vez mais raro — e caro — em estante real de livraria, apareça morto sem explicação possível, vocês sabem: liquidado sem nenhuma piedade por um invejoso veneno da crítica, eu é que não fui, juro que não: "Apesar dos percalços da infância, a pequena e emburrada menina de poucos amigos" já desistiu faz tempo de se tornar a rainha do castelo, viu? Quanto aos que falam tão bem de mim pelas costas, peço por favor, para o bem de todos e a felicidade geral de minhas futuras vítimas, que o façam em alto e público bom som.&lt;br /&gt;Faltou à tradução de O Globo acrescentar o final do &lt;a href="http://www.independent.co.uk/news/world/africa/young-mugabe-the-making-of-a-despot-852789.html"&gt;artigo original &lt;/a&gt;de Heidi Holland: "Mas a perseverança de Robert foi também seu jeito de lidar com um universo que ele acreditava estar sempre contra ele. Apesar de períodos de contentamento, ele estava destinado a ser consumido pela desconfiança pelo resto da vida." &lt;br /&gt;Pobre menino(a) poderoso(a).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8193188702096097712?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8193188702096097712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8193188702096097712' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8193188702096097712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8193188702096097712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/06/os-ltimos-sero-os-primeiros.html' title='Os últimos serão os primeiros'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2541307306541684114</id><published>2008-05-16T12:20:00.001-07:00</published><updated>2008-05-16T20:55:01.199-07:00</updated><title type='text'>Conversas Nardônicas</title><content type='html'>Aprendi com uma dupla de cronistas renomados – Joaquim Ferreira dos Santos e Arthur Dapiève – que a crônica deve passar ao largo das questões do dia-a-dia; deve mudar de assunto, até mesmo para dar uma folga do pesado noticiário, que normalmente nos é oferecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, há casos em que é quase impossível mudar o rumo da prosa, por isso fiquei em silêncio nos últimos dias. Durante praticamente dois meses não se falou em outras coisa: o assassinato de Isabella Nardoni. O país parou, queixos caíram pra todo lado; o que para muitos seria considerado impossível estava ali, ao vivo, na tela da TV, relatado em todos os canais e telejornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mobilização geral tomou conta do país. Revolta, tristeza, indignação, surpresa, choque, incredulidade. Muita gente saiu de sua casa a quilômetros de distância para fazer plantão na porta do prédio dos Nardoni, em São Paulo. A polícia precisou montar esquemas especiais de segurança para garantir a integridade física de Alexandre e Ana Jatobá. Sem contar a audiência na TV em pleno domingo, com a transmissão ao vivo da reconstituição do crime. Melhor que Juvenal Antena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma das muitas e intermináveis conversas das quais participei, ouvi de uma amiga psicóloga a seguinte explicação: “Constatamos, com este caso, que nós, seres humanos, somos capazes de cometer as piores atrocidades. Não importa se pai, mãe, filho ou qualquer outro grau de parentesco. O ser humano é, sim, capaz de matar o próprio filho. É isso o que causa o choque, esse interesse exorbitante da população”. Ouvir isso dói, mas infelizmente é mesmo uma constatação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tentativa de explicar de outra forma a morte da menina, por não conseguir admitir a culpa da madrasta e do próprio pai, muita gente viajou em possibilidades hollywoodianas. “Essa família é mafiosa, envolvida com tráfico internacional. A menina foi morta num acerto de contas e para não entregarem o esquema, se meteram nessa roubada”. É. Comoção nacional também vira piração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda há os que, até hoje, acreditam na versão do casal, a de que havia uma terceira pessoa no apartamento. “Não posso crer que um pai tenha sido capaz de matar a própria filha. Prefiro acreditar que alguém entrou lá e fez essa maldade. Quer ver que daqui a alguns dias a verdade vai aparecer?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil foi agüentar o Big Brother: entrevista de 35 minutos do casal no Fantástico (da qual se editaria 5 minutos); entrevista da mãe, Ana Carolina Oliveira, também no Fantástico, em pleno Dia das Mães; entrada ao vivo acompanhando a prisão do casal Nardoni; debates, debates e debates nos canais de notícias a cabo; o promotor adorando aparecer; Ana Carolina Oliveira em missa do padre Marcelo, visitada por Xuxa e Ivete, e abraçada por Zezé Di Camargo; enfim, uma super dosagem de apelação para garantir o telespectador cristalizado em frente à TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de tudo acho essa história muito triste. Com todo o requinte de crueldade utilizado no assassinato de Isabella, é muito triste o ponto a que chega uma família desajustada, formada por gente desequilibrada. E quem paga por isso, claro, são os seres mais frágeis. É a mesma tristeza que dá ao ver histórias como essa acontecerem nas áreas pobres, nas favelas espalhadas por aí: crianças que morrem por espancamento; outras que são estupradas dentro de casa por pais, padrastos, tios, primos, irmãos, padrinhos; e outras tantas que são inseridas no tráfico pela própria família. A diferença é que nestes casos o Big Brother se omite. Só interessa à opinião pública quem tem dinheiro, a classe média que mora em bairro nobre. Criança favelada nasce para morrer no anonimato.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2541307306541684114?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2541307306541684114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2541307306541684114' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2541307306541684114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2541307306541684114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/05/conversas-nardnicas.html' title='Conversas Nardônicas'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5057254389197012198</id><published>2008-05-09T11:42:00.001-07:00</published><updated>2008-05-09T11:42:23.805-07:00</updated><title type='text'>Vitórias</title><content type='html'>Moro em frente a um Centro de Ação Comunitária, mantido pelo governo municipal. Além das atividades da programação normal da casa, ali também se reúnem os Alcoólicos Anônimos do meu bairro e adjacências. Todos os domingos, das 19 às 21 horas, estão todos lá, cerca de 20 pessoas, não sei ao certo, para darem seus testemunhos de superação ao vício. São silenciosos, chegam devagar, cumprimentam-se, abraçam-se, falam baixo, às vezes ouvimos aplausos ou alguns risos abafados. Não conheço ninguém; não sei o nome de ninguém. Só sei que são vitoriosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São vitoriosos. Conseguem, dia após dia, vencer em si próprios àquela vontade doentia de sucumbir ao primeiro gole. E trocam entre eles força, coragem, fé, certeza no futuro. Me emociona, a cada domingo, vê-los nesses encontros para mim festivos. Eles deixaram para trás uma rotina de angústia e sofrimento, e decidiram apostar na vida. Não é uma decisão fácil, afinal a dependência do álcool é uma doença, cuja cura está unicamente nas mãos do paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dor, privação, insegurança, depressão, e também força de vontade, amor próprio e pela família, fome de viver, tudo misturado. Vejo em cada uma daquelas pessoas um pouco de tudo isso. A disposição corajosa de mudar de rumo, crer em si e renascer das cinzas, como uma Fênix. Na edição passada falei sobre isso aqui: mudança. Vencer vícios ou situações adversas é se permitir mudar, acreditar que existe uma mola no fundo do poço que vai te impulsionar pra fora, desde que se queira, mesmo, sair lá de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez pelo exercício da escrita me acostumei a observar pessoas e tenho visto alguns exemplos de vitória por aí. Tenho um amigo que se curou do vício em drogas e hoje é professor universitário. É tão vitorioso que sequer guarda nas expressões do rosto as marcas dos dias de sofrimento. Alegre, com o olhar iluminado, sempre otimista, é espirituoso e a todo momento tem algo de bom pra dizer, sem ser piegas. É um cara feliz e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante em tudo isso é que é difícil falar de vitória sem falar das perdas ou dores pelas quais se passa, pelas quais se é tentado à escolha pela vida ou pela morte. A vitória pessoal está intimamente ligada a um infortúnio qualquer, angústia, aflição. Não falo de vencer na profissão, ter sucesso na carreira e ganhar muito dinheiro. Conheço gente rica que nunca mais soube o que é alegria depois da morte de um filho. E superar uma perda dessa importância não é para qualquer um. Muitas mães passam o resto dos seus dias sem sentido depois de enterrar um filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superação pessoal. Vitória individual sobre si mesmo. O cantor Roberto Carlos levou a vida inteira para admitir que era doente, que sofria de Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC e, finalmente, decidiu se tratar como convinha. Entregou-se a um psiquiatra e se tratou, vencendo em si a compulsão, as manias. Já o ator Michael Douglas, dizem, procurou tratamento para outro tipo de compulsão, a sexual. Era doente por sexo e só conseguiu recuperar o controle após sessões de análise e alguns remedinhos psiquiátricos para frear o desejo ardente. Por favor, leitor, não viaje. É doença mesmo, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa aprendi observando as vidas dessas pessoas e de outras tantas que não caberiam aqui. O importante é ser feliz e para isso é preciso liberdade. E qualquer sentimento que nos prenda à dor impede a vida em sua plenitude. Da mesma forma que não se pode dar asas ao prazer de viver, preso ao vício, seja de drogas, álcool, sexo. Claro que não estamos nessa vida a passeio, senão tudo seria muito mais simples. Falo na liberdade do ser completo, feliz por si, de alma leve, “espinha ereta e coração tranqüilo”. Livre. Vitorioso.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5057254389197012198?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5057254389197012198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5057254389197012198' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5057254389197012198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5057254389197012198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/05/vitrias.html' title='Vitórias'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8860292582086219666</id><published>2008-05-01T11:07:00.000-07:00</published><updated>2008-05-01T11:09:20.380-07:00</updated><title type='text'>poemas de amor mequetrefes</title><content type='html'>Sai  cadeeiras verdes pra lá &lt;br /&gt;Me acostuma esse cheiro&lt;br /&gt;Me aconchega de longe&lt;br /&gt;Nem sabendo dos iguais&lt;br /&gt;Suadeira felizmente aproxima&lt;br /&gt;Suave igual letra sem verbo &lt;br /&gt;A gente vai estendendo&lt;br /&gt; fôrma e  nuca&lt;br /&gt;Meu viking da paulicéia &lt;br /&gt;Eu inseguro, tu, inseguras&lt;br /&gt;Vamos levando&lt;br /&gt;No andar possível &lt;br /&gt;Vamos amando&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8860292582086219666?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8860292582086219666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8860292582086219666' title='103 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8860292582086219666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8860292582086219666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/05/poemas-de-amor-mequetrefes.html' title='poemas de amor mequetrefes'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>103</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1320872080648923979</id><published>2008-04-18T11:44:00.000-07:00</published><updated>2008-04-18T11:45:25.969-07:00</updated><title type='text'>Exercício desconfortável</title><content type='html'>Mudar: Trocar de aspecto, natureza; trocar uma coisa por outra; variar; remover de um lugar; deslocar-se de uma casa para outra; transformar-se. Esses são alguns dos significados de uma palavrinha que assombra a cabeça de muita gente. Mudar ou mudança. Para uns é novidade; para outros é dor. Há pessoas que vêem nessa palavra um novo sentido para a vida, novos rumos, novos ares. Outras sentem ameaça, têm medo, não querem sair da zona de conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudar é o próprio sentido da vida. Mudamos a cada segundo, desde que nascemos. Trocamos de células, de tecidos, desenvolvemos nossas capacidades motoras, engatinhamos, andamos. Aprendemos a falar. De gugu-dadá avançamos para papai, mamãe, angu e daí para a frente não paramos mais de absorver as mudanças que a vida nos apresenta dia após dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das transformações naturais, passamos a ser, digamos, empurrados às mudanças propostas e impostas, nas mais diversas situações, sejam elas familiares, profissionais ou de qualquer tipo de relacionamento. Um casamento, um filho, outro filho, o casamento que acaba, viver sozinho, outro casamento. Um emprego novo, ser demitido, um cargo novo, mudanças na estrutura organizacional da empresa, uma nova equipe, um novo chefe, um novo subordinado. Entrar para a faculdade, formar-se, fazer uma pós-graduação, mestrado, doutorado. Tudo na vida propõe mudança, quando tomamos qualquer decisão ou quando a vida decide por nós. E podemos optar por mergulhar nesta aventura ou ficar parado, cristalizado de medo, esperando ser engolido pelo destino. Piração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que sim, mas a própria psicologia nos explica que toda mudança pode significar algo como uma morte. Porque é uma fase, um tempo que definitivamente não volta mais. O fim de uma vida, para começo de outra. Acabou, perdeu, e perda é morte, e quem não tem medo da morte? É daí que surgem sentimentos próximos ao pânico que chegam a levar muita gente aos consultórios psiquiátricos para longos tratamentos químicos, que vão ajudar o cérebro a concatenar as idéias, de acordo com as novas perspectivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só olhar para dentro ou para o lado e nos deparamos com essa realidade crua, ou cruel. A vida nos coloca diante de situações de mudanças das mais variadas formas e isso é sempre positivo, claro. Mas, muitas vezes somos forçados a mudar a partir da perda de um ente, de um casamento desfeito, o que costuma ser muito doloroso.  A vida nos aperta, nos coloca contra a parede, como se dissesse: “É sua chance de se tornar uma pessoa melhor”. E agora, aceito ou não? Em todo caso é uma grande oportunidade de abraçar o novo, seja qual for o jeito que se apresente, e sorver até a última gota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, volto à questão lá de cima, o medo de sair da zona de conforto, da comodidade, da fantasia criada para escamotear inseguranças, incapacidades e incompetências. “Enquanto estou aqui, debaixo do tapete, ninguém vê a verdadeira sujeira que eu sou”. Quem não conhece alguém assim? Cá pra nós, aqui no pé do ouvido, se já temos problemas demais a enfrentar com nossas próprias mudanças, o que acha de alguém assim ao seu lado? Ninguém merece!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 'transformar-se' não é nada fácil pra ninguém, ao contrário. A reforma íntima, a constante mudança interior que nos abala pra frente é um processo natural, mas nos mobiliza a pensar, a exercitar o raciocínio, a inteligência. Nos coloca frente a frente com a ética, a moral, a decência e o respeito próprios e com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transformar-se significa fazer um esforço além do impossível para não ficar para trás, parado, escondido na acomodação, enquanto a vida corre e as outras pessoas lá fora evoluem. É um movimento difícil, requer desprendimento e não é qualquer um hoje em dia que está a fim de se desprender seja lá do que for. Mas, acredito que vale a pena, senão, não estaria aqui, escrevendo, crendo, fazendo planos, esperando por um futuro que não existiria sem mudanças.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1320872080648923979?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1320872080648923979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1320872080648923979' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1320872080648923979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1320872080648923979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/04/exerccio-desconfortvel.html' title='Exercício desconfortável'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-6479810148352989230</id><published>2008-04-06T09:06:00.000-07:00</published><updated>2008-04-06T09:08:14.876-07:00</updated><title type='text'>Santa Teresa por Ele e Ela</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:85%;" &gt;De Simone Silveira Kaplan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Santa Teresa por Ele &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem não chora. Quem chora é ela, Santa Teresa. Só ela. Eu vi. Eu, perdido entre foliões. O bloco das Carmelitas passando. A Ladeira derramou um rio de lágrimas minutos antes de Anita chegar. Tanta chuva, tanta dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me arrumei todo. Olha que não sou de vaidade. Pensei em colocar a minha melhor roupa e acabei mudando de idéia. Queria encontrá-la com a cara limpa. Não usei brilhantina no cabelo nem minha camisa branca de linho. Aparei de leve a barba. Me enchi de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fiz foi esvaziar a mente. Desmarquei a birita e o jogo de cartas com a turma do Bar do Zé, despachei a empregada e dei-lhe uma gorjeta generosa. Desci e fui até a esquina. Comprei um maço de cigarros. De volta à casa, dispus o pacote e o coloquei na mesa ao lado da cama. Antes de tomar um banho, telefonei para o taxi e pedi que me pegasse às 19:00 horas. “Não posso me atrasar, informe ao motorista,” eu disse à telefonista da agência de taxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Anita não é flor que se cheire”, pensei ao passar pelo o Aterro do Flamengo e ao avistar escassas pétalas de um rosa pálido nos galhos das árvores. Seguimos. As ruas estreitas e as curvas do morro surgiam aos poucos. Aquilo tudo era uma visão familiar. O taxi parou. Fui generoso novamente na segunda gorjeta do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisei em Santa Teresa e as primeiras gotas de chuva, quase invisíveis, molharam a linha do bonde, os paralelepípedos disformes, as buganvílias agarradas no muro. Parece que foi ontem quando fugimos da multidão e das serpentinas, para trocarmos beijos extasiados e juras de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19:20, ainda tenho dez minutos. Que fazer com estes dez minutos? Acendi um cigarro. Deixei o tempo passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha alegria desfaleceu-se aos poucos. O porvir foi assim, eu conto: dose de cachaça descendo quente pela garganta, o pandeiro tocando desafinado, "você manhã de tudo meu, você que cedo entardeceu, Você de quem a vida eu sou, E sem mais eu serei... Você um beijo bom de sal, você de cada tarde vã, Virá sorrindo, de manhã..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No “Boteco do Mineiro” o músico passou o chapéu. Desta vez fui miserável. Paguei só a conta e economizei na gorjeta. Caminhei rua abaixo por entre os trilhos e confetes. Matutei com os meus botões, “ô mulher ingrata. Vá pro diabo que te carregue.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Santa Teresa por Ela &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chorei . Derramei um rio de lágrimas. Ele não viu. Também não compreenderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me aprontei toda e acabei mudando de idéia. Queria encontrá-lo como realmente sou. Não prendi meus cabelos, não usei batom vermelho. Não vesti aquela fantasia de cigana que ele gostava tanto. Só me preenchi de coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fiz foi esvaziar a mente. Desmarquei a manicure das 11:00 horas e liberei a empregada. Fui até a esquina. Comprei um ramalhete de dálias alaranjadas. De volta à casa, dispus uma por uma no vaso e o coloquei na mesa ao lado da cama. Antes de tomar um banho, telefonei para o taxi e pedi que me pegasse às 19:00 horas. “Não posso me atrasar, por favor informe ao motorista,” eu disse à telefonista da agência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Osmar é traiçoeiro”, pensei ao passar pelo o Aterro do Flamengo e ao avistar árvores crescendo em solo frágil. Seguimos. As ruas estreitas e as curvas do morro surgiam aos poucos. Aquilo tudo era uma visão familiar. O taxi parou. Paguei o que devia. Desci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisei em Santa Teresa e as primeiras gotas de chuva, quase invisíveis, molharam a linha do bonde, os paralelepípedos disformes, as buganvílias agarradas no muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19:10. ainda tenho vinte minutos. Quis acender um cigarro mas não tinha fósforo. Levantei-me e fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu choro ninguém viu. O porvir foi assim, eu conto: Sentei-me no meio-fio, tirei um livro de Freud de dentro da bolsa. Senti-me estúpida lendo Freud em plena terça-feira de carnaval. O abri em uma página qualquer. Li: Quando amam não desejam; e quando desejam, não podem amar. (Cap. IV, II,2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meses sem notícias e agora quer me encontrar? Esquece!”, pensei. Desci a ladeira caminhando com passos tortos por entre os trilhos e confetes. “Todo caso de amor fulminante, mais cedo ou mais tarde passa. Dói mais passa”, suspirei aliviada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinzas, só as da quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-6479810148352989230?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/6479810148352989230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=6479810148352989230' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6479810148352989230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6479810148352989230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/04/santa-teresa-por-ele-e-ela.html' title='Santa Teresa por Ele e Ela'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2437198511315899387</id><published>2008-04-05T18:04:00.000-07:00</published><updated>2008-04-05T18:06:30.792-07:00</updated><title type='text'>Universidade do Amor</title><content type='html'>Isso mesmo senhoras e senhores. Quem disse que uma vida repleta de bons casos de amor – esses derramados de deixar cabelo branco, o peito cheio e a gente mais livre – não equivale a uma formação maravilhosamente diversa, pra não usar outros termos  pernósticos, e que dá sustança pra gente continuar a andar mais sagaz e elegante? &lt;br /&gt;Foi conversando de manhã com umas amigas que eu percebi que as três  tinham aprendido a tomar café da manhã com seus amores, os atuais ou passados. Débora me explica que o ex-namorado combinava os elementos como ninguém e defendia a refeição primeira do dia com ardor. Raquel  lembra com romantismo do ritual do café, o pinga pinga do coador velhinho, a toalha com pontos geográficos e as canecas diferentes de cada dia do amor da vida, daqueles que vão mas não passam. Érica se emociona porque o esforço do amado no preparo de misto quente e suco de laranja veio na hora em que  mais precisava,  mudança de cidade, sem pouso e com as malas pelo chão, o tempo do café era o  carinho necessário.  &lt;br /&gt;E pode ser a única que exista.  Porque talvez desses tempos todos, nenhuma delas se lembra do aluguel atrasado ou do texto que entregou, publicou, dos clientes que ganhou ou do quanto a conta bancária ficou mais ou menos gorda. O café da manhã, simples assim. Se trocarmos café da manhã por emoção, dá no mesmo. &lt;br /&gt;Sim, há lugares mais ou menos propensos para a universidade do amor. Há quem diga que em São Paulo não dá pra praticar com o fervor merecido. Mas tem o argumento de que é possível, com mais rapidez em cada crédito. Aulas no nove da esteira. Ao invés de um café da manhã inteiro, um cafezinho de balcão na friagem do Alto de Pinheiros, uma conversa de carona na doutor Arnaldo passando pelas floristas do cemitério, uma volta corrida na Benedito Calixto pra depois se empanturrar de torresmo no consulado mineiro. Como diz a Nara, que voltou reencarnada em Fernanda takai, com açúcar e com afeto ta valendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2437198511315899387?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2437198511315899387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2437198511315899387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2437198511315899387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2437198511315899387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/04/universidade-do-amor.html' title='Universidade do Amor'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1002058390168067577</id><published>2008-03-19T11:39:00.000-07:00</published><updated>2008-03-19T11:40:17.682-07:00</updated><title type='text'>milagre</title><content type='html'>A história preferida de Rolando Telles era um milagre. O padre Raposo que desviou das balas de revólver. Numa estrada sombria, bem à noitinha, um capanga encurralou padre Raposo a mando de Honório, por desavenças de família. Padre Raposo ficou do lado da moça que se separou de Raul quando descobriu sua amante. Honório, pai da moça, nunca perdoou. Numa noite de abril, descobriu que padre Raposo partiria da fazenda Esperança para a cidade mais próxima, Nagibe, e nem perdeu tempo. O capanga sabia que o padre tinha horas fora de si. As beatas contavam os olhos virados pro alto, a fala embolada e uma vermelhidão que subia quando padre Raposo orava. Tinha muitos fiéis fervorosos, era quase milagreiro, ia ter de sumir uns tempos, mas o dinheiro era bom. Subiu a rampa que ia da porteira de Vacarias a Diabo Mole e ficou de tocaia. Ora ou outra toparia com o padre. O solidéu no meio da escuridão era a pista mais fácil para não se enganar com os peões locais, que largavam serviço nessa hora. O capanga fumou seu último cigarro de palha. Demorou.A fumaça subia lenta até o galho que ele podia ver da árvore em que se botou detrás. A fumaça era um ritual que gostava. No quintal, no lusco-fusco, ia para o quintal, botava o fumo bem pertinho, desenrolava a palha, alisava com o canivete que fora do pai, uma relíquia de família. Ajeitava o chapéu, dobrava as pernas, enrolava bem apertado do jeito que o fumo cheiroso não soltasse ponta e levava o cigarro na boca uma. A primeira baforada. A segunda já relaxava, soltava forte a fumaça na luz apagada do quintal, subindo, fazendo volta no telhado até sumir no pretume, sozinho, dever cumprido. E lá vinha padre Raposo, só devia ser, uma roupa cumprida só pode ser de padre, o solidéu, um porte de padre. Um trote ritmado, meio teimoso, coisa de padre, rompendo a estrada, pouca poeira, tinha chovido. Armou a arapuca. Tão logo padre |Raposo passou a curva, tava lá o capanga, armado de revólver e coragem. Tascou um discurso de matador. – O senhor pára, o senhor pára, o senhor pára. Um respeito devido a Deus. &lt;br /&gt;Padre Raposo, que vinha fazendo orações no caminho, não se opôs. Brecou o cavalo na mansidão, esperando ver o que sabia. O capanga empunhou a arma, destilando a raiva necessária para não tremer. Foi a hora em que padre Raposo pediu. &lt;br /&gt;– Só um instante, só um instante. E rezou rápido um padre nosso e tirou o solidéu no mesmo instante em que as balas zuniram pelo ar fresco da noite, saindo uma a uma na direção do alvo, riscando o breu sem meia volta na estrada . Uma a uma depositadas no solidéu qual caixinha de bola de gude, caíram assentadas no chapéu de padre Raposo que não gritava nem sorria, esperava, olhando pro alto, tal como as beatas contavam, um olho de vidro pro céu, um olho que não estava ali nem aqui, num lugar desabido. Foi então que o capanga se ajoelhou – Rolando Telles se ajoelhava – pediu perdão três vezes, contou seu mando, seus pecados, sua vidinha medíocre. Padre Raposo catou as balas no chapéu e pôs no bolso – estão até hoje com seu pai, Rolando Telles sussurava com mistério – perdoou o assassino e pediu praquela história não se repetir. Aprumou seu  cavalo e seguiu para Nagibe, apertando as balas no bolso da batina às vezes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1002058390168067577?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1002058390168067577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1002058390168067577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1002058390168067577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1002058390168067577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/03/milagre.html' title='milagre'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-6517287538663679073</id><published>2008-03-10T18:07:00.000-07:00</published><updated>2008-03-10T18:09:01.402-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;em&gt;O texto abaixo não é novo, mas está atualíssimo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Quem somos?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou. A Semana da Mulher passou e voltamos todas e todos à realidade nua e crua. Nada de beijinhos, abracinhos, botões de rosas vermelhas e felicitações nos ambientes de trabalho e nas ruas. Quem ou quantos vão se lembrar ou ao menos pensar no verdadeiro motivo de ´comemorarmos´ o Dia Internacional da Mulher? Alguém se habilita? Pois é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mesmo dia, em 2006, tive que explicar a uma mulher porque essa ‘comemoração’ existe. E essa mulher já tinha na época mais de 30 anos e não era inculta, muito menos ignorante. Bacharel em Direito, não exercia a profissão, mas era ativa no mercado de trabalho de São Paulo. Só que na ocasião não tinha sequer idéia do por que desse nosso dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 de março de 1857. Operárias de uma fábrica de tecidos, em Nova Iorque, fazem uma grande greve. Elas ocupam a fábrica e reivindicam melhores condições de trabalho, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação é reprimida com total violência. Elas são trancadas dentro da fábrica, que é incendiada. Cerca de 130 tecelãs morrem carbonizadas, num ato totalmente desumano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, desde que conheci essa história passei a detestar receber rosas no Dia Internacional da Mulher. Ganhar flores, pra mim, é um presente ligado a romantismo afetivo, ou pior, a um pedido de desculpas descarado de um homem que traiu sua mulher (conheci vários confessos). Também não gosto das dezenas de felicitações que me chegam por e-mail. São todas muito parecidas: “somos lindas, maravilhosas, gostosas, cheirosas, perfeitas e necessárias” ou “temos um dia só pra gente, então vamos comemorar!!!!!!!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, num escritório muito próximo daqui, uma mulher cabisbaixa, encolhida como um feto, tenta dar rumo a sua vida diante de uma advogada de um projeto social. Ela foi violentada durante toda a vida pelo pai e pelos irmãos. E o marido, segundo ela, nem é tão mau: “Ele me bate, sim, mas só um pouquinho...” Essa mulher, muito provavelmente, recebeu uma rosa de presente quando chegou ao trabalho de manhã. E o que é feito por mulheres assim? Porque ela não considera tão mau o homem que ´bate pouquinho´?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ainda somos hipócritas. Porque ainda preferimos fechar os olhos ante o desconforto da realidade. Como aquela deputada que entra num evento na semana da mulher e diante de um auditório lotado de mulheres que realmente fazem algo de útil pela questão do gênero despeja um discurso pra lá de antigo, tipo ´a luta continua´, e em seguida sai de fininho. Gostaria de saber o que ela ou qualquer outra faz de efetivo pelas milhares de mulheres que ainda sofrem muito nesta sociedade de cultura machista. Ou somente providenciam rosas para parabenizá-las e enaltecer sua feminilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dia Internacional da Mulher é um dia de reflexão, de pensarmos, nós mulheres, no que podemos fazer para melhorar nossas vidas e das nossas semelhantes. Dia de sair do conforto de nossos lares felizes para levar um abraço, um afago, um par de ouvidos àquelas que padecem diariamente de horrores que nem podemos imaginar. Dia de arregaçar as mangas e de ter boas idéias, propor mudanças, programas, projetos. De mostrar ao mundo que somos mulheres sim, com muito orgulho, não apenas para o deleite dos homens, porque somos cheirosas e gostosas, mas para viver com o mínimo de dignidade que qualquer ser vivo merece e tem direito.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-6517287538663679073?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/6517287538663679073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=6517287538663679073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6517287538663679073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6517287538663679073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/03/o-texto-abaixo-no-novo-mas-est.html' title=''/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2500935179597126474</id><published>2008-03-06T12:37:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T03:07:13.120-08:00</updated><title type='text'>Carta de Havana</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_k0ZnL2DpwYQ/R9BWoz9KnvI/AAAAAAAAAAU/7YETLAdmRiw/s1600-h/DSCN2070.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_k0ZnL2DpwYQ/R9BWoz9KnvI/AAAAAAAAAAU/7YETLAdmRiw/s320/DSCN2070.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174731230990212850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Este país não se chama Cuba, se chama Paradoxo. País muito curioso para nativos e estrangeiros, aqui se juntam os imigrantes europeus mais vis com os escravos negros vindos da África, com os chineses arrancados do formigueiro asiático, mais os aventureiros e falsos idealistas que vêm em Paradoxo uma droga, um alívio para suas frustrações”. O primeiro parágrafo de “La Visita De La Infanta”, do escritor cubano Reinaldo Montero, é meu ponto de partida. Montero me leva gentilmente ao bairro chinês de Havana, onde há uma foto de Fidel Castro na parede, comendo de palitos, diante de uma garrafa de Coca-Cola daquela mais redonda e tradicional. O registro precioso foi a única foto que sumiu na volta da viagem. Mistério. O bairro chinês está em Havana Velha, uma convulsão arquitetônica mais a sensação de que teria sido bombardeada na noite anterior. &lt;br /&gt;A decoração é um kitsch sem tamanho. Ao meu redor, nenhum estrangeiro. Um privilégio num país em que há uma moeda para os nativos e outra para os gringos. A fila para o famoso sorvete Copelia dobra os quarteirões se o pagamento for em pesos cubanos. Nós pagamos em pesos conversíveis – o dólar desmascarado – e saímos chupando sorvete em frente a dezenas de pessoas na outra fila. &lt;br /&gt;Para o ídolo-herói-poeta José Marti, a  alma cubana é uma senhora velha que todos os dias faz a mesma coisa, e do minguado salário tira quatro partes iguais para parentes distantes. Um alívio que não sejam mencionados salsa, rum ou chicas. Nem se pode atestar oficialmente – estatísticas não existem em Cuba – mas o busto de José Marti é a imagem mais reproduzida naquele país. Em cada escola, José Martí recepciona as crianças do lado de foram, normalmente um busto em gesso. Tal como em tempos de campeonato, só se fala em beisebol, só se joga beisebol. &lt;br /&gt;Amargura é o nome da rua que leva até a praça onde a ONU tenta restaurar as fachadas de casas cubanas para os turistas. O sonho de Juan é conhecer o Rio de Janeiro. Mas sou alertada que se eu fosse francesa,  Paris seria o alvo. Ensolarada, Havana é Paris tomada, enfim, pelos imigrantes, canta um poeta local. Enca, com medo, segue lendo livros que lhe presenteiam os turistas espanhóis. “Alugar o quarto da minha casa é uma universidade”. Varadero não é Cuba, para o professor de Matemática Tony. “As vezes corro, corro 14 km e sinto que estou preso”. Tony mantém um celeiro no quintal de casa. No lugar de milho, livros proibidos pelo regime e charutos dados pelos amigos que trabalham nas fábricas. &lt;br /&gt;Alfredo interpreta Xangô num show musical para turistas e nem se importa com o número de horas do discurso de Fidel Castro. “Ele sempre tem alguma coisa importante a dizer, normalmente no final”. &lt;br /&gt;Os meninos atravessam correndo a via mais movimentada de Havana, pulam sobre a mureta do Malécon e se atiram, de cabeça, num quadrado de água do mar entre rochas pontiagudas. O exercício de precisão resulta em palmas da platéia familiar, sob um sol fortíssimo, ainda que tecnicamente, seja inverno. Amarelo, azul e rosa. Ao final do dia, a vontade é entrar numa caverna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2500935179597126474?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2500935179597126474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2500935179597126474' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2500935179597126474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2500935179597126474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/03/carta-de-havana.html' title='Carta de Havana'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_k0ZnL2DpwYQ/R9BWoz9KnvI/AAAAAAAAAAU/7YETLAdmRiw/s72-c/DSCN2070.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4553291570769498548</id><published>2008-03-05T09:39:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T09:54:16.691-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu sábado por um cisco&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A fragilidade humana, sem aviso prévio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado à noite. Depois de uma semana inteira de expectativa pelo fim de semana e de um dia inteiro de trabalho duro, entro no banho, me preparando para uma longa noite de diversão, quando um cisco encontra um cantinho do meu olho direito. Do cantinho, move-se para debaixo da pálpebra superior, bem no meio, me impedindo até de piscar. Para quem esperava uma noite de puro relax, foi uma questão de segundos para viver o fim do meu sábado, por um cisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 15 minutos estava no hospital, de olho fechado, segurando-o com a mão, para não sentir dor. Deito na maca, luz em cima, médico com o cotonetes pronto para entrar em ação, abre o olho e ... "É, pelo jeito esse não faz parte do grupo caseiro, aquele pretinho, poeira da CSN. Não consigo vê-lo". Anestésico, abre o olho de novo e cotonetes e jato de soro. Nada. Saio do hospital com um 'baita' curativo e a recomendação de voltar no dia seguinte, caso o cisco ainda permanecesse lá. "Agora você precisa dormir", disse o médico, no meu sábado, às 11 da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depressão. Desânimo. Uma sensação de fragilidade que só aparece nesses momentos. Um cisco, invisível a olho nu, tem a capacidade de fazer tamanho estrago. Jamais tive tanta certeza que somos menores que átomos nesse universo infinito que nos rege. Ou seja, "muito pouco ou quase nada". Estamos à mercê de forças superiores, a qual chamo de Deus, outros de Alá, Oxalá, Jeová, ou somente força da natureza. Algo ou alguém oculto que fica lá, a espreita, esperando o momento certo de dizer "fica aí que eu tô mandando", como me mandaram ficar em casa naquele sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste momento em que falo de fragilidade lembro de situações do dia-a-dia em que isso fica claro e às vezes hilário. Se me senti arrastada à cama por um cisco, o que dizer da frase "não posso ver sangue"? Isso mesmo. Anos atrás (não preciso dizer quantos, né?) trabalhava no Hemonúcleo de Barra Mansa (ainda era setor de Hemotransfusão) e recebia doadores de sangue todas as manhãs. Não era raro um marmanjo desmaiar antes, durante ou depois da doação. Falo em marmanjo porque eram aqueles homens enormes, musculosos, que costumamos chamar de armário duplex seis portas. Fragilidade é para qualquer um; ninguém está livre. Nem aquele bombeiro másculo que precisou de atendimento dos profissionais do Pronto Socorro para acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente estamos à mercê de mosquitos. Esses pelo menos são maiores que ciscos. A diferença é que cisco não provoca a morte de ninguém. Pelo menos desconheço algum caso. E é mosquito da dengue pra cá, mosquito da febre amarela pra lá. E nós, seres humanos, numa movimentação constante para ver esses bichinhos minúsculos cada vez mais distantes do nosso convívio. Porque? Somos frágeis a eles, completamente impotentes àquela picadinha que poderia ser perfeitamente inocente. Afinal, somos gigantescos, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos gigantes, sim, da arrogância e da prepotência. Não nos dobramos a regras e leis, debochamos de tudo o que possa minimamente limitar nossa liberdade, afinal, "a vida é muito curta e a gente tem que aproveitar". Planejamos nossas vidas como se fôssemos sozinhos no mundo, sem o próximo, sem a certeira Lei de Murphy. E quando menos esperamos estamos presos à caminha quente, numa noite também quente de sábado, que muito merecia um chopp, por conta de um cisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a gente parar para pensar, é justamente à mercê de seres minúsculos, só visíveis em microscópios, que nós humanos acabamos. As piores doenças, que levam milhares de pessoas à morte, são causadas por vírus e bactérias, que estão aí, na natureza, desde que o mundo é mundo, aterrorizando nossas vidas. Aids, febre amarela, dengue, gripe aviária, varíola (alguém lembra desta?). E um monte de gente grande sucumbindo a essas viroses, que arrasam todo o orgulho, nariz empinado e queixo pra cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cisco. Entrou, saiu, ainda bem. E me deixou a certeza de que sou nada, ou quase nada, e agradeço diariamente às tais forças superiores que tenha ficado apenas, apenas num cisco. E que perdi somente uma noite de sábado.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4553291570769498548?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4553291570769498548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4553291570769498548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4553291570769498548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4553291570769498548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/03/meu-sbado-por-um-cisco-fragilidade.html' title=''/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3430416997244119876</id><published>2008-02-18T07:41:00.000-08:00</published><updated>2008-02-18T08:15:50.123-08:00</updated><title type='text'>Vergonha de quê?</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;"Jim, how beautiful you are!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;de Nora Barnacle a James Joyce, morto, pelo visor do esquife&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher, todo mundo sabe. Mas por trás de uma grande mulher, existe o quê? Um homem pequeno? Um ego masculino domado? Amansado, sim, mas a pão-de-ló, cama, cozinha e roupa lavada, café da manhã na cama. Pequeno? Talvez. Mas, certamente, raro. Nem sempre paciente.&lt;br /&gt;"Bem, Jim está escrevendo seu livro. Vou pra cama e este homem se senta no quarto ao lado e continua rindo do que ele mesmo escreve. Então eu bato na porta e digo, Jim, olha, pára de escrever ou então pára de rir." É meia-noite, num certo apê em Zurique. Mas pelo que sei, poderia ser aqui, ao meio-dia, nesta sala apertada do Alto Leblon, e esta fala na boca do Alan, é, gente. Sim:  é duro ser Noga e Nora ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Mas quando leio Ulisses, me esqueço de tudo. Meu riso deliciado evoca o eterno riso deliciado daquele homem de outrora por trás do texto: um eco póstumo; e-terno. No que se refere à escrita, me identifico com J.J. em quase tudo. Escrevo tão bem quanto ele, mas se ele nunca tivesse escrito, eu mesma jamais escreveria. Sou arrogante como ele, detestada, ousada e iludida quanto à própria importância como ele era, bem: neste último aí digamos que eu esteja sozinha agora, porque Joyce, todo mundo sabe, transcendeu faz tempo a própria miséria em que acreditou a vida inteira ter vivido. Me entrego. Me arrebento. Escrevo cartas e artigos (meio desesperada, às vezes: desesperançada) explicando o que escrevo. Imponho ao leitor e aos críticos a jactância da minha literatura, e se recebo de volta não mais que um ostracismo descrente, não me calo em tréplica. Jamais me calo, esta é que é a verdade. Só quando canso de mim. Todo escritor faz isso, não é? E se não faz, de duas uma: ou porque não pode, ou porque não se arrisca. E se não pode e nem se arrisca não se reconhece escritor. É isso.&lt;br /&gt;Em tudo o mais, reconheço, difiro dele. Não bebo demais. Não traio. Não sacrifico a família ao meu autocentrado delírio, bem. Isso quem sabe é por não ter família. J.J. teve patronos, ou melhor, patronas: três mulheres que, por trás da insistência dele, preservaram para o futuro a impetuosidade tão (im)própria da boa literatura. Uma delas, dizem, custou a Joyce dez anos da vida dela e quase um milhão de dólares, ops, não seria o contrário? Quem doou o quê, e a quem? Bem. Hoje em dia, vocês sabem, ninguém doa nada, doa a quem doer. Ô miséria.&lt;br /&gt;Aos meus herdeiros, não deixo nenhum legado em dinheiro, nem em propriedades, nem mesmo num mero gesto de boa-vontade com o mundo. Não. Deixo apenas a minha jamais plenamente reconhecida genialidade: livros publicados, outros inéditos, todos não-lidos, poucos compreendidos, escritos esparsos acumulados. E está de bom tamanho, me acreditem.&lt;br /&gt;E quanto a este texto? Acharam difícil de encarar? Acreditar que alguém pudesse ter a si próprio em tão alta conta? Pois é. Aprendi com Joyce, faz pouco tempo. E a ninguém interessa se esta onda indomável de sou-mais-eu reflete, simplesmente, um interior em conflito — uma incurável e contagiosa mania de ser humilde —, que nega teimoso tudo isso. Vale mesmo o que está escrito. Vou ter vergonha de quê? De quem? Pra quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia online: &lt;a href="http://www.noga.blog.br/ulisses.htm" atrget="blank"&gt;Crônicas irônicas de Ulysses&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3430416997244119876?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3430416997244119876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3430416997244119876' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3430416997244119876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3430416997244119876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/02/vergonha-de-qu.html' title='Vergonha de quê?'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1519123245500545865</id><published>2008-02-10T05:41:00.001-08:00</published><updated>2008-02-10T05:41:38.135-08:00</updated><title type='text'>Nunc et in hora</title><content type='html'>Não sei não. Faz tempo que tenho sentido o maior medo de prazos e falsas esperanças do tipo "agora vai". Já vi muita gente boa sucumbir por causa disso. Mas lendo a revista do Globo neste domingo, fica difícil evitar um vigoroso "agora vai" rugindo de dentro do velho peito, gerado na mágica década de 1950 e já paralá de caído. Quando o mundo já esperava que a gente de vez desistisse, ou se aposentasse, desse vez a quem de direito, não sei não: olha nóis ai ôtra veiz. Ficou difícil.&lt;br /&gt;Me lembro de um comentário esnobe de S.Z., meu então assessor de imprensa, impressionado com minha decisão pospólen de trabalhar em casa, atitude vanguardeira que na época significava: desempregada. fodida. desamparada. Pois na Revista de hoje reportagem nobre retrata projetos de escritório doméstico para quem... decide trabalhar em casa, ô mulher posmoderna, sô. Inda que tardia.&lt;br /&gt;Inda que tardio também o renascimento de gente que fez história enquanto eu tentava fazer uma história, muitas vezes, dando uma mão a eles, ou pegando carona pela mão deles, como na expo de jóias na &lt;em&gt;late&lt;/em&gt; Mr. Maravilhoso do paugrandense Luis de Freitas, nos idos de 1987, lá se vão vintinho. Ou fazendo do Cochrane's Crocker meu então escritório noturno, ah, tá bom: todo mundo que freqüentava aquele bar vinha com essa entre um uísque e outro, e curioso ou não, coincidência ou não, andei escrevendo sobre o Crocker's Cochrane's &lt;a href="http://www.noga.blog.br/2008/02/bloom-o-filme.htm" target="blank"&gt;ontem mesmo&lt;/a&gt;, a lembrança avivada pela visita do Dr. João* — a.k.a. barman Johnny — aqui em casa, quando falamos do "falecido De Gang", é sério: houve quem pensasse (&lt;a href="http://www.noga.blog.br/2007/03/tarde-demais.htm" target="blank"&gt;não eu&lt;/a&gt;) que ele houvesse morrido.&lt;br /&gt;Enfim. Lá vou eu de novo tentando a minha casquinha na lasquinha tardia de notoriedade que espicaça meus companheiros da então estrada, ou, pelo menos, meus contemporâneos na falta almejada de fama. Vai chegando a nossa vez tardia no bloco pós-carnavalesco "A Fila Anda". AFE.&lt;br /&gt;Vocês eu não sei, mas tenho me sentido cheia de energia. Isso porque, provavelmente, depois de anos funcionando com dois cérebros disfuncionais — o de mamãe senil e o meu — finalmente substituí um deles por um mais produtivo, canalizando mensagens literais de &lt;a href="http://www.noga.blog.br/labels/ulisses.htm" target="blank"&gt;James Joyce&lt;/a&gt;, eita centro de mesa bom esse!, quer dizer, centro espírita de mesa, daqueles que Joyce tão jocosamente descreve no Ulisses, ao transmitir mensagens de mortos sobre sapatos perdidos: pra levantar moral de escritor fracassado não tem encosto melhor, fala sério. Mesmo que o texto psicografado fique a anos-luz do original canalizado, dá assim, digamos, uma pontinha de esperança. Um gosto amargo e doce de ilusão porética à la Stephen Dedalus: "E minha vez? Quando?"&lt;br /&gt;Pois é, gente. Junto com essa meia dúzia de três ou quatro que anda tentando se levantar dos mortos consta essa que vos fala, antiga designer, antiga metida, antiga vanguardinha do Brasil hoje metida a escritora, é, gente: antes fosse namoradinha, mas como se diz... nunca é tarde para...&lt;br /&gt;Nem que seja na hora da morte, é, tradução literal da oração latina aí de cima, puro equívoco católico apostólico que eu pensei que dizia: antes tarde do que nunca, ah, bom: &lt;em&gt;nunc&lt;/em&gt; em latim quer dizer "agora": antes agora do que nunca, não é mesmo? Ops: na hora da morte amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* atual doutorando em cinema pela Sorbonne, que fique bem claro: tem gente que consegue &lt;em&gt;meesmo&lt;/em&gt; dar a volta por cima&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1519123245500545865?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1519123245500545865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1519123245500545865' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1519123245500545865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1519123245500545865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/02/nunc-et-in-hora.html' title='&lt;em&gt;Nunc et in hora&lt;/em&gt;'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5454315345034150256</id><published>2008-02-05T05:59:00.000-08:00</published><updated>2008-02-05T06:00:08.428-08:00</updated><title type='text'>O paraíso é uma droga</title><content type='html'>Minha tia octogenária, tadinha, avessa a médicos desde criancinha, amanheceu no outro dia doentinha: não deu mais pra escapar deles. Convocado, o doutor respondeu ao chamado com um coquetel formado de sete pilula(s?)zinhas de cores sortidas, entre elas o famoso e inevitável antidepressivo. &lt;br /&gt;Por um lado aplaudi: titia anda mesmo muito deprimida. Mas, por outro, me preocupei. O tal do remédio tinha feito parte do repertório inicial de drogas que fez bom coro à ruina humana em que mamãe se transformou, tadinha, e acabei desistindo dele: um bom e eficiente provocador de pesadelos. &lt;br /&gt;Tudo isso teria acabado por aí, fala sério, relegado a assunto irrelevante por esta que vos fala e que prefere se atirar do edifício a botar pra dentro do cérebro um antidepressivo. Mesmo assim sei sim, sei mais ou menos do que estou falando, desde que fui nomeada curadora única e absoluta das receitas controladas da família. Outro dia, na drogaria, a vendedora se espantou com o volume delas que apresentei, é, minha filha, é duro controlar a doença (mental) alheia, é sim. &lt;br /&gt;Mas tudo isso teria acabado por aí, fala sério, se não tivesse seguido por um papo onskype com uma jovem brasileira de nossa boa família, bem criada, bem casada e bem nutrida e mãe de bons filhos, que confessou frente ao contra-entusiasmo da tia que ela mesma consumia o tal remédio há mais de três anos. Espanto. Perplexa. Já tinha ouvido isso antes, me entendam, de ex-marido cavalarmente insensível, como é que você, uma moça normal, de boa família, bem criada e bem nutrida e mãe de filho nenhum tem tantos problemas? Vive tão deprimida? Pois é: me revoltei. Me revoltei e me enfiei por anos na terapia, mas mesmo correndo o risco de parecer antiquada, não boto nem morta pra dentro do cérebro um antidepressivo. Prefiro me atirar do edifício, e de um jeito ou de outro, não acredito mesmo no paraíso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5454315345034150256?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5454315345034150256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5454315345034150256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5454315345034150256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5454315345034150256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/02/o-paraso-uma-droga.html' title='O paraíso é uma droga'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2367381867460668214</id><published>2008-01-29T10:05:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T10:06:47.400-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"São as convenções de &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;uma sociedade hipócrita"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era criança, minha mãe me ensinou que, por educação, devemos oferecer o que estamos comendo a quem está por perto. Esta é uma daquelas antigas lições de bom comportamento, que faziam nossos pais se incharem de orgulho de nós, filhos muito bem educados: Quando for a casa dos outros, não aceite nada. Se aceitar, não repita. Quando acabar os parabéns, não avance na mesa de doces. Não coma bolo duas vezes. Ofereça o biscoito, meu amor. Tá no finalzinho, quer um pedaço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga do trabalho chama a isso de “convenções de uma sociedade hipócrita”. Ela mesma passou por uma situação extremamente desagradável na infância, em conseqüência do excesso de educação de sua mãe. “Ofereça o picolé, minha filha!” E ela, obediente, e muito educada, estendeu o picolé recém aberto à amiga da mãe que, nada educada, além de aceitar ainda o lambeu por todos os lados. Minha amiga, claro, não aceitou o picolé de volta. Deixou-o e comprou outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venhamos e convenhamos. Nem tudo o que se come se oferece. Como fazer isso com fruta, chocolate, sorvete, salgadinho, picolé, o último ou único biscoito do pacote, qualquer bebida que se bebe em copo ou diretamente na garrafa ou latinha? Sinceramente, não dá. Em alguns casos chega a ser uma maldade. Lembro que quando estava grávida, uma colega me mostrou um pacotinho de papel, me oferecendo cocada. Eu adooooro cocada! Peguei o saquinho, ávida, e quando olhei dentro só havia uma, pequenininha, lá no fundo. Porquê ela ofereceu? Confesso que nesses casos não ofereço. Prefiro ser chamada de mal educada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, educação comportamental é algo bastante discutível. Mamãe e papai nos passam esses ensinamentos que quando adultos descobrimos não servirem para muita coisa. Por outro lado, há algumas orientações básicas, que deveriam ser dadas em casa, desde muito cedo e, pelo que vejo por aí, não é bem assim que acontece. Ou então a maioria das pessoas desobedece pai e mãe. O que dizer, por exemplo, de um cartaz num banheiro feminino onde se lê: “Favor não jogar papel no chão.”? Aprendi em casa, muitos anos atrás (nem tantos) que não se joga papel no chão, em nenhum lugar. Sinceramente (de novo) não consigo conceber tal solicitação. É muito lógico que não se jogue papel em outro local senão o cesto de lixo. Portanto, é no mínimo vergonhoso que se necessite de um cartaz pedindo para mulheres adultas, que freqüentaram escola, que vivem em área urbana não dispensarem seus papéis higiênicos usados no piso do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece chocante dito assim, mas é a mais pura realidade. Quem já não viu um cartazinho desses em banheiro de restaurante, de bar e até mesmo de faculdade? Pior é quando há uma lista de solicitações, tipo: não jogue absorvente dentro do vaso sanitário, dê descarga após o uso, feche a torneira, apague a luz ao sair, mantenha esse local limpo. Sinto vergonha alheia quando vejo, só de pensar que alguém que não respeite regrinhas básicas de educação. Fico paralisada em imaginar uma mulher dispensando um absorvente dentro do vaso; pior ainda é imaginar a servente que vai recolhê-lo depois. Uma desconsideração com o semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vamos direto para a mídia, que todo dia despeja na cara da gente o aquecimento global, as necessidades urgentes de fazer alguma coisa pelo planeta, que cada um deve fazer a sua parte, dicas para você mudar seus hábitos no dia-a-dia. Diariamente os Bonners, Fátimas, Sandras, Nascimentos, Mônicas, PHs e outros tantos denunciam o alto percentual de desmatamento na Amazônia, os índices alarmantes de poluição em países como Estados Unidos e Índia, a água que está acabando. Como é que esse tipo de informação entra na cabeça de alguém que, naturalmente, joga seu papel higiênico usado no chão? Que fuma dentro do banheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses, na escola do meu filho, um garoto de cerca de dez anos saiu da cantina com uma bala na mão. Foi caminhando em direção à quadra de esportes, ao mesmo tempo em que a desembrulhava. Tirou-a, meteu-a na boca e atirou o papel para cima, deixando-o cair devagar. Ficou olhando a cena até o papel repousar no chão, virou as costas e seguiu em frente. Fiquei curiosa em saber se a mãe daquele menino o obriga a oferecer o que está comendo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2367381867460668214?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2367381867460668214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2367381867460668214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2367381867460668214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2367381867460668214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/01/so-as-convenes-de-uma-sociedade.html' title=''/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5207219084182706526</id><published>2008-01-23T11:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T03:07:13.555-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_k0ZnL2DpwYQ/R5eZ7j49v6I/AAAAAAAAAAM/WntaT99axrM/s1600-h/vw+-+baixa.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_k0ZnL2DpwYQ/R5eZ7j49v6I/AAAAAAAAAAM/WntaT99axrM/s320/vw+-+baixa.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158761146701692834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5207219084182706526?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5207219084182706526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5207219084182706526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5207219084182706526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5207219084182706526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/01/blog-post_23.html' title=''/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_k0ZnL2DpwYQ/R5eZ7j49v6I/AAAAAAAAAAM/WntaT99axrM/s72-c/vw+-+baixa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-6773058016309728484</id><published>2008-01-23T11:38:00.000-08:00</published><updated>2008-01-23T11:42:03.515-08:00</updated><title type='text'>cabaré</title><content type='html'>Pensando em cabaret botou sapatos de tira pelo peito do pe e saia levemente rodada na ponta. Porque deveria rodar, rodar, rodar, rodar, rodar ate que cambaleante pudesse voltar. Rodar é um meio de trazer a consciência possível entre outros efeitos do salão – torcer um pé, arrumar um par sem valsa, ficar na cadeira, se entorpecer da luz. Trazendo aos poucos o rebolado pra festa que, dormiu um tempo, mas sempre esteve ali, caldalosa ocupando um certo reguinho do peito que a qualquer nota menos estridente romperia da mais pura alegria. Moça de baile dá no pé antes, garantindo o gosto de confete fresco no travesseiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-6773058016309728484?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/6773058016309728484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=6773058016309728484' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6773058016309728484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6773058016309728484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/01/cabar.html' title='cabaré'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-100309349708879007</id><published>2008-01-23T10:13:00.000-08:00</published><updated>2008-04-06T09:11:17.242-07:00</updated><title type='text'>O Rio Tá Bombando, Meu Brother!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);"&gt;De Simone Silveira Kaplan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma viagem ao Brasil e me dou conta o quanto o carioca é inventivo no que diz respeito à linguagem. A gíria está no ar, a gente respira sem opção e logo, bumba! Lá vem ela, toda cheia de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vai bombar, Simone. O Ano Novo vai bombar,” meu querido companheiro literário Bruno Vaks afirma entusiasmado, entre uma garfada do cabrito bem assado no Nova Capela, restaurante cheio charme no coração da Lapa, e uma golada no chope estupidamente gelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu por outro lado, entre tantas gírias passageiras que tento aprender às pressas para não ficar demode, Desta vez assumi a cafonice. Já aderi ao “ninguém merece”, ao “tá de brincadeira”, mas ao “bombar…” Sei não, soa à violência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite seguinte, resolvo ir balançar o esqueleto lá no Carioca da Gema, outro “point” legal da Lapa. Um amigo, possivelmente entediado, sugere a Quadra de Samba da Mangueira. “Uma e trinta da manhã, Já deve está bombando por lá, está afim?” diz ele. Claramente não estava pois não movi um dedo em direção à Estação Primeira. Além do mais, a cantora do Carioca começava os primeiros acordes de “Roda Viva,” do Chico Buarque. Arrastei a saia, gritei o hino e até me dei conta, espremida entre tantos corpos suados que a música fizera meus pêlos se arrepiarem. “Ô coisa boa,” pensei, “ainda sou brasileira da gema. Daqui ninguém me tira!”, declarei triunfante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rio ignorado pelas autoridades máximas do Brasil. Rio vomitando violência que já não habita só as favelas com suas ruas nuas, população sem lenço e sem documento. O sol é tão bonito e ainda se reparte em crimes já banalizados pela ocorrência cotidiana, agora no morro e fora dele. O Rio é um só, o povo também. Quando a violência vira moda, é hora de parar e se perguntar— Que país é este? E agir.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-100309349708879007?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/100309349708879007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=100309349708879007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/100309349708879007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/100309349708879007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/01/menos-bombas-mais-amor.html' title='O Rio Tá Bombando, Meu Brother!'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4600857670638870781</id><published>2008-01-18T08:02:00.000-08:00</published><updated>2008-01-18T08:03:41.394-08:00</updated><title type='text'>e no meio dos desvãos das possibilidades</title><content type='html'>aconteceu de novo, amor. eu vinha aflita, elétrica, aos prantos, o mundo girando aqui dentro num desenfreado absurdo. eu só pensava na chuva que não cai e por isso não encharca minha pele. o sol indo embora na avenida que divide os perímetros duma cidade e no meio dos desvãos das possibilidades eu sou apenas mais um corpo estendido ao solo.&lt;br /&gt;as cilindradas da moto alcançam a absurda velocidade de frear meus pensamentos. acertada em cheio na perna e na pele, os fragmentos estilhaçados da pseudo-construção de um ser-alicerce: tudo ao chão.&lt;br /&gt;estancou a moto, disparou o sangue. o arroxeado na perna direita, as mãos em carne-viva e a menina de água-viva deixa-se ferir por nada.&lt;br /&gt;levanta do solo, pés andantes na flutuação estelar. uma hora cicatriza, eu sei. respiro fundo e caminho outro passo. &lt;strong&gt;ainda preciso atravessar a avenida e te encontrar, amor.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4600857670638870781?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4600857670638870781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4600857670638870781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4600857670638870781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4600857670638870781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/01/e-no-meio-dos-desvos-das-possibilidades.html' title='e no meio dos desvãos das possibilidades'/><author><name>Uma conversa e muitos laços</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09687678465496120309</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://4.bp.blogspot.com/_0GxxAvOUgIc/TPaZ61zIYOI/AAAAAAAARlc/wwE4uggwOuc/S220/camisa_estampa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2521078157930411244</id><published>2008-01-14T14:44:00.000-08:00</published><updated>2008-01-14T14:47:06.481-08:00</updated><title type='text'>O ano do Sim</title><content type='html'>Não gosto de barulho. Nem de ruídos incômodos. Amigos mais próximos chamam a isso de idade avançada. Pode ser, mas há tipos de sons que sinceramente me fazem mal. Buzina nervosa e insistente; televisão alta na casa do vizinho de madrugada; funk e pagode em qualquer situação; água pingando; choro de criança fazendo pirraça; conversa em ônibus; telefone que toca quando estou trabalhando. Argh! Tudo isso me tira do sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E diante de tanta coisa desagradável que se ouve no dia-a-dia, enfim a salvação. Meus ouvidos se sentiram plenos de felicidade ao conhecer o CD &lt;em&gt;Sim&lt;/em&gt;, de Vanessa da Mata. Sim, simplesmente irreparável. 2007 pra mim foi embalado por essa voz melódica, suave, delicada, porém vibrante, num disco que marcou definitivamente a carreira dessa mato-grossense que aos 15 anos já cantava em bares de Uberlândia, em Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci no início do ano a música “Boa Sorte/Good Luck” – num vídeo clip exibido pelo Fantástico. Nela, Vanessa canta com Ben Harper o fim de uma relação regada a expectativas desleais. Admiradora de Vanessa desde o primeiro CD, lançado em 2002, curti muito o samba “Não me deixe só”, que virou hit nas pistas de dança, após uma remixagem de Ramilson Maia. Não esperava menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vanessa da Mata chegou ao topo devagar, mas sem rodeios. Disse logo a que veio quando conheceu Chico César, em 1997, e com ele compôs “A força que nunca seca”, sucesso na voz de Maria Bethânia. Depois disso, teve várias outras composições gravadas, até estar pronta para encarar a carreira solo. Ainda bem que não demorou. Fazem muito bem aos ouvidos e para a cultura brasileira essas descobertas de talentos tão raros em tempos de música comercial, fabricada para fazer muito barulho e rebolar bundas país afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim é uma produção super madura. Assinado por Mário Caldato e Kassin, foi gravado entre a Jamaica e o Brasil. Das 13 faixas, cinco tem a participação de Sly &amp;amp; Robbie, dois ícones da música jamaicana. Além de Ben Harper na faixa “Boa sorte”, conta também com as participações ilustres de João Donato, Wilson das Neves, Don Chacal e uma turma de gente jovem muito boa, como o baterista Pupillo (Nação Zumbi) e os guitarristas Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Pedro Sá e Davi Moraes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevo ouço a faixa “Meu Deus”. Não é por nada, mas penso que somente uma mulher conseguiria compor algo com esse sentido. &lt;em&gt;Um homem bonito assim/O que quer de mim/O que ele fará comigo/(...)/Meu Deus!/ Ave Maria!/ Se ele não é um dos seus/Ninguém mais seria&lt;/em&gt;. Só ouvindo, de preferência sozinha e com o volume bem alto, é possível sentir nota a nota, verso a verso, o que diz a alma feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já “Você vai me destruir” lembra os bolerões eternizados por Ângela Maria. Aqueles que cantam histórias de amor mal acabadas e muito, muito sofridas. &lt;em&gt;Está acabando o amor/Você ainda não veio/Não disse não ligou/Se vem viver comigo/(...)/Você vai me destruir/Como uma faca cortando as etapas/Furando ao redor/Me indignando me enchendo de tédio/Roubando meu ar/Me deixa só e depois não consegue/Não me satisfaz&lt;/em&gt;. Os que consideram o estilo Ângela brega, taí a Vanessa cantando a mesma dor de cotovelo, com uma roupagem moderníssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os versos mais marcantes de todas as composições de Vanessa nesse CD, pra mim, foi &lt;em&gt;Tudo o que quer de mim/Irreais expectativas desleais&lt;/em&gt;. O que na música trata-se do fim de uma relação, no meu dia-a-dia e no de muita gente pode ser coisa pra lá de comum. É só pensar um pouquinho e a gente percebe um monte de conviventes cheios de expectativas desleais a nossa volta. Pensa aí. É da vida, é rotineiro, e ninguém nunca cantou, não como Vanessa da Mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, corre 2008 e estou aqui falando do já longínquo 2007. Sabe porquê? Esperança de que nos próximos 12 meses muitas outras Vanessas sejam descobertas nesse cenário enorme, nesse Brasil cheio de talentos sufocados ou escondidos pela música fabricada apenas para vender &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;barulho em mega shows mega produzidos. Vanessa, &lt;em&gt;Sim&lt;/em&gt;, faz bem aos ouvidos. &lt;em&gt;Sim&lt;/em&gt;plesmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2521078157930411244?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2521078157930411244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2521078157930411244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2521078157930411244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2521078157930411244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/01/o-ano-do-sim.html' title='O ano do Sim'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-902220472990827776</id><published>2008-01-07T08:22:00.000-08:00</published><updated>2008-01-07T08:32:33.126-08:00</updated><title type='text'>Descacetamento de cabeça</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;???????&lt;br /&gt;Não entendeu? Pois é isso mesmo. Descacetamento. Não está no Aurélio e nem em qualquer outro dicionário, por enquanto. A expressão já existe e tem sido largamente utilizada por ... uma pessoa. Mais precisamente uma professora. Agora você deve estar achando tudo isso ainda mais esquisito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando falar sério, ouvi essa expressão poucos dias atrás e desde então decidi que escreveria a respeito. Na primeira vez ri muito, principalmente porque a única pessoa que usa essa expressão é meio assim... descacetada da cabeça. Logo em seguida começaram a me chegar na lembrança dezenas de pessoas que conheço e que têm a cabeça descacetada e achei que isso poderia nem ser tão engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que um conhecido mata filhotes de gatos a pauladas; gente que ainda continua vendendo a alma ao diabo para se dar bem na vida; mulheres que freqüentam o banheiro da empresa e não se dão ao trabalho de trocar o rolo de papel higiênico; vereador eleito com o voto do povo e que vai trabalhar fora da cidade; gente que ainda joga lixo em rio; vizinho que toma conta da vida do outro; casamento em igreja e com festa em grande estilo, só para dar satisfação aos amigos e parentes; o ex-marido de uma amiga vai se casar pela quinta vez (minha amiga foi a quarta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também passaram por mim pessoas que nos dias de hoje ainda acreditam que aparecer é tudo na vida, aparecem demais, se tornam chatas, delicadas e educadas de menos e, portanto, indesejadas. Aparecem sempre nas fotos ao lado de celebridades, conhecem todos os famosos e até mentem para garantir essas 'amizades', estão em todos os eventos da alta sociedade (minha cidade tem isso?). Também houve as que eu consideraria realmente descacetadas da cabeça ou piradas, triloucas. Falam e depois dizem que não falaram; fazem e em seguida juram de pés juntos que não fizeram. Prometem e logo sofrem uma amnésia repentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do jeito que as coisas andaram corridas pra mim nos últimos dias do ano, acabei por me incluir entre elas. Andei, sim, e ainda ando descacetada da cabeça. Me atolei em atividades, mesmo sabendo que não ia dar conta, mas preferi arriscar. Resultado: cheguei ao final do ano com problemas na coluna, uma sinusite aguda em pleno início de verão e até um pico de pressão alta me pegou de surpresa. Se tanta costura, como costumam dizer, já me deixariam naturalmente descacetada da cabeça, imagine com esse monte de doença sintomatizada junta. Cruz credo! Isso descaceta a cabeça de qualquer indivíduo física e mentalmente são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao fim de dezembro com aquela sensação comum a todo ser humano: querendo que o ano terminasse logo para renovar as energias e as esperanças. Parece piegas? É, parece, mas é assim que todo mundo se sente. Cansado. Do trabalho, da faculdade, dos amigos, dos pouco afetos, dos maridos, das esposas, do chefe, da mãe, do vizinho, do carro velho, dos (des)governos, da falta de grana que está ali, doendo no bolso, ano após ano. “Espero que mude no ano que vem”, torcemos, num processo natural de auto-motivação para fugir do descacetamento de cabeça que nos acomete no décimo segundo mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o ano terminou, me liberei dos inúmeros compromissos de trabalho, festas de confraternização entre amigos, colegas e família, desde as mais leves e descompromissadas às chatíssimas. Nos momentos finais tive o Réveillon que precisava. Cercada de amor, de amizade, que me proporcionaram momentos de paz, sossego, pouca gente, sem aquela musiquinha infernal nos ouvidos (“Adeus ano veelhooo!”) e um monte de gente em volta dando banho de champanhe em todo mundo. Valeu. Foi um encontro perfeito para descacetar a cabeça, pelo menos para iniciar o novo ano mais leve, com o HD reorganizado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-902220472990827776?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/902220472990827776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=902220472990827776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/902220472990827776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/902220472990827776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2008/01/blog-post.html' title='Descacetamento de cabeça'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8594566426852412994</id><published>2007-12-31T09:39:00.001-08:00</published><updated>2007-12-31T09:39:50.584-08:00</updated><title type='text'>(des)Encanto</title><content type='html'>É bastante triste o &lt;a href="http://proparoxitonas.blogspot.com/2007/12/resolues.html" target="blank"&gt;conto de ano novo publicado pela Bia&lt;/a&gt;. Eu entendo. A única resposta possível de uma mente que pensa e cria — nesta época do ano em que as impositivas regras emocionais vêm de enxurrada, pra te empurrar pro ruído geral estabelecido — é o desconforto. Desencanto. Desilusão. Mas meu vazio neste trinta e um eu confesso a vocês: é de outra natureza.&lt;br /&gt;Meu vazio é o de quem acredita já ter feito o seu melhor. Queria ter um amor? Já tem um. Queria um orgasmo incrível a dois? Já teve mais de um. Queria escrever um bom livro? Já escreveu um. Não vislumbro de jeito nenhum a chance de encontrar um amor mais forte, mais ousado, mais apaixonado. Meu salto quântico tão ansiado? Já dei. Um livro mais bem escrito, sinceramente, é até possível. Mas provável, não é. Depois daquele tema intensamente vivido, vívido e colorido, qualquer perspectiva soa meio sem graça, lista de palavras ordenadas com gosto gasto de rotina. Já não espero mais. Já não espero nada mais.&lt;br /&gt;Tudo o que eu queria agora era poder relaxar no bojo nem sempre suave deste encontro sagrado. Eu desejava ser capaz de amar. E fui. Sou. Por outro lado fui forçada a aceitar que aquela intensidade toda dá lugar a um fogo morno, do tipo que aquece mas sem chamuscar: um prato no ponto. No ponto e na mesa do almoço, nunca na ceia louca do imprevisto, varando alcoólica a madrugada e resultando sempre em dolorosa ressaca.&lt;br /&gt;O sono é tranqüilo e já sem grandes sobressaltos, e isso é tudo de bom. Seria. Não fosse o vício eterno da intensidade, o gelo do improvável percorrendo a espinha num breve arrepio. O melhor de um amor talvez seja ansiar por ele, pela roleta russa que, claro, acaba no tiro fatal. Bum. Derrubada pelo grande amor.&lt;br /&gt;Por outro lado às vezes eu penso que se de todos os outros lados eu estivesse bem, sem a dor da mãe doente e com a matéria assegurada, o teto garantido, não sei, gente. Eu estaria muito bem. Não ia querer mais nada e iria com gosto pro mato criar galinha, capinar erva-daninha. E já nem lembraria do desconforto, do desencanto, da desilusão. E nem de desejos de ano novo.&lt;br /&gt;O que me mata não é falta de encanto; é falta de dinheiro mesmo, ou melhor, da segurança vitalícia de um bom dinheiro, coisa que francamente, até tem preço, mas valor que é bom não tem nenhum. Valor mesmo tem o amor, e o orgulho que a gente sente de um trabalho bem-feito. O resto é a ilusão social em que estamos todos mergulhados e que só dá um refresco na procura de um amor, quem sabe de um trabalho bem-feito. E de uma casa maior, de um computador melhor, de um celular mais moderno, de um carro novo, de uma viagem por ano, um vestido novo , um sapato novo, um filme inédito na tevê, uma audiência cada vez maior, um prêmio literário, um filho bem-casado e arranjado na vida, saúde, boa-forma, eterna juventude, uau. Paz no mundo. Segurança na rua. No Rio.&lt;br /&gt;Não admira o nosso eterno descontentamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8594566426852412994?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8594566426852412994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8594566426852412994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8594566426852412994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8594566426852412994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/desencanto.html' title='(des)Encanto'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3163775812890733471</id><published>2007-12-25T19:04:00.000-08:00</published><updated>2007-12-25T19:06:01.541-08:00</updated><title type='text'>Acabou o Natal e o que você fez?</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Noite de 25 de dezembro. Ou melhor, primeiros minutos do dia 26.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o Natal, o grande encontro na noite do dia 24, muita gente, falação, cantorias, comilança desenfreada, fofocas em família, noite de sono que começa às 6h da manhã e um dia inteiro de ressaca, não de efeito de bebida alóólica, mas de dias de expectativa infundada para uma noite e um dia que, a meu ver, não deveria ter metade dessa agitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos mais de um mês eperando por uma festa que não é festa. Vivemos dias de loucura nas ruas, trânsito estúpido, lojas entupidas, congestionamento nos terminais de cartão de crédito, supermercados lotados. Compras, compras, compras e a espera pela grande noite. Como uma noiva às vésperas do casamento, um músico que prepara sua estréia num novo e grandiso show, como uma criança que aguarda ansiosamente por sua festa de aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, para a maioria das pessoas é Natal. Para mim, é uma distorção de valores. Eu pergunto: quem é que lembrou do aniversariante do dia? Quem parou para um minuto de meditação? Qual foi o ser que interrompeu seus festejos por instantes e reviu sua vida em família e entre amigos para repensar sua própria vida em meio a seus semelhantes? Quem se propôs uma mínima renovação interior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então é Natal, e que você fez?" A cantora é brega, mas o verso é ótimo para o momento. O que você fez? O que eu fiz? Ou deixei de fazer? Me encontrei com a família, participei daquela ceia exagerada, bebi, presenteei e fui presenteada. Voltei para casa e dormi. Passei o dia cansada e aqui estou, pronta para dormir de novo e continuar tocando a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o Natal e aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardei os presentes, as roupas novas do meu filho, fiz almoço (ou quase isso), me despedi do namorado no portão, como em qualquer dia do ano. Até aproveitei o sol, que andou sumido por uns dias, para lavar roupa. Sentei diante do computador para pagar uma conta, ver emails, coisa e tal. Um dia comum. Afinal, acabou o Natal, portanto é vida que segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E segue mesmo, igualzinha a todos os dias do ano. Acho que por isso dá essa sensação de vazio depois. Fica tudo meio triste, embaçado, como numa quarta-feira de cinzas. O corpo está cansado, as emoções bagunçadas e a alma pedindo uma pausa. Agora sim, que passou a refrega, aproveito a solidão para pensar, recolocar minhas idéias, rever minha vida e minhas relações. Sou humana como todo mundo e no meio de tanta tensão que envolve o Natal (não deveria ser assim, né?) é impossível ser a única a atrapalhar a festa e pedir uma paradinha pra pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço isso agora, escrevendo. É minha forma de expressão. Aqui deixo tudo o que sei, que sinto, penso, prevejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o Natal. E agora?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3163775812890733471?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3163775812890733471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3163775812890733471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3163775812890733471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3163775812890733471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/acabou-o-natal-e-o-que-voc-fez.html' title='Acabou o Natal e o que você fez?'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8057474377162277302</id><published>2007-12-22T05:37:00.000-08:00</published><updated>2007-12-22T05:40:34.019-08:00</updated><title type='text'>Distantes II</title><content type='html'>Minha vizinha deu à luz esses dias. Como previ, fiquei sabendo por acaso, ao escutar o choro do bebê de madrugada. Para quem não se lembra ou não faz a mínima idéia do que estou falando, escrevi há pouco tempo sobre a distância que tomamos de pessoas próximas, nesses tempos de corre-corre atrás do cumprimento de inúmeros compromissos. E um dos exemplos foi a gravidez da minha vizinha, com quem divido parede, que descobri quando ela já estava aos seis meses de gestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, aconteceu. Numa madrugada dessa semana, após fechar a casa e deitar para tentar dormir, escutei, bem baixinho do outro lado da parede, aquele choro frágil de bebê recém-nascido. Sentei na cama e fiquei extasiada com a notícia. “Que lindo, ela ganhou neném!” A sensação foi a mesma de estar sendo comunicada por alguém. Me afundei novamente nos travesseiros e peguei no sono feliz pela mais nova mamãe das minhas relações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que relação estranha. Não só com a minha vizinha, mas com muitas outras pessoas com quem até tenho amizades duradouras, mas com pouquíssimo contato. E por isso estou novamente a falar sobre comportamentos esquisitos os quais acabamos por considerá-los corriqueiros. Afinal, quem está livre desse tipo de ‘convivência’ atualmente? Eu e minha vizinha entramos e saímos de casa e praticamente não nos vemos. Em nove meses de gravidez eu a encontrei duas vezes! E acho tão normal essa relação que fico feliz, mesmo sendo noticiada do nascimento do bebê às duas da manhã pela parede do meu quarto e quase comemoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vésperas do Natal recebo um email de uma amiga que não vejo há muito tempo. Quando nos falamos é pela internet, mas mesmo por esse meio já não nos encontramos faz meses. Em menos de dez linhas ela contou tanta novidade que fiquei até sem fôlego diante da tela do computador e uma das notícias me reportou ao caso da minha vizinha e seu bebê. A filha da minha amiga está grávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caramba! Esta foi a primeira palavra da minha resposta. A notícia misturou saudade, com uma ponta de tristeza pela nossa distância, as memórias de tempos que atuamos juntas em trabalho assistencial comunitário e, principalmente, a lembrança da filha ainda criança, me chamando de tia. Agora, mulher, espera um filho e provavelmente não verei esta gravidez. Com certeza vou curti-la de longe, recebendo informações sobre a gestação por email. Mesmo assim é ainda melhor que a minha relação com minha vizinha de parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em época de Natal ficam muito mais gritantes essas distâncias. Será que alguém ainda presta a atenção nisso? Houve tempos em que no início de dezembro as caixas de correio já ficavam abarrotadas de cartões de felicitações natalinas. Hoje em dia, alguns poucos chegam por email e normalmente são spams de empresas que apenas cumprem sua programação de marketing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao bebê da minha vizinha, espero o dia em que nos encontraremos por acaso, chegando ou saindo de casa. Assim poderei conhecer a criança e até confirmar se o bebê é realmente uma menina, como ouvi numa manhã dessas para, quem sabe, providenciar um presente. Difícil saber quando vamos nos esbarrar.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8057474377162277302?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8057474377162277302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8057474377162277302' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8057474377162277302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8057474377162277302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/distantes-ii.html' title='Distantes II'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-7371801570346704023</id><published>2007-12-21T06:18:00.001-08:00</published><updated>2007-12-21T06:18:30.600-08:00</updated><title type='text'>Tudo azul no ano que vem</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="center"&gt;foto original publicada no NY Times em 20 dez&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.noga.blog.br/uploaded_images/blue-780324.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;"Talvez você nem saiba", &lt;a href="http://www.nytimes.com/2007/12/20/fashion/20COLOR.html?em&amp;ex=1198386000&amp;en=6e3bf2389a492881&amp;ei=5087%0A" target="blank"&gt;afirma o NY Times&lt;/a&gt;. "Mas a cor do ano foi o vermelho pimenta ardido." Faz sentido. Afinal de contas, neste nosso ano sem graça de 2007 não faltou sabor, nem fogo, nem lágrimas, mas, ops, melhor entrar logo num acordo: foi mesmo um ano sem graça, ou um ano pra lá de agitado, ardido como pimenta? Sim. Deixemos assim. Porque aquele outro trocadilho que nos vem à mente, mais condizente com alguns dos fatos... vocês sabem, não convém a gente repetir: dizem por aí que atrai. &lt;br /&gt;Foi um ano ruim para as artes. Ou pelo menos, é o que diz o jornal, promovendo o encontro final da &lt;a href="http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/12/20/327698734.asp" target="blank"&gt;arte com a violência&lt;/a&gt;. Pra alguma coisa valeu: só assim a cultura, enfim, ganha uma primeira página.&lt;br /&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 10px 10px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://oglobo.globo.com/fotos/2007/12/20/20_MVB_sp_picasso.jpg" border="0" /&gt;Desconfio que este roubo foi um golpe publicitário. É, gente. Levaram a tela azul de Picasso porque, francamente, não estava combinando nem um pouco com o tom oficial do ano; ou então pra chamar a atenção, sei lá, para a falta que a arte nos faz. Vocês não acham que o olhar de esguelha, o lábio num muxoxo, transmite, assim, um certo nojo? Um convite ao despertar para o que realmente interessa? Pra nos tirar do vazio? Da mesmice? Da desesperança? E o Lavrador de Portinari? Será um protesto definitivo contra a transposição do São Francisco? Um derradeiro grito contra a exploração do trabalhador? Pensando bem, a arte não se conforma com este papel insignificante a que vem sendo relegada, fala sério. Seu destino é ser atuante, eficaz, um antídoto contra o blablablá generalizado. Seu talento é provocar o debate, a consciência. Mesmo que não entenda nada de política. Nem de economia. Triste é precisar de um ladrão, ou de um tiro, pra nos mostrar isso.&lt;br /&gt;Mas peraí: resta sim, alguma luz. E ela nos chega, pasmem, pelas mãos do mesmo mercado que costuma tirá-la de nós, sei lá, só pra incentivar o consumo: o azul foi declarado a cor do ano de 2008. "A escolha do azul", diz a responsável pela novidade, "responde a várias necessidades, desejos, esperanças, este tipo de coisa." Oba. "Emocionalmente é calmante, meditativa, com um toque de magia", disse ela, deixando de fora o Partido Democrata. O perigo é que o azul, vocês sabem: em inglês significa triste, deprimido, desanimado, o oposto exato da energia explosiva de um vermelho. Ainda bem que em português não tem nada disso, melhor deixar isso de lado, optar pelo lado bom. Ou a gente ainda acaba roxo. Sufocando de tanta raiva.&lt;br /&gt;Que a doçura relaxante do blues — meio triste, tá certo, mas bem mais gostoso que barulho de tiroteio — embale o seu ano novo. Tudo azul. Certo. Recado entendido. Agora vem cá: dá pra entrar num acordo e devolver nossa arte roubada?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-7371801570346704023?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/7371801570346704023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=7371801570346704023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7371801570346704023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7371801570346704023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/tudo-azul-no-ano-que-vem.html' title='Tudo azul no ano que vem'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-7973249788180396224</id><published>2007-12-16T12:47:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T12:51:32.664-08:00</updated><title type='text'>E viva a Bahia!</title><content type='html'>Ando meio desaparecida do Crônicos. Resolvi voltar com essa crônica que, certa vez, escrevi, mas para poucos mostrei. Acho que é a proximidade das férias e da saudosa Bahia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Me vê 3 desse aí&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador, Bahia. Terra de sol, praia, água de coco e do povo manso. Do pelourinho, do farol, das baianas e seus acarajés quentes. Aliás, quente não é só a comida ou a temperatura indicativa de que estamos mais próximos ao equador. Quentes são as baianas e seu gingado. Felizes e com um papo que une esperteza, o manso e o gingado, os baianos também tentam ganhar a vida. Não rebolam ou usam longas saias brancas. Mas protagonizam momentos inesquecíveis, engraçados e, diríamos, de uma sinceridade singular. Para o feijão de cada dia, o jeito mesmo é rodar a baiana.&lt;br /&gt; O dia era comum, as pessoas eram as mesmas, o momento era férias. Dar um jeitinho na cor branco-cândida da pele paulista. Era Salvador a salvadora. E eu só conseguia pensar que o mês era agosto e meus amigos estavam passando frio na cidade de concreto. A São Paulo. Sem entender ao certo o porquê das pessoas fazerem a migração do mar azul e límpido, que eu observava naquele momento, para o agradável odor do famoso rio Tietê. Eis que me surge um soteropolitano que preferira o mar. Ganhava a vida na praia. Em seus braços, fortes e bronzeados, uma infinidade de colares, pulseiras e brincos. &lt;br /&gt; “Boa tarde, ‘dotô’. Vai um colarzinho para a namorada?”&lt;br /&gt; Não, eu não queria. Também não namorava. E talvez o fato de ele me lembrar disso me chateasse um pouco.&lt;br /&gt; “Não”&lt;br /&gt; Ele iria embora, assim como todo e qualquer vendedor ambulante que encontro nas praias do Guarujá. A clientela era vasta e ele não perderia tempo demais, ali, comigo. Ledo engano. O baiano não é o paulista. Ou o baiano-paulista. O baiano tem no seu sangue a tal da ginga que eu comentei. E era com essa ginga que ele queria me conquistar. Eu não era só mais um. Para ele cada um é um e todos formam o seu ganha-pão. Ele estava disposto. Bem disposto.&lt;br /&gt; “Calma senhor! Eu não quero vender nada não! Só quero conversar. Por que o que adianta eu vender isso aqui se amanhã eu vou morrer?”&lt;br /&gt; Ai meu Deus. Lembrou-me da falta de namorada e ainda diz que eu posso morrer amanhã. Não.. Eu não quero morrer amanhã! Ainda sou novo. Quero ter filhos. Preciso conhecer a França.&lt;br /&gt; “O senhor está de férias, eu estou de férias. É férias da vida, meu filho! Tá vendo esse pessoal todo aqui? Tá todo mundo de férias!”&lt;br /&gt; Sim, férias. E depois de um ano de correria, trabalho árduo eu tinha as minhas férias. Agora, esse cara poderia sair um pouco da frente do sol. Me deixa quieto com as minhas férias!&lt;br /&gt; “Olha moço, não vou querer o colar hoje não. Fica para a próxima.”&lt;br /&gt; Ele sentou ao meu lado. Acho que não deu muito ouvidos para o que eu falei.&lt;br /&gt; “Eu mesmo posso daqui a pouco ‘PÁ!’ morrer, tirar as minhas férias eternas. Daí, eu não vou levar nada comigo. Nada disso tudo aqui tem valor”.&lt;br /&gt; E não é que o homem tinha razão? Mas eu não poderia dar o braço a torcer. Não teria ninguém para dar o colar, de qualquer forma. E, na verdade, não tinha muito dinheiro na hora. Só saíra com o dinheiro da cervejinha gelada. Pensei em levar o cara para uma empresa publicitária. Esse aí, certamente, ganharia muito dinheiro no ramo. Ou talvez abrir uma igreja. Seria um bom bispo. Arrecadaríamos mais dinheiro do que aquele bispo famoso que saiu no jornal. &lt;br /&gt; “Então, o problema é que agora você me pegou um pouco desprevenido...”&lt;br /&gt; Não concluí.&lt;br /&gt; “Nada disso! Nem que o senhor me ofereça 30 reais por esse colar, eu não quero! Nem adianta tentar insistir. Eu quero só 10 reais. Não vou ter lucro nenhum, é só para pagar o preço da energia positiva!”&lt;br /&gt; Aí. Energia positiva era algo do qual eu estava precisando. Muito mais do que um colar. E com essa frase, se o tal baiano de boa lábia fosse uma bela baiana de curvas bem torneadas, já tinha me conquistado ali. Na hora. &lt;br /&gt; Resolvi levar o colar. O moço saiu com seu gingado pronto para conquistar mais uma alma. E talvez o colar não me trouxesse nada de mais. Mas aquela conversa me marcou. Talvez eu a leve por muito mais tempo do que o colar, que eu já nem sei onde deixei. Era o calor baiano. Voltei para São Paulo de férias ainda. Afinal, se não vivemos, deveríamos todos viver de férias. Sempre. Antes daquelas eternas, viver. Porque eu posso, ‘pá!’, morrer agora. &lt;br /&gt; Aqueles 10 reais não pagaram nem a menor parcela da energia positiva que eu levei. E oportunidades de bons negócios assim, só aparecem uma vez na vida. Melhor não desperdiçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-7973249788180396224?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/7973249788180396224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=7973249788180396224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7973249788180396224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7973249788180396224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/e-viva-bahia.html' title='E viva a Bahia!'/><author><name>Josephine</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4379209198791064788</id><published>2007-12-15T09:53:00.000-08:00</published><updated>2007-12-15T10:07:23.143-08:00</updated><title type='text'>Centenário</title><content type='html'>Esta crônica, publicada originalmente em 15 de janeiro de 2007 no &lt;a href="http://www.noga.blog.br/" target="blank"&gt;Noga Bloga&lt;/a&gt;, foi responsável por minha seleção para a Oficina de Crônicas da Flip, e é com ela que homenageio, hoje, o centenário ilustre do dia. Obrigada por sua inspiração, Mestre Oscar. Nisso e em tudo o mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hey, Óscar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em minhas mais íntimas fantasias, me sinto igualzinha a qualquer celebridade (celebridade verdadeira, digo, como Picasso, Fellini, Caetano. Pina Bausch e outros do nível, nada de Ilha de Caras, por favor, que dessas não chego nem perto. Haha. Vocês notaram. Deixei o Philip Roth de fora, porque aí já seria pretensão demais). Não vejo diferença nenhuma entre o talento deles e o meu, mas como personalidade, é óbvio que o buraco é mais embaixo. Não sei o que me falta, gente: talvez um pouco mais de loucura, de ousadia, de um não-ligar-pro-que- alguém-pensa-de-mim. Ainda não cheguei lá mas vou me arrastando, penosamente, nessa direção.&lt;br /&gt;Já meu marido Alan — ex-ator de improvisação, ex-mímico, ex-poeta trovador, ex-terapeuta e ex-milionário americano — é diferente. Deve ser por causa da idade, ou da arrogante (por natureza) nacionalidade, mas ele não só pensa que é igual às celebridades, como age como se celebridade fosse. Constrangedor.&lt;br /&gt;Foi por isso que hesitei no outro dia, ao ver passar por nossa mesa de pizzaria, no Shopping Leblon, o grande Mestre Oscar.&lt;br /&gt;— Olha lá, Alan. Tá vendo ali aquele senhor idoso, de bermuda e boné? Pois é o maior arquiteto do Brasil, e um dos melhores do mundo.&lt;br /&gt;— É mesmo? E ele fez o quê?&lt;br /&gt;— Brasília... Sambódromo... e mais não sei quantas sedes de partidos comunistas no mundo todo... (sendo gringo, o Alan não conhece outras maravilhas, como a Igrejinha da Pampulha, por exemplo, em Beagá)&lt;br /&gt;— Como é o nome dele? - Engulo a língua. Hum. Já sei que vai dar problema:&lt;br /&gt;— Oscar. Oscar Niemeyer. Este ano vai fazer 100 anos e acabou de se casar, olha como é bonita a esposa dele. Ele a chama de "filha". Todo mundo diz que foi por causa do dinheiro, mas eu não concordo. Em primeiro lugar, o Oscar é comunista convicto e trabalha até hoje, vai todo dia ao escritório; e, que eu saiba, fez muito projeto de graça, trabalhou principalmente pra governos. Quem é que ousaria pensar no Mestre Oscar pro projeto do prédio, da casa de praia? Em segundo, e nem por isso menos: já pensou que emoção, ser casada com o grande Oscar Niemeyer? Um gênio, e ainda por cima, um adorador confesso de mulher?&lt;br /&gt;— Hum. Óscar, he? Óscar! Hey, Óscar!&lt;br /&gt;Nossa. Não deu outra. Quase me enfio de timidez debaixo da mesa, mas Mestre Oscar já vem vindo em nossa direção, respondendo ao chamado. Confere o Alan - procurando se lembrar de onde o conhece - e já vai estendendo, simpático, a mão direita com um anel enorme no mindinho, a esquerda com uma aliança grossa. Disfarço mal o meu constrangimento:&lt;br /&gt;— Pois é, Oscar. Meu marido é americano, e eu disse pra ele que você é o maior artista do Brasil.&lt;br /&gt;— Exagero... Bem. Obrigado.&lt;br /&gt;E lá se foi o Oscar, com um sorriso, em direção à mesa dele. Que homem. Qual será a receita de longevidade dele, hein? Hein? Seja qual for, funciona: o homem está aí, lúcido, ativo, nem bengala ele usa. Deve ser a arte, o talento, a mente inquieta, só pode. Não tem receita melhor de vida longa do que esta: trabalho, e criativo. Ah, sim. Muito amor também.&lt;br /&gt;— See? No problem. É assim que você deve agir, se quiser ser um dia reconhecida - demonstra didático o Alan, meu mestre zen cuja orientação cotidiana não sigo nem um pouco: santo de casa, etc, etc. Mas ele está certo, é isso mesmo. Somos todos iguais perante a humanidade, e artista então... Se for de coração, é tudo irmão. Mesmo que só uns poucos tenham aquele quê a mais, além de uma obra surpreendente e única, que faz deles verdadeiras celebridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ops. Posfácio rápido. Descobri mais tarde que o tal de “Oscar” não era “o” Oscar, que na época convalescia em casa de uma fratura. Não passava de um velhinho bem-humorado, que resolveu tirar o dia pra me fazer de boba. Ganhou, ganhou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4379209198791064788?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4379209198791064788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4379209198791064788' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4379209198791064788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4379209198791064788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/centenrio.html' title='Centenário'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1634133344061137626</id><published>2007-12-10T09:38:00.001-08:00</published><updated>2007-12-10T09:38:51.094-08:00</updated><title type='text'>Um louco entre nós</title><content type='html'>Existe uma crença generalizada — apesar de improvável, e nunca até hoje confirmada — no poder do pensamento positivo, um escudo mágico que nos garante saúde, segurança e tranqüilidade. No pólo oposto do raciocínio não-lógico nos assombra o mito medieval de um encontro marcado com a morte: do seu dia, por mais que se faça, ninguém escapa. Entre estes dois extremos na escala do absurdo oscila o impulso da vida, nossa tendência nata para a sobrevivência, intocada pelo mistério da existência. Mas de vez em quando o equilíbrio se rompe, desfazendo a ilusão precária de uma ordem natural das coisas. Provoca o desastre. Desespero. Desesperança.&lt;br /&gt;Quando penso no menino baleado — e desde sábado, baleado e morto — não sinto vontade de escrever. Sinto vontade de vomitar. E não há como apelar para o habitual culpado: é voz corrente aqui no bairro que o tiro partiu de nós. De mim. De você. Da porta ao lado.&lt;br /&gt;Doze anos, gente. Doze anos. Uma mente virgem e um futuro moldável pela frente. Ouviu, cara? Você mesmo, você aí que não se sabe louco mas cede assim mesmo à tentação do impossível, você aí, que alimentado de violência do café à janta se olha no espelho e se julga herói, justiceiro, dono do mundo, com a bola toda. Dono da bala, você aí mesmo. Não se sente culpado? Oculto pelo anoitecer no anonimato da janela aberta, e ainda assim, culpado?&lt;br /&gt;Não há desculpa pra nós: você, eu, o vizinho do lado. Doze anos e essa ração diária de insegurança, lida, ouvida, vivida e vista sem calcular o dano. Você aí.&lt;br /&gt;O pior de tudo é que periga no escuro, com o dedo no gatilho daquela bala amarga, quem sabe: um outro menino inconsciente de apenas doze anos. Que embora continue vivo, já se sabe morto por dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1634133344061137626?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1634133344061137626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1634133344061137626' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1634133344061137626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1634133344061137626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/um-louco-entre-ns.html' title='Um louco entre nós'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-6354116988993452354</id><published>2007-12-06T09:24:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T09:26:20.701-08:00</updated><title type='text'>quantas vezes você foi feliz sem quebrar o brinquedo</title><content type='html'>queimei o fofão na fogueira de são joão pra poder retirar a espada do cão. e a xuxa, enforquei que nem o judas, aquele canalha. os trilhos que faltaram na construção do ferrorama do meu irmão, fui eu quem escondi e nunca mais achei. eu furei o pogobol. eu soltei os periquitos australianos da gaiola. eu arranquei as cabeças da moranguinho e da uvinha e tirei uma das patas do meu querido pônei. cortei os cabelos da barbie da minha prima, e os próprios cabelos dela alegando ser o grito da última moda, coitada. no ursinho carinhoso, cor-de-rosa, fiz bigodes e tapa-olho de pirata, mamãe brigou comigo. o helicóptero elétrico do mackgueiver, dele, fiz um vôo rasante na bacia d’água e quebrou a parte eletrônica. o cartucho do vídeo game cce do almir filho, eu desconfigurei. o carrinho de rolimã, dado pelo meu pai a ele (e só a ele), eu afrouxei os rolamentos, e ainda assim ele não caiu na ladeira (gracias!) quantas vezes você foi feliz sem quebrar o brinquedo?!..&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;eu fiquei pensando nesse texto (que ainda não está finalizado) só para começar uma conversa sobre experimentações. eu me permiti ousar as coisas. e isso tem conseqüências outras, boas ou ruins.e não pensem que esse texto me coloca na filinha das garotas más que não ganharão presente de natal, não. experimente você também quebrar seus brinquedos e afetos. e passe bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-6354116988993452354?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/6354116988993452354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=6354116988993452354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6354116988993452354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6354116988993452354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/quantas-vezes-voc-foi-feliz-sem-quebrar.html' title='quantas vezes você foi feliz sem quebrar o brinquedo'/><author><name>Uma conversa e muitos laços</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09687678465496120309</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://4.bp.blogspot.com/_0GxxAvOUgIc/TPaZ61zIYOI/AAAAAAAARlc/wwE4uggwOuc/S220/camisa_estampa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-665492280288737824</id><published>2007-12-06T06:50:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T06:52:01.824-08:00</updated><title type='text'>da ingenuidade pretendida</title><content type='html'>E sou do tempo que uma pessoa boa me fazia ser boa com ela, na lei da troca mais primitiva que regia aquele mundo que não pensava em marca nem em ser único pensava em manter aquela roda de afetos trocados pro dia fluir passar suave e no final dos mês as contas pagas ninguém com muito mais nem muito menos cada um com um pouco de mãe e pai e com muito de si o suficiente pra manter aquela roda de sobrevivência desconfiando um pouco que seja afinal era minas gerais e todo mundo era mais ou menos pobre em sendo pobre não gozava de muito tempo e com pouco tempo aceito não pensava que tinha uma vida inteira pra gozar contemplar &lt;br /&gt;e se vestir ou se movimentar não se aprendia na revista mas tinha muita TV desde cedo. E tinha sonhos imensos gordos do lado de lá da imensidão que agora vejo tão pequena sem historia e de uma tristeza tão grande eu fiquei menina assim são joão assim quando menos pensava veio tudo e um amigo falou: - não entendo nada do que você fala ana, seu discurso é muito barroco! – E, eu, meu Deus, que agora entendo isso, barroco e tudo com casca filetinho rococó e tudo mais – você esperava o que André? Eu, entre igreja e cemitério, entre missa e pé de laranjeira, fio. Mas eu vi que a tristeza não estava lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-665492280288737824?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/665492280288737824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=665492280288737824' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/665492280288737824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/665492280288737824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/da-ingenuidade-pretendida.html' title='da ingenuidade pretendida'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-775225832651477429</id><published>2007-12-02T13:49:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T13:50:00.053-08:00</updated><title type='text'>Feel-good pie</title><content type='html'>&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="um filme doce e crocante" src="http://www.dvdclubeonline.com.br/dvdclub/resizepgd.php?cod=7802" border="0" /&gt;Sabe aquele tipo de filme que conforta e alimenta como o colinho da mãe? Se fosse um gesto, &lt;a href="http://www.dvdclubeonline.com.br/dvdclub/x.php?num=7802" target="blank"&gt;"Garçonete"&lt;/a&gt; seria um abraço carinhoso, daqueles que te aquecem e não exigem nada em troca. Se fosse um prato, seria a típica comidinha caseira, receita gostosa pra ir levando a vida na boa, deixando de lado os problemas cotidianos. E não causa espanto nenhum que a personagem principal, com toda a tristeza que a cerca, viva sorrindo e seja uma exímia fazedora de tortas, cada uma com nome e receita mais originais que a outra. Bem. Pelo menos uma infância feliz e doce ela teve, o que já garante uma certa dose de alegria.&lt;br /&gt;Embora nada no filme seja tão, isto é, o vilão da história não é tão ruim nem a heroína é tão boa assim — afinal de contas, rejeita o filho que cresce em seu ventre e embarca numa aventura extra-conjugal com barrigão e tudo, o que não pega nada bem num filme tão bem-intencionado —, uma tensão permanente o atravessa e deixa a gente o tempo todo tentando adivinhar que horrível drama está por vir.&lt;br /&gt;Não sei, gente. Deve ser aquela habilidade que o ser humano tem de organizar os fatos em perfeita sincronia e ordem, porque no filme, tudo se resolve a contento. A gente vai dando um suspiro de alívio e derramando aquelas lágrimas discretas e inevitáveis em casos como este, quando percebe alguma coisa esquisita nos créditos: o filme é dedicado à memória de Adrienne Shelly, diretora e atriz do próprio que a gente fica sabendo logo, deixou órfã a filha de dois anos, garota fofinha que aparece nas cenas finais. Uau. Perplexa. A sensação de incômodo continua nos extras do dvd, onde as imagens e entrevistas mostram Shelly com uma inexplicada textura de fantasma.&lt;br /&gt;Pelo Google a gente descobre que &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Adrienne_Shelly" target="blank"&gt;Adrienne&lt;/a&gt; foi brutalmente assassinada em seu escritório de Greenwich Village em novembro de 2006, antes mesmo de "Garçonete" ser lançado. Aos quarenta anos, não viveu para vê-lo brilhar no Festival de Sundance de 2007, onde foi comprado pela Fox para obter uma bilheteria de 18 milhões de dólares. Seu assassinato inspirou o episódio &lt;a href="http://www.tv.com/law-and-order/melting-pot/episode/962518/summary.html" target="blank"&gt;"Melting Pot"&lt;/a&gt; da 17ª temporada de Law &amp;amp; Order, onde Shelly já havia atuado. Um choque.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-775225832651477429?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/775225832651477429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=775225832651477429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/775225832651477429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/775225832651477429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/feel-good-pie.html' title='Feel-good pie'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-486764966091622110</id><published>2007-12-02T11:15:00.000-08:00</published><updated>2007-12-02T11:17:34.804-08:00</updated><title type='text'>dos esportes</title><content type='html'>Faixas fedidas enroladas na mão e pode ser que a luta comece uma hora ou outra. Um menino de 20 anos é só docilidade enquanto mostra e vai torcendo o pano  passando entre o anular, indicador, dedão,mindinho, punho, os olhos de Tiago fixam cada aluno, ele não quer brigar, quer seduzir cada um para a brincadeira. São poucos mas logo todos se sentem acolhidos porque Tiago é rei, rei com mãos machucadas, alguns roxos no rosto, nas articulações dos dedos. Tiago gosta de hip hop, não gosta de puxar ferro. Tiago finge cara feia é meigo e seu respeito capta a dificuldade do outro. Como o boxe. Você se defende e ataca porque vê o outro. A luva de boxe fica próxima ao rosto, o que expõe e esconde o que de cada um. Você só pode atacar quando está confiante de que suas pernas estão seguras, seu rosto protegido, seu corpo coerente. O ataque é rápido e preciso, dois socos, um de cada mão e você volta pro seu porto seguro (pro mesmo lugar?). Você só vai em frente se cuidar da retaguarda. O ataque é uma língua de iguana, um estímulo pra que o outro se perceba. E segue o jogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-486764966091622110?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/486764966091622110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=486764966091622110' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/486764966091622110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/486764966091622110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/12/dos-esportes.html' title='dos esportes'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3701561541532682173</id><published>2007-11-27T07:27:00.000-08:00</published><updated>2007-11-27T07:34:53.040-08:00</updated><title type='text'>UM COPO DE ARROZ CRU</title><content type='html'>E mordida de jegue é arroz-doce? Pense uma vida difícil. É ônibus, trem, dia quente. Meu marido mantinha a casa. Cobrador. Venceu na vida. Não sofria mais em obra. Pegar peso, quebrar pedra. Deixou a unha crescer. Do dedo mindinho. Assim. Tem estilo. Não peleja mais com braço. Trabalha com a inteligência! Cobrador. Venceu na vida. Tenha estilo! Ele tem. O meu marido.&lt;br /&gt;Mas pense uma vida difícil. Muita conta. Muito carnê. Mas tinha fogão e tevê! A geladeira já estava atrasada. O dinheiro é que a gente vai ver. Tia Nêga bem que me disse.&lt;br /&gt;– Pega um copo de arroz cru! Bota no canto da sala. Assim atrás do sofá. Que ninguém vê e ninguém sabe.&lt;br /&gt;Diz que traz abundância, não sei. Tenha estilo! Não pense bestagem! Abundância é coisa de comer! Que não deixa faltar. Passar fome. Fartura? Isso! Fartura.&lt;br /&gt;Apois pense uma vida difícil. E traficante não pede pedágio? Pra quem vai trabalhar! Tinha que acordar mais cedo! Pra não ter que pagar. Tenha estilo! Não dou dinheiro pra safado! Cortaram a cabeça de meu neto. Largaram no ponto de ônibus. No banco assim de graça.&lt;br /&gt;Pense uma vida difícil! É dinheiro do tráfico, trem. Do busão e até do ladrão! É muito dinheiro que gasta. Pra ir trabalhar.&lt;br /&gt;E gente velha parece desgraça. Ninguém quer bangalô três vezes! Meu marido tem estilo,viu? Deixou a unha crescer. Do dedo mindinho. Comprida assim. A firma não quis mais ele. Afirma não ter dinheiro. A fim de cortar o custo. Mas meu marido é Zé Augusto. Meu marido tem estilo. Comprida assim. Deixou a unha.&lt;br /&gt;Já fez bem um ano assim. Sem emprego, dinheiro, doente. O carnê indo atrás da gente. Eu tinha fogão e tevê! A geladeira já levaram. O resto tive que vender. Um ano a pão e água.&lt;br /&gt;Mas ontem o pão acabou. Bem no inverno, a comida esgotou. Na noite em que eu ia morrer, de fato, de fome, fraqueza. Ao chão, moribundos, com frio. Encontramos no copo o arroz cru.&lt;br /&gt;Tenha estilo! Fiz logo um sopão! Comemos. Sorrimos. Dormimos. Tia Nêga não tinha razão? Não morremos de fome à noite. Pra passar por mais fome de dia. Dinheiro? Não. Tenha estilo! Vim aqui atrás de serviço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3701561541532682173?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3701561541532682173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3701561541532682173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3701561541532682173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3701561541532682173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/um-copo-de-arroz-cru.html' title='UM COPO DE ARROZ CRU'/><author><name>Leocadio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02235423181849065909</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://images3.orkut.com/images/medium/770/1794770.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1292459422048969055</id><published>2007-11-22T15:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T03:07:13.888-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rU3CpkxoYJM/R0YU0QokMoI/AAAAAAAAAHw/0coxn_kaDsc/s1600-h/grinch.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135815313113494146" style="WIDTH: 58px; CURSOR: hand; HEIGHT: 59px" height="84" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_rU3CpkxoYJM/R0YU0QokMoI/AAAAAAAAAHw/0coxn_kaDsc/s200/grinch.jpg" width="90" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A fuga do espírito natalino&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No escritório&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tira aí, vamos circular o pote!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosana passa à frente o pote com vários papeizinhos dobrados, contendo os nomes dos colegas da sala. Novembro está terminando e já está mais do que na hora de tirar o amigo-oculto, que será descoberto na tradicional festa de confraternização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem está na sala retira seu passaporte para o grande encontro de fim de ano. A maioria faz cara feia. Alguns até pedem para tirar novamente. Então, amigo-oculto serve para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, para facilitar a quem não tem grana, poder comprar um presentinho só, em vez de presentear a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outro, o amigo-oculto é considerado uma animação essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não tiver, não tem festa! – alguém diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no fundo, o ambiente nem é tão amigável; do contrário não haveria narizes torcidos ao ler o nome escrito na tirinha de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria Rosana não gosta de amigo-oculto. Diz que é uma imposição circunstancial de um grupo que tenta provar o impossível em uma efêmera festa de confraternização. Manu, da mesa ao lado, também não, por este e por outro motivo. Não quer gastar o dinheiro que não tem para comprar presente para uma pessoa que não está a fim de presentear. E por conta disso acabam provocando um mal-estar na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih! Tirei eu mesma. – avisa Rosana – É uma boa hora para desistir e retirar meu nome do pote. Pronto, gente, tô fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosana se exclui da brincadeira, sem aviso prévio, enquanto olhos estatelados a encaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da discussão que segue a decisão de Rosana, Manu aproveita a deixa e pula fora, de mansinho, dizendo que não gosta de amigo-oculto, e que também não quer participar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí o pote transborda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso é sacanagem! – reclama um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também não comemoro Natal, mas penso que devemos conviver em sociedade, por isso participo. – retruca o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Manu não deixa pra depois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assim não tem mérito. Sou obrigada a dar presente a alguém a contragosto e isso é conviver em sociedade? Acho melhor ser democrática, honesta, poder dizer e fazer o que quero ou não. Me sinto melhor diante dos meus colegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chefe, tentando aparentar calma, propõe o retorno à discussão no dia seguinte. Mas, a esta altura, o estrago já está feito; as caras feias e trombas já estão armadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, discutir o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosana e Manu ainda trocam um papo pelo MSN, sobre a imperdível oportunidade que tiveram de ficar caladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o espírito natalino, que estava quase a bater na porta, sai de fininho, porque na verdade nem chegaria a entrar, num ambiente assim, socialmente frágil, de relações que já nascem partidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1292459422048969055?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1292459422048969055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1292459422048969055' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1292459422048969055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1292459422048969055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/fuga-do-esprito-natalino-no-escritrio.html' title=''/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rU3CpkxoYJM/R0YU0QokMoI/AAAAAAAAAHw/0coxn_kaDsc/s72-c/grinch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4111283332593196182</id><published>2007-11-22T14:27:00.001-08:00</published><updated>2007-11-22T14:27:34.726-08:00</updated><title type='text'>They sculpt horses, don't they?</title><content type='html'>&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.noga.blog.br/uploaded_images/horses1-704561.jpg" width="480" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0065088/" target="blank"&gt;IMDB&lt;/a&gt; uma espectadora descreve o filme, de 38 anos atrás, como uma história triste, de gente desesperada numa época de desespero, tentando ganhar alguns trocados durante a Grande Depressão americana. Em "They Shoot Horses, Don't They?" (em português, "A Noite dos Desesperados"), de Sydney Pollack, baseado no &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/They_Shoot_Horses,_Don" target="blank"&gt;romance homônimo de Horace McCoy&lt;/a&gt; — à venda na &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4495&amp;amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8588193019" target="blank"&gt;Livraria Cultura&lt;/a&gt; —, Jane Fonda participa de uma maratona de dança meio suicida e acaba assassinada.&lt;br /&gt;Já hoje de manhã em Ipanema, em frente à Casa de Cultura Laura Alvim, os escultores de areia Oscar, da Argentina, e Eduard, da Colômbia, bem que precisavam de uma grana, mas não me pareceram tão desesperados assim. Com um talento inesperado, à altura dramática de um Pollack, tentam faturar algum com seus cavalos hiper-realistas. Gente. Nunca vi nada tão impressionante em matéria de escultura na areia. A gente fica esperando os cavalos se levantarem e saírem a galope a qualquer momento, pra não dizer que o expressivo olhar pidão deles faz a gente sem querer botar a mão no bolso. Vale conferir, antes que se desmanchem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4111283332593196182?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4111283332593196182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4111283332593196182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4111283332593196182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4111283332593196182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/they-sculpt-horses-dont-they.html' title='They sculpt horses, don&apos;t they?'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2906817788287158170</id><published>2007-11-21T08:14:00.000-08:00</published><updated>2007-11-21T08:15:12.457-08:00</updated><title type='text'>Vontade de pedra</title><content type='html'>E a montanha se levantou. Esticou suas pernas atrofiadas pelos séculos de repouso e começou a caminhar. A fauna que habitava nela pensou enlouquecer e se suicidou, a flora invejou a coragem da casa em abandonar as raízes. Ela suava rochedos no esforço de ir com delicadeza para não machucar muito o mundo com suas pisadas. O bater dos dobramentos e o esfregar de suas chinelas determinavam novos caminhos para rios e novas moradias para cânions. A neve rolava casposa por sua cabeça refrescando o cansaço da ousadia. Os vales se acompridavam esperando que ali ela parasse; cordilheiras a convidavam para festejar e à estar um pouco mais com elas; algumas a revelia, sorrindo preconceitos; o mar abria os braços para acolher a nova visitante; o mundo físico e político era redesenhado pela caminhante. Os homens fingiam não ver. Difícil aceitar uma montanha, assim, caminhando livre por onde queria. Ela mesma não queria muito, mas a vontade de outro a impelia. E ela ia andando e andando. Rangia seus pensamentos empoeirados e admirava a paisagem que pela primeira vez mudava. O coração de pedra agitado, mais quente que nunca lembrava os tempos de vulcão. Os pássaros atropelados como mosquitos em uma rodovia. Muitas cidades deixavam de existir. Meio triste e pesarosa pelos estragos a montanha titubeava se parar, mas logo lembrava do motivo de ter se levantado e ia e ia. E foi e chegou. Acomodou-se felina na planície onde ficaria para sempre, ou até um novo bom motivo para se mudar. Encaixou suas escarpas retumbando um suspiro satisfeito. E antes dela voltar ao seu silêncio de acidente geográfico, meneou o cume para os dois olhos que a contemplavam com fé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2906817788287158170?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2906817788287158170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2906817788287158170' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2906817788287158170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2906817788287158170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/vontade-de-pedra.html' title='Vontade de pedra'/><author><name>Claudio Brites</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_gf8jY9DIG3o/SYmsQn_MWKI/AAAAAAAAAIE/S9vz8M1DtNM/S220/kut2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-6750722840899655266</id><published>2007-11-20T14:09:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T03:07:14.036-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rU3CpkxoYJM/R0NbbQokMmI/AAAAAAAAAHg/n9TYlLR5ySo/s1600-h/noel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5135048524012204642" style="WIDTH: 54px; CURSOR: hand; HEIGHT: 55px" height="82" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rU3CpkxoYJM/R0NbbQokMmI/AAAAAAAAAHg/n9TYlLR5ySo/s200/noel.jpg" width="101" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que venha o Natal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É inevitável. Todo ano, nesta mesma época, escrevo algumas linhas sobre Natal, fim do ano, meus sentimentos em relação a esse momento turbulento do nosso calendário. Já me confessei avessa a tudo isso. Há muito tempo deixei de gostar das festas natalinas, da própria ceia familiar também. Quando entra o mês de novembro e ouço os conhecidíssimos jingles das grandes lojas, me arrepio. Pronto. Vai começar tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não consigo sentir o tal espírito de Natal que todo o mundo fala. Claro, sei que ele existe; é uma questão de energia. Mas, a meu ver, ele ficou esquecido um tempo atrás desse tempo que vivemos hoje. Do consumismo psicopatológico, das confraternizações regadas a litros de bebida alcoólica e às conseqüentes centenas de acidentes, muitos deles fatais. Isso é espírito natalino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não encontro mais paciência para sair de casa dirigindo meu carro (e olha que moro em cidade pequena). É trânsito lento, todos querendo encontrar vaga no mesmo lugar na área central da cidade, buzina pra todo lado, motorista nervozinho (aquele que sempre acha que sua pressa é maior que a dos outros), esbarra-esbarra dentro do shopping, fila em restaurante. Também não vejo espírito natalino nessa efervescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me lê poderá dizer que sou uma chata, fria e insensível. Talvez. Tornei-me exigente, acredito. Aprendi desde pequena qual o verdadeiro sentido do Natal, o porquê dele existir e creio que isso não mudou. As pessoas é que mudaram, exacerbaram a festa, que deveria ser meditativa e fraterna, transformando-a muitas vezes em um carnaval consumista. Só se pensa em presente, churrasco, bebidas, presente, churrasco, bebidas e... o que mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser deprimente o número de jovens pelas ruas, exibindo suas latas de cerveja como se fossem troféus. Com gritos de “É Natal! É Natal!”, saem na madrugada, com braços e corpos para fora dos carros, festejando... o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém pense que não promovo e curto meu Natal, meio às avessas, é claro, mas cumpro o ritual. Já montei minha árvore junto com meu filho, instalei e acendi as luzes do anjinho pendurado na janela, e ainda estou procurando uma guirlanda ao meu gosto para a porta. O filhote reclamou de poucas luzes, portanto, penso em comprar e instalar mais. E vamos preparar a casa para o Natal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, vou passar por todo o roteiro de compras, visitas, encontros, confraternizações, igualzinho ao do ano passado, que no próximo ano vai ser igual novamente, e no outro, e no outro. Não gostar disso ou daquilo, ficar triste com esse ou aquele, me irritar com outro montão de coisas e situações. Não tenho escapatória, a não ser me trancar em casa, tomar um sonífero e acordar dia 5 de janeiro. Como não vai dar para ser assim, que venha o Natal. Vou fazer tudo direitinho, como mamãe ensinou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-6750722840899655266?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/6750722840899655266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=6750722840899655266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6750722840899655266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6750722840899655266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/que-venha-o-natal-inevitvel.html' title=''/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rU3CpkxoYJM/R0NbbQokMmI/AAAAAAAAAHg/n9TYlLR5ySo/s72-c/noel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-602431632239959191</id><published>2007-11-19T10:56:00.000-08:00</published><updated>2007-11-19T10:58:06.501-08:00</updated><title type='text'>do são joão a são paulo</title><content type='html'>a saga de anita&lt;br /&gt;Parte I&lt;br /&gt; (Marina, a colega de escritório, hypada, magra, jovem vinda de vitória pra estrear em sao paulo de piercing no umbigo)&lt;br /&gt;- Olha, olha Ana, o corpo!&lt;br /&gt;(Anita) - Cadê? Tem espetáculo novo??&lt;br /&gt;- A Daniela Sarayba na praia, loca, se liga!&lt;br /&gt;- Ahnn...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-602431632239959191?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/602431632239959191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=602431632239959191' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/602431632239959191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/602431632239959191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/do-so-joo-so-paulo.html' title='do são joão a são paulo'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2434223262935611437</id><published>2007-11-15T14:15:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T03:07:14.049-08:00</updated><title type='text'>Para nós, os Amaldiçoados</title><content type='html'>&lt;h3 style="text-align: left; color: rgb(255, 102, 102); font-weight: normal;" class="post-title entry-title"&gt;                          &lt;span style="font-size:100%;"&gt;De Simone Silveira Kaplan&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style="text-align: right; color: rgb(102, 102, 102); font-style: italic;" class="post-title entry-title"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 style="text-align: right; color: rgb(102, 102, 102); font-style: italic;" class="post-title entry-title"&gt;Eu não sou eu nem sou o outro,&lt;/h3&gt;&lt;h3 style="text-align: right; color: rgb(102, 102, 102); font-style: italic;" class="post-title entry-title"&gt;Sou qualquer coisa de intermédio:&lt;/h3&gt;&lt;h3 style="text-align: right; color: rgb(102, 102, 102); font-style: italic;" class="post-title entry-title"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pilar da ponte de tédio&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Que vai de mim para o outro. &lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div style="color: rgb(102, 102, 102); font-style: italic;"&gt;                        &lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102); text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="color: rgb(102, 102, 102); font-style: italic;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;h2 style="font-weight: normal; font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102); text-align: right;" id="sz"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Outro, Composição: Adriana Calcanhotto / Mário de Sá-Carneiro&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic; color: rgb(102, 102, 102); text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="color: rgb(102, 102, 102); text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como artista, eu sou amaldiçoada. Mais cedo ou mais tarde, serei sacrificada. A minha arte não me defende. Ela invade o espaço do outro e perturba o conforto alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tanta coisa linda pra falar, pra mostrar, há beleza em mim certamente. Se tenho que falar do belo, não sei escrever. Escrevo mal. Esqueço. Quem escreve sabe. O artista quer tudo aquilo que não está terminado. Só o esboço lhe interessa. Um mundo belo é um mundo acabado. Há os poemas perfeitos que nascem aleatoriamente. São magníficos mas caem em esquecimento. Estes nascem no momento da ação que o inspira. Todo poeta já vivenciou estar distraído e ver o poema surgir do nada, ditado pela própria voz muda de dentro de si. Por estar distraído, o poeta ouve os versos, mas minutos depois não pode lembrá-los. Este poema é o poema belo. Todos os outros, são frutos do trabalho, do artista artesão, que trabalha na forma, no som, na linguagem, frutos de um ambiente imperfeito. O artista cria através do exercício da doação, da exposição. Não estão distraídos e assim podem se colocar na linha de fogo. Podem ser sacrificados. Revelar um mundo exterior imperfeito para transformá-lo pode ser crime. Revelar o mundo interior do homem, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nós, os artistas, os invisíveis, enxergamos este mundo em ruínas e queremos paz, queremos o verde infinito visto do alto do morro. Existirá enfim esta possibilidade, para nós, os amaldiçoados?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/RzY6qUR2MLI/AAAAAAAAAg8/0Jh3m7XJSp0/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);font-size:85%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2434223262935611437?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2434223262935611437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2434223262935611437' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2434223262935611437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2434223262935611437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/para-ns-os-amaldioados-eu-no-sou-eu-nem.html' title='Para nós, os Amaldiçoados'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4931669341419735690</id><published>2007-11-12T09:05:00.000-08:00</published><updated>2007-11-12T09:29:51.365-08:00</updated><title type='text'>Imediatamente</title><content type='html'>Eu juro, eu tenho muita coisa para fazer, eu juro. mas, abro um envelope que deixaram, como que despretensiosamente numa livraria e encontro um site vou até o site, é um livro, então, retomo volto a falar dos lidos. O envelope trazia escrito: &lt;a href="http://www.cabecatubarao.com.br/"&gt;Isto é para você. ABRA IMEDIATAMENTE&lt;/a&gt; . O que me parecia mais uma tentativa artesanal de alguém para fazer lerem seus livros, aparece-me como excelente marketing de uma grande empresa. De livros, ainda bem. Ainda bem que fazem bom marketing também nos livros.Nos outros países há muito fazem. Há muito que o livro é uma coca-cola(também). o progresso chega lento, vcs sabem e vai levando muita coisa junto com o atraso... e então eu fico meio deseperada, lembro de um poema meu... dentro de pouco tempo todo mundo vai ser artista... eu juro... eu fico meio desesperada... mas, lembro de uma artista bem mais experiente do que eu, por acaso o nome dela é bem conhecido, por acaso ela não é escritora, por acaso ela também não é só esteta, por acaso ela mexe com artes plásticas, mas, poderia ser com qualquer outra arte e diz: liga não. isso passa. não sei se passa, mas, assusta. tenho certeza, no entanto, q ela está certa: tudo passa. e passa muito e passa rindo. mas o passado é o que importa e nem tudo vira passado, muita coisa vira pó. e para virar passado um bom marketing não garante. ajuda, com certeza e isso não é pecar. barbárie é sentar à mesa sem sentir mal-estar ********************************* Sobre &lt;em&gt;cows&lt;/em&gt; - Cá entre nós eu vou dizer-lhes o que achei da vaca na primeira vez que vi... e isso há de causar polêmica, porque todo mundo está adorando as vacas. não tenho nada contra as vacas, muito ao contrário, acho que enfeitam a cidade, fazerm rir. mas, não encarei como arte. espero que ninguém esteja encarando assim... (espero q não haja um silêncio agora). fui informada de que é um evento mundial. que não nasceu aqui... mas, e daí... estamos falando sobre vacas e não sobre auto-estima do brasileiro, legitimidade do autor... pelo amor de Deus. é só olhar e tentar ver ou responder: aquilo é ou não é algo que te reposiciona no mundo? a mim, reposiciona muito mais a vaca quando avacalhada - por favor devagar com o spray, cuidado com o meu olho. ou com a vaca que foi atacada pelas crianças da Lapa. do contrário, seria melhor proteger as vacas de verdade, ou o mundo dos seus gases, segundo alguns naturebas... ora, bolas. mas, que o movimento está bacana, está. dá uma mexida em todo mundo. é legal ver as adolescentes posando ao lado da vaca, sorrindo, como se aquilo fôsse uma espécie de signo da inteligência da humanidade. isso também acho que é intervenção (não o ato das adolescentes mas o ato de ensejar o sorriso delas) e aí, eu paro para pensar sobre estas vacas novamente. será que eu não fui enganada? será que não fui sagaz o suficiente para perceber? Meu Deus, então é isso? será que a idéia não é mesmo essa? ser der tempo vou procurar me informar se há reverberação sobre isso. mas, virando os olhos para um outro lado, tenho aqui no meu colo o livro Embarcações de Luís Serguilha. O livro tem um projeto gráfico respeítável. Os designers gráficos estão mandando brasa e a era do computador facilita o trabalho de toda essa gente boa. A editora é Ausência (achei o título interessante para uma editora de livros), e vem de Portugal: &lt;em&gt;Proteger a dosagem das confidências/ na elasticidade&lt;/em&gt;&lt;em&gt; semelhante aos velocípedes da morfina/ que sincroniza os brônquios dos sítios luminescentes/ sobre os baluartes das contemporâneas dissipações/ e as carumas das têmporas lunares incorporam/ o reboco portuário.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu disse a mesma coisa para mim mesma: mas, que palhaçada é esta? Como pode um livro tão bem cuidado trazer a primeira estrofe assim. o que o autor está querendo com isso? ele sabe o quanto o tempo é precioso? e continuando a leitura eu fui informada por mim mesma que o movimento surrealista ainda ecoa em algumas pessoas com uma força tão violenta que não adianta dizer a elas que a contemporaneidade cuida de vacas e latas de sopa, por exemplo, o que o minimalismo é algo muito contundente, de uma profundidade que só e compreendida quando se ouve john cage...e aí vem a lembrança de Joyce que também não dizia coisa com coisa e tem seguidores e que eu admiro como a palma de minha mão que não conheço, mas, não é sobre isso também e tudo se explica no reboco portuário. sim, não era palhaçada, o homem não é um idiota, ele faz seu poema, e usa o que quiser. com reboco portuário ele fecha a porta. não sei se me entendem. mas, espero que ao menos serguilha entenda que eu estou fazendo um elogio. ou melhor, que estou dizendo que há poema, não há brincadeira. que há uma brincadeira de verdade, isso sim, o que é a arte. sempre do meu ponto de vista, claro, aliás. Então o leitor terá o trabalho de tentar decifrar o que o poeta mandou dizer. sim... sim, senhor. mas, calma, não é bem assim. não é nada obrigatório. o leitor vai tentar cavucar o imaginário do poeta ou simplesmente navegar nos símbolos. quanto ao imaginário, creio que a porta está fechada para nós. imagino que estudando o autor profundamente, nós possamos chegar a um nível de entedimento primário que talvez ele próprio desconheça e que seguramente será tão desinteressante para nós como são nossas próprias mazelas, talvez, para ser otimista, à la Bergman... então, é melhor ir para o mundo dos signos, sem tentar achar o caminho certo. tentar escorregar pelas folhas que navegam soltas pelos mares deste poeta português. acrescente-se a isso que o poeta espalha seus versos como se fossem folhas sobre a água mesmo. eles se espraiam, como ondas. não seguem uma sequência tradicional de versos um embaixo do outto. coisa entediante, diria. mas, para fazer diferente é preciso ter proposta sempre, do contrário, a gente vai ficar bem triste. então, a primeira parada foi reboco portuário. Continuemos:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;reconduzido instantaneamente/ pelo interruptor arvorado das merendas pubianas/ As bainhas interpoladas das anémonas seduzem /as silabarias terminativas das carótidas/ que ampliam prodigiosamente /os apeamentos dos diamantes hemisféricos/ sobre a bifurcação da plaina codificadora/ Os bandos magistrais da desordenada anatomia&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu pararia aqui para respirar. sim, acho que aqui tem uma pausa. eu perguntaria ao poeta: poeta, aqui é uma pausa? porque não há nada que indique senão a própria anatomia do poema. nós o estamos vendo e percebemos que aqui em desordenada anatomia há um corte, uma quebra. como uma vírgula que não há, como algo que repousa. E sua anatomia não tem nada de desordenada, diga-se de passagem. Ele prossegue, mas, acho que aí cabe o leitor procurar o livro. Ele é assim, e é um livro para ler à sombra, com calma e crescer junto. Poesia abstrata, eu diria, mas, vamos com calma.Espero que estas considerações sejam oportunas ao poeta e que ele chegue a lê-las.&lt;br /&gt;elaine pauvolid _______________________________________&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4931669341419735690?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4931669341419735690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4931669341419735690' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4931669341419735690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4931669341419735690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/imediatamente.html' title='Imediatamente'/><author><name>Elaine Pauvolid</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13595272831527803529</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8945948919114926685</id><published>2007-11-12T06:55:00.000-08:00</published><updated>2007-11-12T06:57:09.707-08:00</updated><title type='text'>Monday. monday</title><content type='html'>&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://www.noga.blog.br/uploaded_images/shaked-796304.jpg" border="0" alt="" /&gt;No Gente Boa não prestei muita atenção. É uma página de puro entretenimento, vocês sabem, de passar batido e observar as notinhas, só pra saber o que está rolando. Mas quando a tal notícia sobre a festa-hype-com-coelhinhas-da-Playboy se transforma em crônica para a posteridade, a coisa fica bem mais séria. Não só pelas coelhinhas, claro, mas por outros sintomas do texto.&lt;br /&gt;"Não é a arte. É a autopromoção que conta agora", ui, essa doeu. Dói mais ainda saber que o leitor pede ao cronista frases curtas (e o cronista, coitado, ou dá ou desce, ou ainda pior: nem chega a subir). Ah, sim, e dói muito, muito mais ainda, saber que muito cronista bom se perde às vezes, tentando agradar: este de que vos falo achou por bem abolir o parágrafo, mesmo que as frases curtas acabem perdendo o fôlego, se é que vocês me entendem. Só pra contrariar.&lt;br /&gt;"Não complique o texto. Não complique a vida", bem, a bem da fama, tudo bem. Limite o vocabulário e seu correspondente universo intelectual. Coisa mais chata.&lt;br /&gt;Dói muito quando a gente lê que as profissões tradicionais oferecem salários ridículos, triste sentença a que se submete, por pura necessidade, também o cronista em questão: um escritor excelente que a gente descobre com gosto em textos mais antigos, mas que hoje em dia consome tempo e energia, não só registrando bobagens, que nisso se vê uma boa ponta de ironia, mas eternizando em crônica os sinais banais dos tempos. É o fim do mundo, gente. Ou pra não dar munição a apocalípticos, o fim do mundo como o conhecemos. O que vem por aí depende de nós, mais do que a gente pensa, isto é, se a gente resolver pensar. Ai que preguiça. Ainda mais numa segunda-feira de chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8945948919114926685?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8945948919114926685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8945948919114926685' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8945948919114926685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8945948919114926685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/monday-monday.html' title='Monday. monday'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-276237589759868718</id><published>2007-11-11T09:04:00.000-08:00</published><updated>2007-11-11T09:05:27.938-08:00</updated><title type='text'>Do nada</title><content type='html'>De fato&lt;br /&gt;não somos&lt;br /&gt;o que fomos,&lt;br /&gt;nem vamos&lt;br /&gt;adiante&lt;br /&gt;com o que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato&lt;br /&gt;é que somos&lt;br /&gt;mais ou menos&lt;br /&gt;o que não temos&lt;br /&gt;ou vamos ter&lt;br /&gt;O que seremos&lt;br /&gt;ou somos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fato&lt;br /&gt;esse, estranho&lt;br /&gt;Não sendo,&lt;br /&gt;não tendo&lt;br /&gt;não podendo&lt;br /&gt;o que será, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato&lt;br /&gt;é que vou indo&lt;br /&gt;não sendo&lt;br /&gt;querendo&lt;br /&gt;ser, não tendo;&lt;br /&gt;mais ou menos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-276237589759868718?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/276237589759868718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=276237589759868718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/276237589759868718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/276237589759868718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/do-nada.html' title='Do nada'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5460011990696146445</id><published>2007-11-08T11:31:00.000-08:00</published><updated>2007-11-08T11:35:37.270-08:00</updated><title type='text'>salve polônio!</title><content type='html'>Diante de tudo o que se vê e da rapidez e degradação&lt;br /&gt;de tudo, Cabo Polônio é &lt;br /&gt;um lugar perdido. Quem perde o quê fica para o tal&lt;br /&gt;livre arbítrio. São cerca &lt;br /&gt;de 80 casas pequeninas, a maioria branca, salpicadas&lt;br /&gt;sobre areia e grama e &lt;br /&gt;cercadas quase totalmente pelo mar. Por um tris " um&lt;br /&gt;caminho estreito e &lt;br /&gt;sinuoso por onde se entra e sai de caminhão " não&lt;br /&gt;estamos numa ilha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E pra quem ouviu descrições de deserto, de dia faz&lt;br /&gt;um calor do cão e à &lt;br /&gt;noite, mesmo quando não chove, chegam ventos&lt;br /&gt;poderosos que, parecem, vão &lt;br /&gt;tirar os telhados daquelas casinhas todas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De maneira geral, são brancas, o que dá uma sensação&lt;br /&gt;de ilha grega para &lt;br /&gt;muita gente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em Cabo Polônio " a 400 km de Montevidéo em ônibus&lt;br /&gt;com ar-condicionado e &lt;br /&gt;mais uma travessia de caminhão aberto sobre dunas "&lt;br /&gt;as casas são distantes &lt;br /&gt;umas das outras o suficiente para a felicidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Atílio é um artista plástico uruguaio, exilado por&lt;br /&gt;vontade própria em &lt;br /&gt;Polônio, convivendo com flores e suas obras. Sua&lt;br /&gt;casa é cercada de plantas &lt;br /&gt;compridas brancas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dentro dela, Atílio me mostrou uma caixa com tampo&lt;br /&gt;de vidro onde guarda suas &lt;br /&gt;interpretações de lobos e leões-marinhos em massa e&lt;br /&gt;pedra.  Outro trabalho &lt;br /&gt;que chama a atenção é a série de bicicletas,&lt;br /&gt;variações em desenho dos dois &lt;br /&gt;aros fundamentais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para ele, a humanidade anda precisando de&lt;br /&gt;bicicletas. Beatriz tem um rancho &lt;br /&gt;próprio em Polônio onde, com o filho Guilherme,&lt;br /&gt;trata de escrever o roteiro &lt;br /&gt;para começar rodar, em dois meses, um filme.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O tema é a escravidão sexual, mulheres uruguaias&lt;br /&gt;exportadas para esse fim. &lt;br /&gt;Inconformada com a falta de apoio do governo&lt;br /&gt;uruguaio à cultura, ela toma &lt;br /&gt;horas de sol antes de escrever em alguma das praias&lt;br /&gt;extensas e vazias. "É a &lt;br /&gt;minha terapia."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Corre a boca pequena que o Uruguai é o país mais&lt;br /&gt;lento do mundo.&lt;br /&gt;No restaurante da Nancy, ela divide o fogão com um&lt;br /&gt;filho bebê na cintura e &lt;br /&gt;uma olhada nos biscoitos que vão virar alfajores,&lt;br /&gt;feitos em fogão a lenha. &lt;br /&gt;Para comer no restaurante de Nancy é preciso&lt;br /&gt;esperar, de frente ao mar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Elisa foi ativista do partido comunista durante as&lt;br /&gt;ditaduras uruguaias, ela &lt;br /&gt;se aquietou depois de um exílio no Chile e ao&lt;br /&gt;perceber que as esquerdas &lt;br /&gt;frustraram.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então montou seu "El Molino" , cuja energia vem do&lt;br /&gt;vento mesmo, abastecendo &lt;br /&gt;as poucas e aconchegantes luzes à noite, geladeira e&lt;br /&gt;aparelhos elétricos. &lt;br /&gt;Casou-se com Patrick, um francês que flagrei fazendo&lt;br /&gt;parafusos de alfavaca &lt;br /&gt;com garfo depois de tomar um banho de mar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cansado em definitivo da urbe, o mineiro Henrique&lt;br /&gt;Falcão montou sua loja de &lt;br /&gt;roupas no alto de uma pedra, ao lado do farol.&lt;br /&gt;"Célula Tronco" é um projeto &lt;br /&gt; de desenho, arte e preservação da vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; "Eu fazia uma série de roupas, sem parar, saía&lt;br /&gt; vendendo como louco. Agora &lt;br /&gt; são peças únicas. A venda é consequência. Eu não&lt;br /&gt; posso agradar todo mundo".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Falcão quer criar uma fundação para preservação dos&lt;br /&gt; lobos-marinhos, que &lt;br /&gt; fazem um descanso nas praias de Polônio antes de&lt;br /&gt; partirem para a reprodução &lt;br /&gt; em mares mais frios.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A experiência em Cabo Polônio pode se radicalizar se&lt;br /&gt; o visitante ficar em &lt;br /&gt; casa de amigos ou num rancho alugado, vivendo à luz&lt;br /&gt; de velas e usando a água &lt;br /&gt; com moderação. Passei 12 dias assim, observando as&lt;br /&gt; regras estabelecidas na &lt;br /&gt; casa, pregadas numa geladeira movida a gás.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Acionava a bomba que leva a água da chuva para o&lt;br /&gt; alto da casa e a distribui &lt;br /&gt; para as torneiras do banheiro e da pia da cozinha.&lt;br /&gt; São 50 movimentos diários &lt;br /&gt; de musculação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Em vez de usar a descarga do banheiro, buscava água&lt;br /&gt; em dois baldes do lado &lt;br /&gt; de fora da casa, acompanhada de Cazuza, Firulais e&lt;br /&gt; Lineu, respectivamente, &lt;br /&gt; os dois cachorros e o gato, ilustres habitantes da&lt;br /&gt; casa dos espelhos, meu &lt;br /&gt; abrigo nessa experiência "polonhense".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Ouvia dos moradores que rapidamente eu ficaria&lt;br /&gt; "polonhense". Não entendi &lt;br /&gt; muito bem o que, ao final do percurso, e só de volta&lt;br /&gt; à vida urbana, pude &lt;br /&gt; perceber.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Ficar "polonhense", para mim, foi entrar numa&lt;br /&gt; sensação de humanidade e uma &lt;br /&gt; vagareza saudável, por "supuesto". Para o banho,&lt;br /&gt; esquentava a água e &lt;br /&gt; despejava naquele balde-gambiarra que vira um&lt;br /&gt; chuveiro. Fiquei com saudade &lt;br /&gt; da ducha de hotel cinco estrelas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Mas da janela do banheiro eu podia ver o mar e o&lt;br /&gt; farol de Polônio, um dos &lt;br /&gt; muitos cheio de histórias daquele país. Com um farol&lt;br /&gt; daquele tamanho, &lt;br /&gt; Polônio é conhecido por naufrágios históricos e&lt;br /&gt; encalhe de navios. Um desses &lt;br /&gt; casos envolve o Dom Guillermo, um navio que "atuou"&lt;br /&gt; na Segunda Guerra &lt;br /&gt; Mundial.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O que restou da embarcação é visto numa das praias&lt;br /&gt; de Polônio, uma porção de &lt;br /&gt; ferragens retorcidas fincadas na areia e nada mais.&lt;br /&gt; Leo, o dono da casa, me &lt;br /&gt; doutrinou sobre a água.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Disse que um banho como aquele equivale a um minuto&lt;br /&gt; do nosso chuveiro na &lt;br /&gt; cidade. Lembrei que meu banho é longo quando estou&lt;br /&gt; bem triste ou bem alegre. &lt;br /&gt; Naquele "transe" da quase-ilha eu não tinha nenhum&lt;br /&gt; sentimento radical.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Leo foi o primeiro e único prefeito de Polônio.&lt;br /&gt; Despachava na casa dos &lt;br /&gt; espelhos, promovendo jantares à noite entre os&lt;br /&gt; moradores, antigos &lt;br /&gt; pescadores, turistas que decidiram se radicar,&lt;br /&gt; hippies em trânsito e uma &lt;br /&gt; sorte de gente com variados interesses, mas como a&lt;br /&gt; mesma paixão pelo lugar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Há uma pendenga sobre as propriedades em Polônio. O&lt;br /&gt; Estado é o dono, teria &lt;br /&gt; emprestado para os moradores e, agora, quer cobrar&lt;br /&gt; uma taxa mensal pelo uso &lt;br /&gt; das areias e grama.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Tudo é bem recente, mas o consenso é que o turismo&lt;br /&gt; deverá ser controlado &lt;br /&gt; porque não há estrutura para acolher muita gente; e&lt;br /&gt; os lobos-marinhos e todo &lt;br /&gt; aquele cenário vivo podem se estressar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; É certo que racionar água e luz quando se está&lt;br /&gt; cercado de beleza e calma não &lt;br /&gt; dói tanto. Mas, afinal, do que mesmo a gente&lt;br /&gt; precisa?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5460011990696146445?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5460011990696146445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5460011990696146445' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5460011990696146445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5460011990696146445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/salve-polnio.html' title='salve polônio!'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1640569700433942234</id><published>2007-11-02T18:43:00.000-07:00</published><updated>2007-11-06T10:56:50.756-08:00</updated><title type='text'>E eu com isso?</title><content type='html'>Há três rolos de papel higiênico em cima da caixa de descarga, para nunca faltar. Mas o suporte na parede está sempre vazio. As funcionárias da empresa entram, usam o banheiro durante todo o dia, se contorcem para pegar o papel atrás delas, porém não se dão a um trabalho menor, que é repor novo rolo no suporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pizzaria, oito pessoas de uma mesma família se refestelam. Uma criança joga a tampinha da garrafa no chão. Nada acontece. Ninguém sequer olha para baixo. Todos comem, bebem, riem, vão embora e a tampinha fica lá, até que o garçom se abaixe e a recolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe e dois filhos estão na sala de espera do consultório pediátrico. Uma babá cuida do filho menor. Ele anda pra lá e pra cá com um copo de plástico vazio na mão. Quando cansa do brinquedinho, joga-o fora. Ali mesmo, no meio da sala de espera. Nem mãe nem babá se manifestam. O copo permanece no mesmo lugar e uma outra criança o pega e o põe no lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas pessoas são as mesmas que reclamam do governo, seja ele do PT, PSDB, DEM, PDT ou PQP; são elas que se lamentam de preços altos, da falta de educação do motorista ou indiferença do garçom; falam mal do som alto na casa do vizinho, do prefeito que não manda limpar a praça e da copeira que trouxe o cafezinho frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas que exigem todos os seus direitos, querem seus desejos satisfeitos “porque sou um cidadão que paga seus impostos”. Mas, infelizmente só se lembram disso na hora de cobrar. Cobrar sim, do dono do bar, quando recebe a conta errada para mais, e é incapaz de solicitar a correção do erro, quando a mesma conta vem cobrando menos do que foi consumido. Com a maior cara de pau o ‘cidadão’ sai de fininho, com ar de vitorioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pergunto: são essas pessoas que vão salvar o planeta? São esses exemplos de falta de educação e cultura que vão se unir para reverter os efeitos do aquecimento global?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo cenas como essas acontecerem à minha frente, não sei se fico irritada, indignada ou triste. Estamos no século 21, vivemos uma hipermodernidade que nos obriga a prestar atenção no mundo a nossa volta. Todas as informações estão aí, ao alcance de todos: na televisão, nos jornais, nas rádios, na Internet, nas escolas, nas faculdades, nas ruas. Não dá mais para fazer ouvidos moucos, fingir que “não é comigo” e continuar parando o carro em cima da faixa de pedestres. É inconcebível varrer a sujeira do meu quintal e jogar tudo na calçada do vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que entra no banheiro e não perde 15 segundos do seu tempo para pendurar o rolo de papel higiênico se comporta como se não pertencesse ao mesmo mundo das outras pessoas. É o que ocorre com o pai ou a mãe que vêem o filho jogar lixo no chão e não reagem. Pensam, provavelmente, que o espaço público não pertence a eles, justamente por ser público. “Ah..! Deixa pra lá que depois vem alguém e limpa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que é público é nosso; não pertence ao governo, ao dono da empresa ou da pizzaria e nem é de responsabilidade única do servente que faz a limpeza. Esse hábito de empurrar o dever para o outro é que fez o nosso planeta ficar como está. Falta civilidade, falta senso de urbanidade, falta apropriação do que é de todos. Cuidar, proteger, fazer a própria parte. É disso que o planeta, o país, a cidade, o bairro precisam. Para ser cidadão é preciso ter educação, caráter mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga ansiosa está iniciando um projeto ambiental, que prevê várias ações no âmbito acadêmico. E fala que é preciso “andar rápido, pois a conscientização de alunos e professores não pode mais demorar”. Eu pergunto, de novo: conscientizar? De que jeito? Ninguém conscientiza ninguém. O sujeito é que se conscientiza, a partir de um processo de conhecimento, de um movimento reflexivo próprio. E como um indivíduo que sequer recebeu educação básica – por favor, muito obrigada, com licença, bom dia, boa tarde – consegue adquirir consciência? Tem estudante de medicina por aí, jogando latinha de cerveja na estrada, pela janela do carro, a caminho da faculdade. O que se faz com alguém assim? Bate na bunda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada é necessário aprender o que é respeito e em seguida colocar em prática. Considerar que o outro tem os mesmos direitos e desejos, que a água que deixo exposta no meu quintal vai levar dengue para a casa ao lado. E que todos ficaremos doentes juntos, sejamos pobres, ricos, negros, velhos, crianças, se não exercermos nossa cidadania em favor da coletividade. É o mínimo que se pode exigir de um cidadão.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1640569700433942234?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1640569700433942234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1640569700433942234' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1640569700433942234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1640569700433942234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/11/e-eu-com-isso.html' title='E eu com isso?'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5526595112681892714</id><published>2007-10-25T04:45:00.000-07:00</published><updated>2007-11-06T04:16:53.150-08:00</updated><title type='text'>When it rains, it pours</title><content type='html'>Chuva no Rio sempre foi motivo de transtorno. Antigamente, começava o verão e a gente já sabia: vai ter gente morrendo, perdendo casa, faltando ao trabalho.&lt;br /&gt;Nos tempos da Pólen me vi uma vez quase afogada em Madureira, e olhem, não tinha celular naquele tempo não. A gente ficava presa no trânsito e não tinha nem como avisar em casa, que dirá bater um papo (ou fotografar o caos e mandar um torpedo) pra se distrair. Nesse dia de Madureira o que me restou foi me conformar, estacionar o carro — é. naquela época eu tinha um. tive até motorista por um tempo, gente, sério: um preto supercharmoso, o Aloísio, que me levava pra lá e pra cá... num bugre vermelho sem capota, acreditem —, e esperar no bar a chuva melhorar, entre um chope e outro. Depois trabalhei na Fundição Progresso, pra quem não sabia fui produtora de artes plásticas lá durante o governo Collor (?), e lá vem verão, e chuva, e ruas alagadas e eu afogada de novo, o carro morto na Glória. Sem glória nenhuma, só o jantar forçado no alemão que tinha lá. A gente até aprendia a enxugar as velas naquela época, será que era isso mesmo? Ou vocês pensavam que nunca houve um tempo sem injeção eletrônica, me perdoem se estou falando besteira. Apesar de ter um irmão peagadê no assunto, não entendo nadinha de carro, e como todo mundo sabe, já nem tenho um. Desisti. Embora goste, de vez em quando, de dirigir sem rumo. E sem chuva, é claro.&lt;br /&gt;O pior ainda não contei. Quando eu vivia em São Conrado, ao alcance das balas perdidas da Rocinha quando balas perdidas nem eram notícia ainda, fiquei ilhada na minha casa por quatro dias seguidos. Eu morava sozinha naquele baixio da curva, perto da Sendas, onde a rua sempre, sempre alagava quando chovia. Mas daquela vez foi um desastre. Não fiquei tão mal, é claro, quanto os pobres coitados que na mesma chuva perderam vida, casa, tudo. Só perdi tempo e um pouco de paciência, mas que me senti flagelada é fato. Começou não tendo luz. Depois cortaram o telefone e o gás. A água do prédio, ironia, acabou. Só sobrou a virada da minha piscina de fibra azul-clara, que salvou a paz olfativa de muita gente no prédio, fala sério: não servia pra cozinhar, mas pra outra coisa rolava, e tudo bem: toca pra frente até a água baixar, a gente enrolada na nossa arquinha esquecida de noé. Depois disso, claro, e não só por isso (o tráfego de balas também aumentou) acabei vendendo, pela metade do preço, a bela cobertura duplex de São Conrado. Os flagelados de Rio das Pedras levaram 90% das minhas belas roupas quando eu decidi optar pela simplicidade voluntária, já morando no Alto Leblon, onde qualquer chuvinha nos proporciona uma versão privada das Cataratas do Iguaçu.&lt;br /&gt;Hoje estou com mais sorte. Graças ao advento do computador, da internet, do celular e dos blogs — não necessariamente nessa ordem —, trabalho em casa. Se chove, não saio e pronto. Tá certo. É o maior privilégio, a não ser, é claro, quando a gente não ganha nem um tostão há anos, e a grana não dá nem pra academia. Ah, gente, essa aí foi apelação mesmo: não vou mais à academia por vontade própria, e quando chove no Rio, depois da — segundo o jornal — mais longa seca desde 1997, perco a contragosto o meu exercício diário: um tremendo transtorno. Tenho que me virar sem a minha dose cotidiana de serotonina na veia, fazer o quê.&lt;br /&gt;Pelo menos fico sabendo, pela internet — é, porque hoje, devido às chuvas, o jornal atrasou —, que &lt;a href="http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2007/10/24/326895651.asp" target="blank"&gt;a tendência ao otimismo &lt;/a&gt;não só é humana, mas até bem normal: uma estratégia natural de sobrevivência, embora tentem, a todo custo, nos tirar este remédio natural do estojo de emergência.&lt;br /&gt;Choveu, tá ruim. Não choveu, tá ruim. Acabo concluindo é que repórter urbano é jovem demais pra conhecer a história dessa cidade, Rio que me seduz, de dia falta água de noite falta luz. O que não justifica os desastres, claro, nem o desleixo da prefeitura, mas vamos combinar: caíram menos encostas desta vez, e mesmo gente, até que morreu menos. Vai ver é porque com o tiroteio nos morros não sobrou ninguém pra morrer no desabamento. Ponto pro tráfico liberado de drogas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5526595112681892714?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5526595112681892714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5526595112681892714' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5526595112681892714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5526595112681892714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/when-it-rains-it-pours.html' title='When it rains, it pours'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2402563797016143360</id><published>2007-10-24T12:40:00.000-07:00</published><updated>2007-10-24T15:43:58.709-07:00</updated><title type='text'>acalentos e acalantos</title><content type='html'>&lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;foi pra não pensar em você que decidi pôr ordem nas coisas: lavei a casa, mudei todos os móveis de lugar, desinfectei o chão, coloquei cheiro de novidade no ar da sala, tirei a tv do quarto, troquei as fotos do quadro azul, recebi visitas, pedi mangueira azul no vizinho, coloquei o amontoado de roupas usadas pra lavar. outras músicas ouvi, suco de manga verde almocei, o celular desliguei, ao noticiário nacional assisti, a nina banhei, acessório no sofá coloquei, cores ao vidros vazios da prateleira dei. &lt;strong&gt;preenchi-me&lt;/strong&gt;. tudo para não ter um único pensamento em você.&lt;br /&gt;e exatamente na última faixa do cd - numa ode à grécia – eu penso nos deuses, na análise sintática das orações, em &lt;span style="color:#00ccff;"&gt;santorini blues&lt;/span&gt; (de novo o azul) e seu nome ecoa pela casa limpa, arrumada e vazia. foi justamente aí que a água começou a derramar do balde inundando o quintal, tendo que recomeçar a limpeza.&lt;br /&gt;sorri e pensei no quanto sou boba e que arrumo a casa e a vida pra te esperar chegar. &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;entrego os pontos&lt;/strong&gt;:&lt;strong&gt; é mais forte do que eu.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(0,0,0)" align="right"&gt;&lt;strong&gt;vem,&lt;br /&gt;se me trouxeres acalentos e acalantos&lt;br /&gt;eu fico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(fátima souza)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2402563797016143360?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2402563797016143360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2402563797016143360' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2402563797016143360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2402563797016143360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/acalentos-e-acalantos.html' title='acalentos e acalantos'/><author><name>Uma conversa e muitos laços</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09687678465496120309</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://4.bp.blogspot.com/_0GxxAvOUgIc/TPaZ61zIYOI/AAAAAAAARlc/wwE4uggwOuc/S220/camisa_estampa..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5317931564336649288</id><published>2007-10-20T08:37:00.001-07:00</published><updated>2007-10-20T08:37:56.322-07:00</updated><title type='text'>Porque hoje é sábado: reflexões impublicáveis de uma vaca judia</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8pPcxmvBV0g&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8pPcxmvBV0g&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás da beleza divina, da genialidade dos gestos, da história triste de exílio e infância pobre de Rudolf Nureyev, o deus da dança do século 20, não seria difícil imaginar a existência (como se viu, nem tão) oculta de um verdadeiro "monstro sagrado", como o descreve em sua "afetuosa" biografia a inglesa Julie Kavanagh. Mas pelo que se lê no artigo de Marília Martins publicado no Globo de hoje, e na &lt;a href="http://observer.guardian.co.uk/review/story/0,,2174855,00.html" target="blank"&gt;resenha linkada &lt;/a&gt;do Guardian, a coisa era ainda pior. Como todos os amantes da dança de minha geração sempre babei por Nureyev, a quem nunca tive a oportunidade de assistir no palco. Nem por isso achei agradável saber que o ídolo "transava com homens por paixão e com mulheres por interesse", traía seus mecenas e ainda por cima os ofendia em público, como fez com Jane Hermann, diretora do Met, ao chamá-la de "jewish cunt" num restaurante.&lt;br /&gt;Mas deixa isso pra lá porque hoje é sábado, dia de indulgências, de ficar à vontade, de recair em vícios que vimos combatendo com grande empenho. Calma, gente. Não estou falando de ler e citar o jornal, mas da mania auto-imune de extrair verruguinhas e casquinhas de ferida com a unha, arrancando sangue da minha pele fina.&lt;br /&gt;Confissões à parte, não vou me estender demais, vocês sabem. Como toda mulher moderna, enfrento todo dia uma jornada dupla, ultimamente tripla, é: sou escritora, agora &lt;a href="http://mecenatomoderno.org/"&gt;benfeitora das artes&lt;/a&gt;, e last but not least não tive filhos mas tenho marido, o que todo mundo sabe, dá um trabalho danado. (Todo mundo sempre soube mas foi Cecília Troiano quem escreveu a respeito, em seu &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4495&amp;amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8531609887" target="blank"&gt;"Vida de Equilibrista"&lt;/a&gt;.) Não é à toa que estou sempre exausta. Ultimamente mais ainda, porque não durmo há dias. Basta eu cair naquele sono gostoso, debaixo do meu cobertor de lã, pra acordar meia hora mais tarde morrendo de sede e calor, suada, com a mente ocupada em destrinchar mais um detalhezinho do meu projeto de Mecenato: a última idéia é montar uma loja online pra vender os livros, fotos, desenhos e esculturas dos MeMo's a preço voluntário, num contato direto do artista com o seu consumi... ops: admirador. É, gente. Depois dos Radioheads, preço voluntário é o último hit, que Creative Commons que nada. Mais sobre isso mais tarde, isso é, bem mais tarde, porque neste sábado, fala sério, preciso:&lt;br /&gt;- ler o jornal atrasado da semana inteira&lt;br /&gt;- ler o New York Times com ênfase para o Book Review&lt;br /&gt;- terminar meu projeto MeMo para entregar ao MinC&lt;br /&gt;- preparar um superespaguete ao molho fresco de manjericão orgânico&lt;br /&gt;- dar atenção ao maridinho, coitado, seduzido, esquecido e abandonado&lt;br /&gt;Isso, claro, se eu não ceder à tentação de passar o sábado inteiro montando a estrutura da tal da loja MeMo, mais um item delirante no meu sonho de "fazer pelos outros o que queres que façam por ti".&lt;br /&gt;Pra terminar, pode até ser que eu esteja ficando burra — ou quem sabe simplesmente exausta —, mas não consegui entender se a resenha do badaladíssimo romance novo de João Paulo Cuenca, no Prosa de hoje, elogia ou critica. A coisa é por demais morde-e-assopra, e na minha memória só sobrou uma frase: &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4495&amp;amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8522008922" target="blank"&gt;"O Dia Mastroianni"&lt;/a&gt; não busca profundidade. O que para mim bastou, porque o "ritmo e velocidade, impactos e sustos, personagens se drogando, se embebedando e trepando sem afeto" passam uma impressão ensurdecedora de barulho, e como muito bem diz Frei Betto, "há demasiados ruídos à nossa volta". Temos direito a um pouco de silêncio, pelo menos aos sábados. E a esperar que valha a pena essa nova vida de mecenas moderna... que meu projeto "pegue" e que meus futuros protegidos, entre os quais se inclui meu eu escritora, não decidam um dia se voltar publicamente contra mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5317931564336649288?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5317931564336649288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5317931564336649288' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5317931564336649288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5317931564336649288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/porque-hoje-sbado-reflexes-impublicveis.html' title='Porque hoje é sábado: &lt;br&gt;reflexões impublicáveis de uma vaca judia'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8955439874937005613</id><published>2007-10-19T18:09:00.001-07:00</published><updated>2007-10-19T18:09:59.721-07:00</updated><title type='text'>As pré-balzaquianas</title><content type='html'>- Amiga, estou em crise. Já vou chegar aos trinta. Isso significa que nunca mais vou ser gatinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que uma pessoa querida me confessou entre um e outro copo de café gelado. Quando respondi que a tal crise pré-balzaquiana não me afeta, pelo menos por enquanto, ela me olhou com certo espanto, que logo foi substituído por um quê de admiração. "Me diz como você faz", ela me pediu. Esta crônica então é para atender a este pedido e tentar, quem sabe, remediar a ansiedade que muitas garotas sofrem ao chegarem perto dos trinta e entenderem que não podem adiar mais suas vidas como mulheres feitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas sofrem da "síndrome" de um jeito esparramado, querendo assumir de vez a nova condição, sem sucesso. Outras a enfrentam de um jeito discreto, como se não estivesse acontecendo. Existem ainda aquelas que experimentam seus efeitos retardados, alguns anos depois de chegarem na terceira década, mas, independente de seus sintomas, talvez nenhuma de nós esteja imune. A crise dos trinta parece ser um desses joanetes filosóficos que machucam nossos pés de vez em quando. Talvez a crise seja o calcanhar de Aquiles das mulheres. Eu não sei bem, ainda não fui acometida pelos sinais. Até o presente momento, o retorno de Saturno tem se mostrado muito generoso comigo. Ah, não sabe o que é o retorno de Saturno? Bom, toda mulherzinha deveria saber. Se você não sabe, das duas uma: ou é homem ou não é mulherzinha, então, certamente, esta crônica não é para você, que não está passando por uma crise e não está nem um pouco preocupado(a) com o que possa advir disso. Então pare de ler por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pré-balzaquianas não precisam da sua compaixão. De uma certa forma, não precisam da compaixão de ninguém. Dispensamos pena. Entretando, contudo, porém, queremos ser compreendidas. Ouvidas, pelo menos. E ficam certos questionamentos: será que algum dia nós superamos esta suposta crise ou o que acontece é que encontramos ferramentas cada vez mais sofisticadas para escondê-la? Será que disfarçamos as preocupações, tentando apagá-las com os tratamentos estéticos de ponta? O que fazer para não nos pegarmos dizendo aquela frase da música, "ah, se eu soubesse o que eu sei"? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, vamos por partes. Vamos voltar ao início. Nós nunca mais seremos gatinhas. Isso lá é verdade. "Eu posso ser uma mulher bonita, mas nunca mais vou ser gatinha", minha amiga argumentou já no segundo copo (será que pré-balzaquianas deveriam tomar tanta cafeína?).Tudo bem, quem precisa ser gatinha? Desde quando ser "inha" virou sinônimo de beleza? Será que damos tanto valor à juventude que, quando ela começa a parecer distante, não nos sobra mais nada para oferecer? E quem disse que ser jovem é o mesmo que ser bonita? Acreditar nisso significa que precisamos perpetuar uma indústria antinatural que corre contra o tempo, que nos aprisiona num padrão e nos obriga a sermos novas, praticamente saídas da puberdade, com pele lisa, sem celulite ou estrias, corpo sarado, proporções perfeitas, seios turbinados, sorriso imaculadamente branco e enfileirado, ou seja, você tem que corresponder a uma imagem que mulher alguma reflete no espelho de casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mensagem é clara: minha filha, você não pode ser o que é. Se vire. Você já era. Você é &lt;em&gt;last season&lt;/em&gt;, é &lt;em&gt;vintage&lt;/em&gt;, é retrô, existe um exército de pós-pubescentes muito mais bonitas que você, muito mais frescas, muito mais gostosas. Se vire. Volte no tempo. Estique a cara. Previna as rugas. Depile tudo. Tudo mesmo, viu? Para ficar peladinha feito uma menina... O recado que nos passam é vil e impuro e desleal. Vivemos numa sociedade esquizofrênica que diz que deu liberdade e autonomia às mulheres, mas que desconsidera seus corpos, sua real sexualidade, seus desejos, seus valores, suas necessidades. Somos tratadas como eternas meninas num mundo que praticamente nos impede de sair da Terra da Nunca. Não somos levadas a sério, nossos pensamentos são menores, nossas vontades são menores (e nossa renda idem), nossos corpos têm que cumprir a árdua tarefa de regredir no tempo. Não tenho mais vergonha do ridículo, então vou dizer: para mim isso é pedofilia institucionalizada. É patrulha. É prisão. Nós só achamos que estamos livres, mas fazemos de tudo para cumprir padrões que não escolhemos. Queremos tanto nos encaixar, encontrar nosso lugar num mundo excessivamente masculinizado, que somos capazes de qualquer sacrifício, somos capazes de abdicar de nossos prazeres para chegarmos um pouco mais perto de uma quimera. O que é melhor? Ser infeliz e perseguir um ideal impossível ou optar por uma vida plena, livre da vergonha de ser quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está bem, talvez eu esteja exagerando ou sendo muito radical. Normal para mim, embora meu bom senso (ou intuição?) já tenha me salvado de poucas e boas. Vou dizer para vocês por que a crise pré-balzaquiana é desnecessária. Para isso, ilustro com minha própria experiência. Me deixem regredir dez anos... Quando eu tinha dezoito, pesava de cinco a dez quilos a menos do que hoje e me achava gorda. Não tinha vivido um grande amor. Não ganhava meu dinheiro. Não fazia idéia do que queria ser quando crescesse. Era preconceituosa. Tinha medo de viver e de me entregar. Não tinha experimentado boa parte das aventuras que a vida oferece. Ou boa parte das desventuras. Era de poucos amigos. Escondia meus quereres. Acordava já achando que o mundo estava de mal comigo, que eu era uma coitadinha. Me digam como é possível ter saudade disso? Hein? Talvez seja por todos esses fatores que eu tenha me reconstruído. E que não exista motivo algum para querer disfarçar qualquer sinal da passagem do tempo. Para que ter vergonha da idade se é ela quem nos oferece tantos presentes? É viável caminhar neste mundo sem perder a essência rebelde da adolescência, mas abraçando os ganhos e a positividade do tempo. Ele nada nos toma. Apenas ensina e modifica. Hoje, dez anos depois, aprendi a dançar, amar, perder e ganhar, aceitar elogios, acordar com um sorriso no rosto, ter esperança, ver poesia num homem dormindo na minha cama, escrever, dizer o que quero com responsabilidade, me expressar, pensar sem ter dor de cabeça, não pensar em nada e viver o aqui e o agora, usar franjinha, ter estilo, economizar, gastar dinheiro, trabalhar, fazer e acontecer, dar asas à minha porção hedonista, positivista, socialista, capitalista, epicurista ou qualquer outro "ismo" que esteja na moda (sem esquecer de quem sou e o que estou fazendo aqui), ter senso de propósito, fazer as sombrancelhas, devorar o mundo com gula e agradecer cada oportunidade recebida. Agora me digam por que eu sentiria falta do passado? Por que seria quem sou hoje sem carregar no corpo as marcas da minha vida? Por que teria que abdicar da minha flexibilidade para viver uma ilusão? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou confessar: não vejo a hora de aparecerem as primeiras ruguinhas, de ver o corpo modificado pela chegada dos filhos e pentear as mechas brancas nos cabelos. Louca? O dia em que eu não puder mais ser "louca"... Mas preciso dizer que acho que loucas podem ficar todas as mulheres que se rendem a esta prisão das idéias, a estes desprazeres. Loucas são todas as que acordam e não conseguem ver a vida num raio de sol, todas as que não aceitam o convite dos mistérios para dançar. E, se o que vejo hoje foi trazido pelo tempo, significa que, com os anos, passarei a enxergar e conhecer mais e mais. Agora me digam por que eu haveria de querer ser o que eu não sou? E, se a revolução de Saturno tem sido tão proveitosa, que venham as próximas, que eu seja sacudida pelos ventos, pelos furacões da alma, que eu não tenha vergonha das minhas futuras pregas nas mãos, que eu continue vívida por dentro, viva por fora, radiante, com a beleza das pessoas felizes, não a beleza falsa e adúltera dos que vivem perseguindo os estereótipos. Minha franqueza pode assustar alguns. Existem inclusive os que fogem da verdade para conservar as aparências de louça. Minha crônica é em homenagem a você, minha amiga. Que a crise pré-balzaquiana vá embora tão logo você assopre as velinhas, porque o tempo sim é irreversível, a nossa evolução, não. Balzaquianas, é? Que cheguem os próximos dez, vinte, trinta anos. Serão recebidos de braços abertos e com muita festa, como se recebe a todos os bons amigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8955439874937005613?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8955439874937005613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8955439874937005613' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8955439874937005613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8955439874937005613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/as-pr-balzaquianas.html' title='As pré-balzaquianas'/><author><name>Reiki pela vida</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8495680614786559416</id><published>2007-10-15T14:39:00.000-07:00</published><updated>2007-10-15T14:42:22.348-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>da janela não via nada&lt;br /&gt;Janela é pra se deixar ver&lt;br /&gt;E se perder nas múltiplas cores de fora&lt;br /&gt;Resguardando as metades de dentro&lt;br /&gt;Janela é espiadouro do nada&lt;br /&gt;É hábito da gente&lt;br /&gt;É o pra fora da casa&lt;br /&gt;Protegendo os gostos de dentro&lt;br /&gt;Os cheiros rápidos do fora&lt;br /&gt;Imunes ao contorno dos quatro cantos&lt;br /&gt;Na janela&lt;br /&gt;A vida é o limite&lt;br /&gt;No quase encontro dos &lt;br /&gt;dentro e fora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8495680614786559416?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8495680614786559416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8495680614786559416' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8495680614786559416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8495680614786559416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/da-janela-no-via-nada-janela-pra-se.html' title=''/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1865834236917443236</id><published>2007-10-14T06:56:00.000-07:00</published><updated>2008-12-13T03:07:14.137-08:00</updated><title type='text'>É dose!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Autora mulherzinha faz beicinho e esperneia contra críticas infundadas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Publicado originalmente em &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/paralelos/"&gt;http://oglobo.globo.com/blogs/paralelos&lt;/a&gt; .)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou sendo vítima de um desserviço literário cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois dias, recebo um telefonema de minha editora me comunicando que enfim o Prosa &amp; Verso me daria de presente uma resenha sobre meu livro de contos "Amor em pílulas", lançado em novembro do ano passado. "Quase um ano depois", pensei. "Antes tarde do que nunca". O fato é que ainda estou esperando pela tal &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LD5flKrhAv8/RxNsK5AYhcI/AAAAAAAAAAk/lZEdijwfuaE/s1600-h/resenhaamorempilulas.jpg"&gt;resenha&lt;/a&gt; e o café do fim de semana prolongado foi tomado ao sabor de presente de grego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica de Beatriz Resende, recheada de achismos que uma segunda leitura do livro trataria de desfazer, aponta uma certa "pressa", que, segundo ela, comprometeu o aproveitamento de "Amor em pílulas", estando ele incompleto, como se precisasse de um fermento para crescer. Acusada de "fazer beicinho" e ter "súbitas crises de mulherzinha"(o que está longe de ser qualquer atributo literário), vim aqui, ao nosso espaço virtual, para espernear, como boa emergente que sou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amor em pílulas" é sim um livro-laboratório. Ele reúne contos e experimentações (em sua maioria publicados em primeira mão na internet, em sites literários como Blogautores, a extinta Patife, Bestiário, a própria revista Paralelos e meu finado blog "à segunda vista") que foram alvo de críticas e elogios muito mais construtivos e consistentes do que este rol de acusações vazias, em tom até mesmo pessoal, na melhor tradição impressionista de análise de texto, que não encontra embasamento nos próprios contos que deseja "discutir". Não há espaço para discussão. As frases da crítica são usadas de maneira autoritária, dignas de quem não aceita qualquer outra proposta formal diferente do conto clássico.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha "atração pelo presente" e minha pressa devem ter contaminado Beatriz Resende, porque sua suposta resenha sofre do mesmo mal crônico. Traduz uma leitura rasa e mal cuidada. Seu texto contém erros de digitação e informações mal apuradas, vindas de uma rápida pesquisa do meu nome no Google, deixando claro para um bom leitor a opinião da crítica a respeito da literatura online. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet é o espaço "experimental" (entenda-se: de pouco ou nenhum prestígio acadêmico), enquanto o livro é um lugar canônico, sagrado, intransponível, onde meros plebeus, como eu, não podem transitar. Ou seja, se você quer ser escritor, independentemente do veículo de expressão, não dê sua cara a tapa, esconda-se num pseudônimo, respeite as regras dos manuais escolares de redação e não tenha um pingo de audácia. Muito menos o atrevimento de nunca estar pronto. Escritor bom deve ser escritor morto, não é? Estar no presente é uma ofensa. Quais são os predicados que um escritor deve ter para ser lido? Quando ele atinge o merecimento da maturidade? Seria ele escravo de uma única obra-prima para o resto de sua existência? Ou o julgamento é precário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me admira que um suplemento literário de renome como o Prosa &amp; Verso tenha a coragem de publicar um texto tão baixo, que ultrapassa os limites de uma crítica negativa, chegando à injustiça rasgada. Lamento que Beatriz tenha perdido seu precioso tempo com minhas notas de bloquinho. Eu perdi o meu abrindo o jornal esta manhã. É o que acontece com os novatos que não querem cultivar círculos de amizade cheios de interesse, que precisam aparecer nas livrarias para consignar como se pedissem um favor. Me sinto uma versão de luxo dos poetas que vendem seus textos a R$ 1 nas portas das faculdades. Mas podem ter certeza que não escrevo para mendigar elogios gratuitos. Escrevo para crescer e para isso não preciso de receita de bolo. Umas vezes posso colocar açúcar demais, outras de menos, mas é o meu bolo e isso deve ser motivo de inveja para alguns.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1865834236917443236?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1865834236917443236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1865834236917443236' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1865834236917443236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1865834236917443236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/dose.html' title='É dose!'/><author><name>Reiki pela vida</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5151868070897171280</id><published>2007-10-13T10:24:00.000-07:00</published><updated>2007-10-13T10:25:38.844-07:00</updated><title type='text'>Overdose</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4495&amp;amp;tipo=2&amp;amp;isbn=858912665X" target="blank"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="Amor em Pílulas na Livraria Cultura" src="http://www.noga.blog.br/bia.jpg" width="120" /&gt;&lt;/a&gt;----- Original Message -----&lt;br /&gt;From: Noga Lubicz Sklar&lt;br /&gt;To: Ana Beatriz Guerra&lt;br /&gt;Sent: Saturday, October 13, 2007 12:16 PM&lt;br /&gt;Subject: Há críticas demais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oi, Bia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, parabéns pela &lt;a href="http://www.noga.blog.br/biareview.jpg" target="blank"&gt;resenha no Prosa &amp;amp; Verso&lt;/a&gt;: sempre ajuda em alguma coisa. Se a menciono é mais para rebatê-la, rsrs, agora que já terminei de ler seu livro. Fiquei meio atrasada porque me envolvi numa loucura de projeto, se tiver tempo dá uma olhada: &lt;a href="http://www.mecenatomoderno.org/" target="blank"&gt;http://www.mecenatomoderno.org/&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Curti demais o "Amor em Pílulas", o conto, e as listas da segunda parte. Entre os outros contos de alguns gosto mais, de outros menos. Acho que ando com uma certa birra de personagens de ficção, sei lá, e engasguei um pouco, em raros momentos, no ritmo da prosa. Até concordo com a crítica de Beatriz Resende quando diz, sem dizer muito, que a escrita cresce ao longo do livro, mas não entendo essa insistência em exaltar "a crueldade demais" em detrimento do "amor demais". É por isso que o mundo não vai pra frente. Ou vai, mas segue tropeçando. Digo isso, claro, sem conhecimento de causa. Ainda estou no amor; não cheguei na crueldade e queira Deus que não chegue nunca (fora do livro, I mean). Isto dito, não vi crueldade demais nos "Contos de loucura", apenas desamparo: o outro lado, o lado sombra do amor, que o faz valer ainda mais a pena. Pois loucura é exatamente isso: o avesso, a falta total de amor.&lt;br /&gt;Achei o "Dermografismos" muito interessante, neste ponto concordo com a Beatriz. É baseado no &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0114134/" target="blank"&gt;filme do Greenaway&lt;/a&gt;, não? Adorei o texto decalcado nos lençóis, sério, foi o que gostei mais que tudo, é dessas coisas que faz a gente ainda se animar com a literatura.&lt;br /&gt;Quanto às listas, que sua semi-xará considera apressadas, você já sabe: eu achei lindas. Que mania de criticar a criação alheia por algo que você mesmo não entende! Pô! As listas, digo e repito, são lindas, e deixam ao espectador o trabalho de elaborá-las, ou digeri-las. Ponto pra elas. Ponto pra eles.&lt;br /&gt;A gente cresce fazendo, Bia, não vejo porque você deveria esperar mais. Tem muita gente grande por aí que não é digna de lamber os seus pés, e muito escritor imaturo fazendo sucesso com textos menores, só porque são queridinhos da mídia.&lt;br /&gt;Já tenho na cabeça a primeira frase do meu artigo: "o talento promissor da escritora &lt;a href="http://proparoxitonas.blogspot.com/" target="blank"&gt;Ana Beatriz Guerra&lt;/a&gt; me serve de consolo", ou algo assim, querendo com isso, claro, lucrar alguma coisa ao afirmar que fazemos parte da mesma turma de escritoras não-devidamente-reconhecidas. Afinal de contas (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; "Amor em Pílulas", página 119), também preciso da grana, mas não é por causa disso que te resenho. É só por amor à literatura, entende? E pra evitar sofrer um dia a dor do seu personagem, que injeta a realidade da cocaína na veia porque "já não suporta mais viver de ilusões".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me aguarde. Beijos! N&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5151868070897171280?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5151868070897171280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5151868070897171280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5151868070897171280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5151868070897171280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/overdose.html' title='Overdose'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5210905812810029329</id><published>2007-10-10T15:46:00.000-07:00</published><updated>2007-10-10T15:47:59.603-07:00</updated><title type='text'>Pratique o eu</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://www2.uol.com.br/millor/" target="blank"&gt;para Millôr&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;o&lt;/span&gt;olhos-de-pinter, d'àpres Steven Forrest/ The New York Times&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://www.noga.blog.br/pintereye.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sou nada. /Nunca serei nada. /Não posso querer ser nada. /À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.", diz Fernando Pessoa, quero dizer, Álvaro de Campos, em seu poema &lt;a href="http://www.insite.com.br/art/pessoa/ficcoes/acampos/456.html" target="blank"&gt;"Tabacaria"&lt;/a&gt;, linkado por Carla Rodrigues em seu &lt;a href="http://www.carlarodrigues.com.br/?p=150" target="blank"&gt;blog&lt;/a&gt;. Fernando Pessoa é pessoísta à beça. Enquanto escreve seus poemas magistrais, descreve a si mesmo como o mais vil dos homens, abjeto, um fracasso completo se comparado aos demais, como reforça este outro poema dele — &lt;a href="http://www.revista.agulha.nom.br/fpesso34.html" target="blank"&gt;Poema em linha reta&lt;/a&gt; — que eu sei quase de cor e no qual me reconheço. Fala sério: é muito pessoismo.&lt;br /&gt;Comparar-se aos outros é mesmo um perigo. É causa ou efeito de depressão, uma doença que piora com a idade, é, gente, a velhice tende mesmo ao pessimismo, não é? Bem. Às vezes não. Como prova o habitualmente irônico Millôr Fernandes, do alto glorioso de seus 84 anos: "O mundo melhorou. Estamos vivendo o melhor momento da humanidade. A higiene é recente. Antigamente, a média de idade era 42 anos, hoje é 80." Tá certo. É bem millôr reconhecer isso. Mas o rótulo de humorista, o jornalista recusa e o entendo muito bem. Se é perigoso ser otimista, fazer humor é mais perigoso ainda.&lt;br /&gt;É o Alan quem me ensina: "o sarcasmo é a forma mais baixa de inteligência." Quanto a mim, não sei porque, desde que casei com ele venho me tornando cada vez mais mordaz, e isso, apesar da vidinha feliz e pacata que nós dois levamos. Por outro lado, foi ele mesmo quem me apresentou ao humor corrosivo de &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=MeSSwKffj9o" target="blank"&gt;George Carlin&lt;/a&gt;, não custa nada sklarecer. Aos meus ouvidos brasileiros soou, a princípio, meio estranho: um tipo de humor que não se aprende na escola, não, gente, de jeito nenhum: nasce com a gente, uma coisa assim, digamos, cárlica. Mas que se agrava com a prática... quanto a isso não resta dúvida, eu que o diga, com as minhas tiradas terrivelmente incorretas, como por exemplo o hábito de publicar certas coisas aqui no blog fazendo associações livres que ninguém mais entende, e até mesmo antecipando um &lt;a href="http://www.noga.blog.br/2007/10/moiss-mo-de-vaca.htm" target="blank"&gt;preconceito sutil &lt;/a&gt;que ninguém, mas ninguém mesmo, jamais perceberia se eu não o apontasse.&lt;br /&gt;Tomar os outros por si não faz bem nenhum. Pior ainda é seguir o conselho de quem nunca quer o bem alheio, como demonstra no Globo de hoje &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Babu_Santana" target="blank"&gt;Babu Santana&lt;/a&gt;, prêmio especial do júri no Festival do Rio. O ator nos conta que trabalhava em uma livraria no centro do Rio quando pensou em fazer o teste para o Nós no Morro, e ouviu da dona da loja: "Para que você quer fazer teatro? Você é feio, negro, queixudo. Corta um dobrado para sobreviver, para que tentar o teatro?" A atitude estimulante da moça não é incomum, mas vamos combinar, não foi nada babu da parte dela.&lt;br /&gt;Bom mesmo é praticar o eu. Quanto mais você é você mesmo, mais você mesmo você se torna, se é que vocês me entendem. Foi por isso que não entendi nada ao ler o título do artigo no Globo sobre Harold Pinter, reproduzido do &lt;a href="http://www.nytimes.com/2007/10/07/movies/07lyal.html?_r=1&amp;amp;oref=slogin" target="blank"&gt;New York Times&lt;/a&gt;, de onde vem também a foto aí de cima: "Aos 77, ainda pinteriano." Uai, gente. E quando você envelhece, deixa de ser você mesmo? Do que não gostei nem um pouco foi da tradução do adjetivo que é tema do texto, no inglês original "pinteresque". Pinteresco, esclarece a autora, significa "cheio de dicas obscuras e sugestões, que deixa a audiência na incerteza até a conclusão", uma descrição exata da "singular e inclassificável" obra de Pinter, hum, me identifiquei com essa. "Nunca consegui escrever uma peça feliz, mas consigo aproveitar uma vida feliz" me salva Pinter, mais uma vez.&lt;br /&gt;E por favor: não me acusem de elitista por linkar o New York Times, gente, não é nada disso. Só fiz isso porque o Globo não o permite, numa política bem assim, hum, deixa pra lá. Por falar nisso, o Alan reclamou à beça do meu projeto para os &lt;a href="http://www.mecenatomoderno.org/" target="blank"&gt;MEMO's&lt;/a&gt; que vai, segundo ele, na contramão das tendências, querendo cobrar pra ser lido (ou visitado), coisa de que a mídia online, em todo mundo, vem abrindo mão. Mas não, faço questão de esclarecer: a idéia do &lt;a href="http://www.mecenatomoderno.org/" target="blank"&gt;mecenatomoderno&lt;/a&gt; não tem nada a ver com cobranças mas sim, como o próprio nome diz, com &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mecenato" target="blank"&gt;mecenato&lt;/a&gt;. Em outras palavras: o milenar patrocínio de artistas por quem pode, e escolhe apoiá-los.&lt;br /&gt;Ah, sim, vocês perceberam. Parece que eu, finalmente, mudei de obsessão, e já não falo tanto no meu &lt;a href="http://www.noga.blog.br/hierosgamos.htm" target="blank"&gt;Hierosgamos&lt;/a&gt;, o fracassado romance que ninguém quer ler, mas agora vem cá: tá certo que a autora dele não é nada popular — é mau-humorada e de muito poucos amigos —, o que não altera em nada a qualidade literária do texto, não é mesmo? Pouquíssima gente o leu, e quem já o fez, adorou. Insistir nisso agora até parece renancismo, mas no fundo no fundo, é noguice pura. E estamos conversados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5210905812810029329?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5210905812810029329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5210905812810029329' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5210905812810029329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5210905812810029329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/pratique-o-eu.html' title='Pratique o eu'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-7522825282082843512</id><published>2007-10-10T06:49:00.000-07:00</published><updated>2007-10-10T06:53:16.722-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Esses zoinho azul&lt;br /&gt;Me trazem a notícia boa:&lt;br /&gt;Eu vivi&lt;br /&gt;Pari um mundo de memória&lt;br /&gt;As mãos dando nós&lt;br /&gt;A sua tristeza londrina&lt;br /&gt;de Minas&lt;br /&gt;Eu soube.&lt;br /&gt;Eu palpitei sem sino&lt;br /&gt;Só de zoinho azul passando&lt;br /&gt;Encaracolando  meu desejo&lt;br /&gt;Esvoaçando meu chororô&lt;br /&gt;Você que é tão dramático e nem sabe&lt;br /&gt;Meu personagem em preto e branco&lt;br /&gt;Remando pra lá da minha corrente&lt;br /&gt;Soluçando sorrindo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-7522825282082843512?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/7522825282082843512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=7522825282082843512' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7522825282082843512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7522825282082843512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/esses-zoinho-azul-me-trazem-notcia-boa.html' title=''/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-790036356892825393</id><published>2007-10-08T18:32:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T18:33:32.922-07:00</updated><title type='text'>As boas compras</title><content type='html'>Salvador, Bahia. Terra de sol, praia, água de coco e do povo manso. Do pelourinho, do farol, das baianas e seus acarajés quentes. Aliás, quente não é só a comida ou a temperatura indicativa de que estamos mais próximos ao equador. Quentes são as baianas e seu gingado. Felizes e com um papo que une esperteza, o manso e o gingado, os baianos também tentam ganhar a vida. Não rebolam ou usam longas saias brancas. Mas protagonizam momentos inesquecíveis, engraçados e, diríamos, de uma sinceridade singular. Para o feijão de cada dia, o jeito mesmo é rodar a baiana.&lt;br /&gt; O dia era comum, as pessoas eram as mesmas, o momento era férias. Dar um jeitinho na cor branco-cândida da pele paulista. Era Salvador a salvadora. E eu só conseguia pensar que o mês era agosto e meus amigos estavam passando frio na cidade de concreto. A São Paulo. Sem entender ao certo o porquê das pessoas fazerem a migração do mar azul e límpido, que eu observava naquele momento, para o agradável odor do famoso rio Tietê. Eis que me surge um soteropolitano que preferira o mar. Ganhava a vida na praia. Em seus braços, fortes e bronzeados, uma infinidade de colares, pulseiras e brincos. &lt;br /&gt; “Boa tarde, ‘dotô’. Vai um colarzinho para a namorada?”&lt;br /&gt; Não, eu não queria. Também não namorava. E talvez o fato de ele me lembrar disso me chateasse um pouco.&lt;br /&gt; “Não”&lt;br /&gt; Ele iria embora, assim como todo e qualquer vendedor ambulante que encontro nas praias do Guarujá. A clientela era vasta e ele não perderia tempo demais, ali, comigo. Ledo engano. O baiano não é o paulista. Ou o baiano-paulista. O baiano tem no seu sangue a tal da ginga que eu comentei. E era com essa ginga que ele queria me conquistar. Eu não era só mais um. Para ele cada um é um e todos formam o seu ganha-pão. Ele estava disposto. Bem disposto.&lt;br /&gt; “Calma senhor! Eu não quero vender nada não! Só quero conversar. Por que o que adianta eu vender isso aqui se amanhã eu vou morrer?”&lt;br /&gt; Ai meu Deus. Lembrou-me da falta de namorada e ainda diz que eu posso morrer amanhã. Não.. Eu não quero morrer amanhã! Ainda sou novo. Quero ter filhos. Preciso conhecer a França.&lt;br /&gt; “O senhor está de férias, eu estou de férias. É férias da vida, meu filho! Tá vendo esse pessoal todo aqui? Tá todo mundo de férias!”&lt;br /&gt; Sim, férias. E depois de um ano de correria, trabalho árduo eu tinha as minhas férias. Agora, esse cara poderia sair um pouco da frente do sol. Me deixa quieto com as minhas férias!&lt;br /&gt; “Olha moço, não vou querer o colar hoje não. Fica para a próxima.”&lt;br /&gt; Ele sentou ao meu lado. Acho que não deu muito ouvidos para o que eu falei.&lt;br /&gt; “Eu mesmo posso daqui a pouco ‘PÁ!’ morrer, tirar as minhas férias eternas. Daí, eu não vou levar nada comigo. Nada disso tudo aqui tem valor”.&lt;br /&gt; E não é que o homem tinha razão? Mas eu não poderia dar o braço a torcer. Não teria ninguém para dar o colar, de qualquer forma. E, na verdade, não tinha muito dinheiro na hora. Só saíra com o dinheiro da cervejinha gelada. Pensei em levar o cara para uma empresa publicitária. Esse aí, certamente, ganharia muito dinheiro no ramo. Ou talvez abrir uma igreja. Seria um bom bispo. Arrecadaríamos mais dinheiro do que aquele bispo famoso que saiu no jornal. &lt;br /&gt; “Então, o problema é que agora você me pegou um pouco desprevenido...”&lt;br /&gt; Não concluí.&lt;br /&gt; “Nada disso! Nem que o senhor me ofereça 30 reais por esse colar, eu não quero! Nem adianta tentar insistir. Eu quero só 10 reais. Não vou ter lucro nenhum, é só para pagar o preço da energia positiva!”&lt;br /&gt; Aí. Energia positiva era algo do qual eu estava precisando. Muito mais do que um colar. E com essa frase, se o tal baiano de boa lábia fosse uma bela baiana de curvas bem torneadas, já tinha me conquistado ali. Na hora. &lt;br /&gt; Resolvi levar o colar. O moço saiu com seu gingado pronto para conquistar mais uma alma. E talvez o colar não me trouxesse nada de mais. Mas aquela conversa me marcou. Talvez eu a leve por muito mais tempo do que o colar, que eu já nem sei onde deixei. Era o calor baiano. Voltei para São Paulo de férias ainda. Afinal, se não vivemos, deveríamos todos viver de férias. Sempre. Antes daquelas eternas, viver. Porque eu posso, ‘pá!’, morrer agora. &lt;br /&gt; Aqueles 10 reais não pagaram nem a menor parcela da energia positiva que eu levei. E oportunidades de bons negócios assim, só aparecem uma vez na vida. Melhor não desperdiçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-790036356892825393?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/790036356892825393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=790036356892825393' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/790036356892825393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/790036356892825393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/as-boas-compras.html' title='As boas compras'/><author><name>Josephine</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3251361215018416026</id><published>2007-10-07T20:35:00.001-07:00</published><updated>2007-10-07T20:35:28.533-07:00</updated><title type='text'>Distantes</title><content type='html'>Minha vizinha está grávida. De seis meses. E só agora fiquei sabendo. Dividimos as paredes em casas geminadas, mas quase não nos vemos por conta dos horários de trabalho. Quando a encontrei, dias atrás, levei um susto com aquela barriga, principalmente por ser ela uma atleta, que sempre exibiu aquele corpo torneado sonhado por toda mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa notícia me fez pensar no quanto vivemos distantes das pessoas mais próximas nesses dias corridos. Acordo cedo, saio para trabalhar, chego já noite e emburaco em casa, onde também tenho os meus afazeres de mãe e dona de casa (quase) dedicada. Portanto, mal vejo meus vizinhos; muito menos tomo ciência do que andam fazendo de suas vidas. A maioria deles nem conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até pessoas da minha família, que moram na mesma cidade, custo a ver. São todos assoberbados de atividades, que para encontrá-los é preciso consultar agenda. Inclusive minha mãe. Aos 74 anos se queixa da falta dias em sua semana. E ficamos sabendo uns sobre os outros por telefone, quando sobram minutos para um bate-papo rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz alguns dias que não vejo minha vizinha. Mas tenho ouvido a movimentação de preparo da casa para a chegada da bebê. Soube o sexo assim, sem querer. Da minha cama ouvi uma conversa dela com uma visita amiga. Estavam excitadíssimas, conferindo as peças do enxoval. “Olha que lindinho esse vestido, ela vai ficar uma gracinha, né?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último sábado cheguei em casa à tarde e tentei tirar um cochilo. Nada feito. Móveis são arrastados, gente conversando, e uma furadeira insistente rasgando meu tão desejado silêncio para uma soneca rápida. Talvez nem receba a notícia do nascimento da bebê, devido à ‘distância’, mas já imagino minha participação auditiva das choradeiras noturnas, dos gritos e gemidos de cólica, da mãe marinheira-de-primeira-viagem desesperada sem saber dar conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também vou perder o sono, fazer o quê? Ainda tenho um tempo para pensar se vou ficar apenas escutando os intermináveis choros ou se vou levantar e bater lá para oferecer ajuda. Afinal já passei por isso e garanto que não é nada fácil. Não custa nada ser solidário nesses momentos. E já que moramos coladas, “to aí”, de prontidão, para tentar vencer a ‘distância’.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3251361215018416026?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3251361215018416026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3251361215018416026' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3251361215018416026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3251361215018416026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/distantes.html' title='Distantes'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-6972165699639508548</id><published>2007-10-07T11:15:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T11:20:38.822-07:00</updated><title type='text'>Seja um  você também</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A gente cria. Escreve. Publica. Livros. Blogs. Comunidades. Mas no vamos ver, vamos viver de quê? A coisa, entre outras coisas, tem me encucado. Andei buscando uma solução. E a encontrei.&lt;br /&gt;Fiquei devendo pra Martha Medeiros no &lt;a href="http://www.noga.blog.br/2007/10/coroa-de-espinhos.htm" target="blank"&gt;outro post&lt;/a&gt; mas me redimo hoje, com citação e tudo. (Morde e assopra é comigo mesmo. Mas não é por ser puxa-saco, ou por insegurança, ou por pena. Nada disso. É que digo o que penso, e se for de amigo e não for o melhor, o mais elogioso, logo me arrependo. Não de dizer a minha verdade, hum, mas de pensar e sentir aquilo, fazer o quê.) Na Revista deste Domingo, Martha mostra porque é mesmo uma deusa, vai lá. Concordo com ela em conceito, exemplo e atitude, vejam só: "Não se sinta culpado por pensar em si próprio. Cuide do seu espírito, do seu humor. Arrume seu cotidiano. Agora sim, vá em frente e mostre aos outros como se faz."&lt;br /&gt;Detto e fatto, bem, não é tão fácil. Arrumar como? Diz o Globo que existe escassez de 20 mil engenheiros no país, em todas as áreas. Bem. Nem todo mundo quer (ou pode) ser engenheiro. E a vida de artista, como é que fica? De escritor? De blogueiro? Vender livro, já se viu, dificilmente é solução pra bolso. Emprego em jornal, nem pensar, como disse uma amiga no outro dia: "nem dando pro Xexéo", ah, tá bom. Melhor deixar pra lá. A gente tem o que dizer, vai e diz: escreve no blog, e não é coisa pouca. Exige pesquisa, criação, revisão e edição, fotos, links, cuidado. Ou vocês pensam que só leva um segundo? Não, gente. É trabalho, trabalho sério. Do bom. Vai daí que eu já tinha pensado: com essa audiência toda, imagine se cada um que te curte resolve te patrocinar, hum, digamos, com cinco reais por mês. Nem falo daquelas visitas todas que o contador mostra, não mesmo, falo dos 10 por cento que te lêem mesmo, ficam mais de uma hora contigo todo dia, sacou?  Hum... um, dois, cinco reais, mas só quando a gente quiser, se der vontade de apreciar um texto bom, sem vínculo ou compromisso. Gostou? Patrocine. De NY, &lt;a href="http://www.noga.blog.br/2007/09/caldo-de-cultura.htm" target="blank"&gt;comenta&lt;/a&gt; aqui no blog &lt;a href="http://www.simonesilveira.blogspot.com/" target="blank"&gt;a Simone K. &lt;/a&gt;: "Como sabe o doar aqui, ou a falta dele, pode até ser um motivo de vergonha. Trabalho voluntário é a forma mais popular, não? Se a gente não faz, o vizinho reclama." &lt;br /&gt;Ah, sim. Brasileiro não dá nada de graça pra ninguém, mas bem que a gente podia mudar um pouco isso. Um amigo meu, artista como eu, achava humilhante um link que eu tinha aqui no blog, pra doações no PayPal: acabei apagando. Mas continuei pensando: uai, gente, humilhante por quê? É humilhante ser apreciado? Ser pago por seu trabalho? Já faz um bom tempo que me debato com a questão; como "trabalhadora da luz", o dilema era o mesmo: trabalhar pode; cobrar não. E nesses tempos de ascensão, quem é esotérico sabe bem do que estou falando: fala-se muito em mudanças radicais, em um novo ambiente de altíssima energia onde cada um só faz o que lhe dá prazer. Muito belo. Muito bom. Mas a pergunta persiste: se o nosso mundinho tresdê ainda funciona à base de dinheiro, como é que se vai sobreviver? Novas formas de viver? E quais seriam? Hein?&lt;br /&gt;A web é uma resposta, com certeza. Uma mente coletiva: troca de idéias e ideais, um celeiro criativo de tudo. Dos engenheiros (a troco de salário, gente, pra eles não falta emprego!) vêm as ferramentas. Dos artistas, o conteúdo: todo mundo usa e abusa, e online, se doa de graça, não tem o menor problema. A web já está no futuro, no admirável mundo novo onde a gente só faz o que quer, e não precisa de dinheiro: é muito maior do que o Second Life. It's the One and Only Life.&lt;br /&gt;Eu penso, gente, e penso muito. Vai daí que surgiu essa idéia de patrocínio voluntário de blogs. Gostou? Patrocine. Não espere o governo, o bolsa-família, o Ministério da Cultura, o prêmio, a lei, a corrupção. Nem precisa de projetos complexos, de concorrência ou aprovação. Gostou? Patrocine. Simples assim.&lt;br /&gt;Pode ser que funcione. Pode ser que não. Mas é, certamente, uma opção. Faço como a Martha diz: penso em mim, começo por mim, ensino como se faz, e... bem. Espero que façam o que eu digo. E faço. Bom domingo pra vocês, e pra mudar de vida hoje mesmo, seja um &lt;a href="http://www.mecenatomoderno.org" target="blank"&gt;MEMO&lt;/a&gt;* você também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* MEMO: &lt;a href="http://www.mecenatomoderno.org" target="blank"&gt;mecenatomoderno.org&lt;/a&gt;, um jeito web de mudar sua vida, e a vida de quem você curte. Visite o &lt;a href="http://www.mecenatomoderno.org" target="blank"&gt;site&lt;/a&gt;. Participe da &lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40091394" target= "blank"&gt;Comunidade&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-6972165699639508548?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/6972165699639508548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=6972165699639508548' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6972165699639508548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6972165699639508548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/seja-um-memo-voc-tambm.html' title='Seja um &lt;img style=&quot;MARGIN: 0px 0px -10px 0px&quot;src=&quot;http://www.noga.blog.br/memo.jpg&quot;&gt; você também'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-9002818278470774495</id><published>2007-10-05T20:42:00.001-07:00</published><updated>2008-12-13T03:07:14.246-08:00</updated><title type='text'>Sobre os Filhos e as Pedras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se Simone Silveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar filho é semelhante ao ato de jogar a pedra na água no intuito de fazê-la derrapar, ou na melhor da hipótese, saltar graciosamente na superfície cristalina afim de que conquiste o infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pedra é escolhida ao acaso, pois elas estão lá soltas no mundo—rua, beira do rio, floresta. Mundo este que não existe até que nos damos conta dele. Agora, o mundo uma vez formado, nos presenteia com seus elementos minerais, diria mesmo ancestrais. É preciso que admiremos a grandeza da sua extensa existência. Assim, é possível tratá-lo com maior dignidade, já que, nos últimos tempos, temos coniventemente ignorado sua fragilidade e contribuído para a sua devastação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre tantas pedras, há de se escolher uma com a forma plana e de preferência, arredondada. Há sempre a dúvida cruel se a eleita entre tantas é perfeita o suficiente para o jogo. Neste caso, e em quase todos na vida, uma escolha, é realmente a falta de escolha, pois já nos acostumamos a  carregar no peito e na cabeça, idéias pré-definidas. Assim se passa  quando se tem um filho. Bem no fundo, na hora do nascimento, a dor latente, a bacia dilatando, não importa ser a criança homem ou mulher. É imprescindível que seja saudável. Somos todos animais. Muitas mulheres como eu, dividem a mesma experiência de contar os dedos dos pés e das mãos do bebê nos primeiros segundos de vida dele. Essencial mesmo é que ele nasça. Ponto. Conheço quem  pariu uma criança morta. Esta dor eu jamais desejo ao meu semelhante. Conheço uma mulher que pariu um filho doente. Ela é o meu melhor exemplo de mãe—paciência infinita, dedicação integral sem espera de retorno, amor incondicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez a pedra na mão, as outras deixam de existir, assim também se passa com os filhos. Quando miramos a sua fisionomia pela primeira vez, é como se já o conhecêssemos por toda a eternidade. Não há esforço. Esta familiaridade é instinto.  Depois do reconhecimento, é hora de estudar a melhor forma de jogá-la na água para que salte em intervalos regulares. O intuito é que ela vá longe, muito longe. O corpo e as mãos se curvam em um ângulo específico, afim de que ao lançar a pedra, ela perfure o ar rodopiando em círculos magistrais, seguidos de um arco perfeito rumo à água. Sem quase tocar a superfície e vencendo a tendência natural de submergir-se, a pedra finalmente derrapa harmoniosamente sobre ela. Esta arte, aparentemente tão simples é como a arte de se criar um filho. Sua complexidade vem com a primeira febre, a primeira briga na escola, o primeiro palavrão, a primeira dor, o primeiro amor e outros primeiros que nos pegam despreparados e nos põem tão confusos como nossos filhos. Bem no fundo, somos todos marinheiros de primeira viagem, inclusive aqueles, como eu,  que se julgam frutos de uma geração  esclarecida —tudo pelo diálogo, e que defendem o conceito de ser a criança dotada de direitos e deveres como qualquer outro indivíduo. Na hora do aperto, há de se consultar os livros. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;To Listen to a Child,&lt;/span&gt; do Doutor Brazeton tem sido de suma importância como outros dele. A sogra também é elixir com toda a sua experiência de vida. As vizinhas, e até o porteiro tem o seu lugar nesta difícil arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maternidade é certamente um ato natural, assim como muitos, por exemplo, comer de garfo e faca, porém é necessário a  aprendizagem. Amamentar talvez tenha sido uma das mais doloridas, fisicamente e emocionalmente, nos meus primeiros meses como mãe. Tudo estava errado. Meu filho berrava. Era fome lhe corroendo o pequenino estômago. Eu me olhava no espelho, seios feridos, tanto sacrifício, qual era o problema? Eu era insistente no meu desejo, agüentava a dor da ferida aberta e os berros desesperados do meu primogênito. Três semanas e nada, a ferida crescia enquanto ele emagrecia. Ninguém me contou como segurar o bebê e dar-lhe o peito. Muita coisa a gente aprende na marra porque nossas mães “esqueceram.” Os vídeos nas aulas de preparação ao parto não é mão na massa. O boneco demonstrativo na aula de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lamaze&lt;/span&gt; está longe da realidade de uma criança de carne e osso e esfomiada nos braços. Enfim, sejamos modernas e sem preconceitos. Contratei uma consultora em amamentação e em poucas horas o problema foi resolvido. Me senti realizada como qualquer outro mamífero. Estava alimentando a cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta crônica era mesmo pra falar de toda a minha incerteza no meu papel de mãe (quem é mãe sabe, nunca sabemos se estamos fazendo a coisa certa... quem é filho também tem lá as suas dúvidas). Depois destas linhas e milhões de cenas rebobinadas na memória consigo derramar as minhas inseguranças e pouco reclamo dos meus filhos. Ela deveria ter começado assim: “Meus filhos até o dia de hoje competem com aqueles que me chamam pelo telefone.”  O texto tomou rumo novo, voilà.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiração nasceu de um telefonema pra mim do meu pai. A conversa durou pouco. Meus filhos, sempre educados em todas as outras circunstâncias, menos esta, cortou a minha conversa ao telefone com seus berros, chantagens e apelos.  “As crianças no Brasil não são assim não, a gente fala no telefone sem problemas, elas se viram pra lá. Vocês também não foram assim não,” completou meu pai, certo que a nossa cultura brasileira permanece a mesma há várias décadas. Na hora respondi meio que justificando os gritos das crianças, “sabe como é, pai, aqui a gente cria filho muito só, eles se tornam muito dependentes da gente. Por isto não conseguem dividir a mãe,” disse eu, pensando mesmo nas empregadas brasileiras que tomam conta de tudo, que maravilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela noite me arrependi. Sou uma mãe que escolheu ter um papel ativo na educação de seus filhos. Tudo tem o seu preço. Há de chegar o dia quando poderei entrar no banheiro e curtir minha privacidade sem o receio de ser interrompida, ou telefonar a um amigo e ficar de papo pro ar. Tento lembrar do meu regresso ao trabalho e já posso sair pra jantar ou viajar uma vez ou outra sem que se sintam abandonados. São crianças felizes e seguras. Há um o tempo particular no amadurecimento de cada um. Há de ser ter paciência, eu repito para mim mesma, não posso esquecer. Assim como as pedras jogadas com precisão, a liberdade acontece a cada pulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/Rwb7nPNzgvI/AAAAAAAAAZ0/oERpmEzNZSU/s1600-h/IMG_4498.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/Rwb7nPNzgvI/AAAAAAAAAZ0/oERpmEzNZSU/s320/IMG_4498.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5118054678071050994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0); font-style: italic;"&gt;Victor e Henry vendo a chuvar cair no pátio do Cloisters, NYC, 2007&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-9002818278470774495?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/9002818278470774495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=9002818278470774495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/9002818278470774495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/9002818278470774495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/sobre-os-filhos-e-as-pedras.html' title='Sobre os Filhos e as Pedras'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/Rwb7nPNzgvI/AAAAAAAAAZ0/oERpmEzNZSU/s72-c/IMG_4498.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4327075956964290184</id><published>2007-10-04T09:28:00.000-07:00</published><updated>2007-10-04T09:29:03.784-07:00</updated><title type='text'>Dupla personalidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Habitam em mim duas mulheres bem diferentes. Uma é uma menininha tímida, carente, a rejeitadinha, que se esconde no escuro do armário e até pra respirar precisa da aprovação dos outros. Filha de pais exigentes, se culpa por tudo e não importa o que ela faça nada é bom o bastante, tudo dá sempre errado e há pouca esperança de mudança.&lt;br /&gt;A outra é uma artista: A Escritora. E artista (segundo a voz corrente) é um ser sobre-humano — ou sub, sujeito a interpretações —, sem moral e sem escrúpulos, um assassino cruel e frio que não hesita nunca e se tiver que matar por sua arte, mata. A artista em mim mata a mãe, mata o pai, trai os amigos e age por puro interesse. Beija a lona várias vezes por dia, se levanta, sacode a poeira e ousa oferecer a outra face. Passa por cima de tudo e nada a detém. Se achar que a causa é boa exibe intimidades, grava o sexo com o marido e bota no &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=B9guj9UF1aA" target="blank"&gt;YouTube&lt;/a&gt;. Tortura o tempo todo a menininha que sofre, coitada, forçada sem defesa a impensáveis atitudes. Sem ter como escapar a pobrezinha pena, se arrepende de tudo, vive pedindo desculpas, encharcando de vergonha o travesseiro à noite.&lt;br /&gt;Mas nesta quinta não queremos brigar. Blogaremos na &lt;a href="http://www.noga.blog.br/hierosign3.jpg" target="blank"&gt;Travessa do Leblon&lt;/a&gt; ao vivo, as duas disputando a tapa um sorriso no meu rosto. Quem vai vencer a outra? Não sei, são vocês que decidem. Pra falar francamente, espero que seja a artista, porque a menininha, coitada, de tão fraquinha, não irá muito longe. Já a artista, todo mundo sabe. Quando reconhecido, o artista logo se torna um doce, vira este ser generoso que é simpático em público, banca as noitadas e favorece os amigos. Distribui benesses, sai bem na foto e não recusa entrevista. Trata bem a imprensa, ou será que é a imprensa que trata bem dele? Se compromete até com a chata da menininha, a cuidar direitinho dela e alimentá-la a pão-de-ló, conversar calmamente com ela e a convencer, por a+b, que papai e mamãe erraram desde o início: a menininha e a artista não são inimigas, e pra falar a verdade, foram sempre a mesma pessoa.&lt;br /&gt;Nos vemos todos lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4327075956964290184?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4327075956964290184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4327075956964290184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4327075956964290184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4327075956964290184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/dupla-personalidade.html' title='Dupla personalidade'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8247489403445318253</id><published>2007-10-03T12:27:00.001-07:00</published><updated>2007-10-03T12:28:25.997-07:00</updated><title type='text'>A vez de Inocência</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Simone Silveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava distraída quando tropeçou pela primeira e única vez.  Inocência havia passado toda a manhã em uma repartição pública para renovar o documento de identificação pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou às oito horas em ponto quando o funcionário abriu as portas e redirecionou os cidadãos para o guinche de atendimento ao público. A fila andava vagarosamente. A espera era interminável. Uns deixaram de trazer um documento importante, outros esqueceram de pagar a taxa bancária indicada no formulário de renovação. Finalmente era a vez de Inocência. Depois da entrega da papelada, sujou os dedos de tinta e lá deixou sua impressão digital. Foi direcionada à frente da câmera para que a foto lhe fosse tirada. Sorriu. Rabiscou o seu nome à direita do “x” no rodapé do documento e partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No elevador pressionou o abdômen com as duas mãos cerradas. O estômago doía. Comprou jabuticabas de um ambulante nordestino. Encheu a boca delas enquanto corria para atravessar a extensa avenida Rio Branco.  Na euforia, suas pernas se embolaram e Inocência tropeçou. No asfalto da avenida Rio Branco  as frutas rolavam. O sinal abriu. Inocência  tentava se firmar sobre os pés, já nem pensava nas jabuticabas muito menos na dor do estômago. A dor agora era no pé direito. Aguda. As buzinas dirigidas à ela por motoristas impacientes não facilitava a difícil tarefa de se completar a travessia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inocência sentiu-se tonta. A respiração se tornou ofegante, apressada. As mãos pingavam suor, um filete dele lhe descia `as costas. Um imenso desejo de não mover-se instalou-se. Os automóveis se aproximavam, passavam por ela. Inocência lá, à deriva, pensamento petrificado. O sinal fechava. O sinal abria. Inocência foi aos poucos perdendo o medo. Primeiramente, o medo da forma automobilística em avanço, depois o medo do som de pneus derrapando, depois dos gritos—Louca! Saí daí, maluca! Quer morrer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela morria. Eles não sabiam. Fio de sangue fazia o seu caminho até  o corte, pele rompida pelo osso exposto.  O líquido escorria e se misturava com a poeira do asfalto. Ela morria. As jabuticabas não existiam mais. A pele enrugava, a boca rachava, nem os olhos ela abria. Ela morria. Inocência tentara cruzar a grande avenida Rio Branco, verdade maior. Ela havia feito a decisão. Teve a coragem dos loucos, dos santos, dos desvalidos. Os passantes entretanto se acostumaram com a presença em decadência de Inocência — plantada no meio do asfalto,  ferida e secando, dia após dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela poderia ter feito o enorme esforço de atravessar a avenida, agora longa, interminável, apoiando todo o peso de seu corpo sobre o pé saudável. Ela poderia ter gritado alto por uma mão caridosa. Porém houvera o desejo  brotando-lhe no peito tão inesperadamente como a fruta que rolara pelo asfalto quente. Ela queria  abraçar a própria inércia afim de por à prova a inércia alheia.  O outro, de pé no meio-fio, dentro do carro, no alto dos prédios, debruçado na janela, permanecera insensível à sua dor. Ela só precisava de provas. Agora, já as tinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8247489403445318253?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8247489403445318253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8247489403445318253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8247489403445318253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8247489403445318253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/vez-de-inocncia.html' title='A vez de Inocência'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4424288736773834099</id><published>2007-10-01T13:03:00.000-07:00</published><updated>2007-10-03T11:19:29.029-07:00</updated><title type='text'>Ao Ponto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Simone Silveira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me impressiono com os que desejam e mesmo assim escolhem a segurança de um amanhã falido. O sujeito sabe que não é feliz, a Felicidade vem se longe, esmurra a porta, quase rouca pede para entrar. E nada. O Homem até encontra a coragem, coitado, depois de dias, de pegar a chave e colocá-la no orifício da fechadura. A mão treme e ele desiste. A Felicidade sabe da desistência. Ela sabe de tudo. "E aí, meu caro, abre logo esta porta pois seu tempo extenua-se," diz Felicidade. A porta continua cerrada. O Homem esquece que o tempo ainda lhe pertence. Não todo o tempo do mundo, mas o pouco que possui é elixir na palma da mão em concha. "Olá, e aí, que bom ouvir sua voz," diz o Homem. E só. Sim, ela espera um pouco mais do outro lado. Desiste. Não pede mais. Elixir escorrendo por entre os dedos do Homem. Felicidade sabe da fraqueza alheia. "Eu vou bem, um pouco cansada. Ao esperar, me torno pingo caindo de um conta-gotas sem intervalo até nada mais restar senão o vazio preenchido pelo ar, " diz ela. Agora muda, parte mesmo, afinal ela é o que é. Vai não sem antes pendurar uma nota breve e honesta: Felicidade não bate duas vezes `a porta de um homem de alma perdida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4424288736773834099?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4424288736773834099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4424288736773834099' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4424288736773834099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4424288736773834099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/10/ao-ponto.html' title='Ao Ponto'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8527953853493445675</id><published>2007-09-29T09:25:00.001-07:00</published><updated>2007-09-29T09:25:30.575-07:00</updated><title type='text'>Haiku no prato</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt; &lt;em&gt;&lt;a href="http://simonesilveira.blogspot.com/" target="blank"&gt;para Simone K.&lt;/a&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem mesmo, sentada à mesa de um almoço tardio que avançou invasivo pelo jantar a dentro, emiti o parecer arriscado: "não tenho saco pra ler poesia". Escrever sim, já vou logo explicando. De vez em quando acho bom resumir — num golpe único e certeiro de palavras — um pensamento cru, mas já com gosto e textura de iguaria. Depois disso fico uns dois ou três dias observando a cria, a concisão emocional daquilo, repetindo de cor enquanto caminho, cozinho, admiro: revisando, remontando até deixar passar. Mas de ler geralmente não gosto, sei lá, preconceito, ou porque o que encontro costuma ser prolixo, descentrado, desconectado de quem a cria. No Prosa de hoje o Castello explica: "a poesia é, freqüentemente, gerida por bandos estéticos", o oposto exato do silêncio inspirado, da quietude interna, do espaço reservado oferecido à reflexão.&lt;br /&gt;Digo arriscado porque se vê poeta a interlocutora à minha frente, que chamei de irmã mas que agora percebo, faria mais sentido ser filha, enquanto a conversa engole nossa fome voraz de vida. Viu? Parece prosa, mas no fundo no fundo, a gente vê que é poesia o tesão que nos leva por ritmo e rima, com ênfase aguda no desejo avulso, por razões de estilo muitas vezes repetido. São tardes de chocolate, madrugadas de vinho e noites de salmão pra celebrar um encontro que, se confrontado, se veria deliciado com a franca sensação de destino. Mas destino? sabemos que não há.&lt;br /&gt;Nunca tive problemas pra reconhecer milagres. A coisa vem de mansinho, o pão cresce, o tempero certo aparece, e você inova: justo naquele dia resolve uma erva a mais, uma manteiga mole, uma acidez demais, levemente sugerida na consistência conhecida da musse: e se não der ponto? Mas se há milagre — ou talvez: fluência — a ousadia dá certo, e você respira: entende a pausa ativa naquele silêncio breve.&lt;br /&gt;Por mais que se diga, se confira, a conexão exata vem por baixo de tudo, como uma mistura inusitada de ervas. Tudo que se quer é que ela continue ali, numa alquimia não planejada, pouco mais que soprada e que a quietude interna te permitiu ouvir. É por isso que amar, cozinhar, e escrever com algum lirismo pertencem a uma mesma categoria de coisas, e é o que Castello nomeia em seu artigo: a coragem solitária de correr riscos. Coragem ainda maior é a de revelar tão facilmente a intimidade, numa conversa aberta que, sem isso, seria perda de tempo entre comadres: uma zoeira gratuita que não pratico.&lt;br /&gt;Pois foi-se a tarde. Foi-se o encontro mas deixou sua marca: um milagre se é bom não se prende ao tempo, não se resume ao momento nem padece de cronologia; escapa ao julgamento crítico e fala direto ao sentido, sem o crivo cortante da razão. É o mesmo que espero da poesia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8527953853493445675?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8527953853493445675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8527953853493445675' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8527953853493445675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8527953853493445675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/haiku-no-prato.html' title='Haiku no prato'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-516307607477087463</id><published>2007-09-26T10:34:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T10:36:18.956-07:00</updated><title type='text'>o pra sempre, sempre acaba meu amigo</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;meu amigo, eu te falo é do amor. não desses jurados nas noites de sexta-feira, sob o arco e o álcool da lapa, não. eu te falo do amor da segunda-feira, ainda nas proximidades do antigo aqueduto, entre coca colas e descobertas. eu te confesso meus medos da inexistência do caos. é o caos em nós, latente. dói, amigo, dói, mas passa. isso é o mais costumeiro dos clássicos que a gente ouve, mas é verdade absoluta destilada e engarrafada pra ser consumida aos poucos, homeopaticamente. não é o fim, juro. é o que chamo de dobrar a esquina. o que acontece é que não queríamos. e de repente somos obrigados a sair do canto, levantar as pernas e caminhar por uma calçada que não sabemos onde vai dar. mas do que isso, a crueldade das coisas, somos obrigados a percorrer essa estrada sozinhos, sem ele, sem ela. a gente fica de repente cercado pelo umbigo. restamos nós, os nós. e a gente se dá conta que não sabe nada acerca do mundo, e tanto que a gente estudou! &lt;strong&gt;nietzsche, platão, buda, heidegger, lispector, saramago, freud&lt;/strong&gt;. ninguém nos livra, nenhum deles desce do altar e nos convida pro bom vinho barato nos bares da vida contornados pelo arco. talvez a culpa seja do bonde, das escadarias coloridas, da vastidão de gemidos ecoados pelos becos sujos, da fumaça de maconha que deixa difuso o ar. os culpados somos todos nós, que engolimos direitinho a conversa boba de que &lt;em&gt;eu sei que vou te amar por toda minha vida eu sei que vou te amar&lt;/em&gt;. sempre insistindo nas eternidades. tsc tsc tsc. vinte e quatro horas de cada vez e tudo ao mesmo tempo agora. o mundo é grande demais e gente não dá conta mesmo. talvez a solução seja aceitar, fingir que é melhor assim, fazer o jogo do contente, do feliz, do otimista. eu não sei a solução, nem sei se sobrevivi, se saí ilesa dos idos sete anos e meio, eu não sei. mas se conselho fosse bom, se servisse, se adiantasse, se fosse exemplo, eu te diria:&lt;br /&gt;…………………….olha, chora toda a tua dor. chora mesmo, em prantos, no colo da mãe, do pai, dos amigos, dos irmãos, dela mesma. chora no espelho, no trem, nas ruas cheias de sol, atravessando passarelas, zona norte, zona oeste. chora o tempo necessário que não deve ultrapassar tua existência. é o luto. aceita essa dança nova. aceita que alguém sacou que pode viver sem ti, e aí um dia tu descobre que, apesar de menos colorido, tu pode viver sem ela. há coisas que não podemos modificar, tu sabe. e, embora eu odeie ser contrariada, aprendi isso e fico muito agradecida por tudo. &lt;strong&gt;nada é definitivo&lt;/strong&gt;, graças à deus.&lt;br /&gt;viva teus dias, depois da chuva imensa, como se nessa nova rua, as flores te saudassem.. e saúdam! o fato é que nunca tu havia prestado atenção nisso antes. depois que parar de chover, abre as janelas e portas. pode ser aos poucos, pode ser com fúria. abre os braços, os espaços todos. deixa o novo, a nova, te apossar inteiro. uma dica importante: isso aí doendo, isso que tu chama amor, não passa, o poeta estava certo. só que é preciso saber que &lt;strong&gt;o amor liberta&lt;/strong&gt;. e é por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tu me sabes:&lt;br /&gt;é amor.&lt;br /&gt;..........&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-516307607477087463?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/516307607477087463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=516307607477087463' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/516307607477087463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/516307607477087463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/o-pra-sempre-sempre-acaba-meu-amigo.html' title='o pra sempre, sempre acaba meu amigo'/><author><name>Uma conversa e muitos laços</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09687678465496120309</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://4.bp.blogspot.com/_0GxxAvOUgIc/TPaZ61zIYOI/AAAAAAAARlc/wwE4uggwOuc/S220/camisa_estampa..jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3326584836228543566</id><published>2007-09-24T13:50:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T13:56:48.460-07:00</updated><title type='text'>aniversario</title><content type='html'>Com a calma, vejo a mão da minha mãe na minha. Minha timidez facial - que um namoradinho batizou com propriedade - tem um quê da boca da minha avó. Que era idêntica a mim quando era bem jovem. O que eu quero dizer é que só agora eu vejo, em mim, minha família. O franzido de boca da dona Lourdes está aqui, quando dá preguiça da conversa. As unhas da dona Cecília são mais cuidadas e sempre vermelhas mas eu vejo sua mão na minha mão. Minha boca anda mais fina. Meu pescoço continua longo - o que um namoradinho bonzinho chamou de moça de Modigliani. A voz eu reconheço quando converso com quem amo. Senão, tem um timbre de desespero. Os quadris, eu já tinha visto, ganharam um plus que eu reconheço nas amigas de faculdade. Teve um ombro que deu problema na volta da Bahia. O acupunturista diagnostica responsabilidade - para mais ou menos - e desejos inconfessáveis. Morro de rir. Quem não te conhece que te compre. Tudo faz um sentido inexplicável. É onde é bonito. Mesmo que seja a calma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3326584836228543566?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3326584836228543566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3326584836228543566' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3326584836228543566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3326584836228543566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/aniversario.html' title='aniversario'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3316786881546549916</id><published>2007-09-23T11:53:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T17:42:36.639-07:00</updated><title type='text'>Por um Fio de Memória</title><content type='html'>De Simone Silveira&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(dedicado à Jeanette Munõz Schrag, filha de Consuelo Perez)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Era o aniversário dela, senhora Connie, 86 anos, residente há dois, na casa de repouso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Centro para Idosos Pilar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;—Olá, Connie, como está? Feliz cumpliãnos, eu lhe desejei em sua língua materna. Ela riu e me perguntou se iria visitá-la na manhã seguinte. Eu lhe disse viver a cinco mil quilômetros dela. Teria que planejar uma viagem para vê-la brevemente. —Você vem me visitar amanhã?, repetiu ela, como se a pergunta fosse tão fresca como seus anos adolescentes, naquelas tardes que antecederam a Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Connie foi mulher à frente do seu tempo. Enquanto as meninas bordavam, ela passava as tardes num aviãozinho bimotor sobrevoando o vilarejo na companhia de Armand, cadete da aeronáutica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era lindo, sempre diz Connie, com lágrimas quase secas minando dos olhos e revirando as poucas memórias que ainda carrega. Casaram-se e tiveram uma filha. Ele foi servir ao país na guerra. Ao término desta, veio o alívio, que durou uma fração de tempo de uma vida feliz. A menina tinha três anos de idade quando receberam o telegrama informando à família que o avião pilotado por Armand trazendo prisioneiros de guerra tinha sido abatido pelos alemães durante a decolagem. Em solo francês jaz o corpo do marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Connie, viúva aos 24 anos, ainda casou-se mais quatro vezes. Separou-se de todos eles, sob a alegação de que os ex-maridos, sem exceção lhe cortavam as asas. Se tornou psicóloga. Comprou carros conversíveis velozes. Virou pintora de paisagens bucólicas—as planícies amareladas pelo sol insistente do Novo México e a cidade de San Francisco sob a neblina farta. Não bastando os pincéis, voltou-se à arte primitiva de fazer vasos de cerâmica. Na roda, ela girava e moldava suas peças, todas disformes, livres da exatidão, da linearidade da forma que jamais vivenciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Connie, agora, lembra-se de muito pouco, nem chora quando fala de Armand. Ainda não esqueceu que é mãe de uma filha.  Sua memória é um fio frágil e delicado, como os fios de ouro utilizados em bordados de capas reais na Idade Média. Eu faço o erro grave de perguntar-lhe se gostaria de rever seus bisnetos. Ela se assusta. —Bisnetos, tenho eu bisnetos?, responde ela com palavras trêmulas seguidas de uma gargalhada potente, confusa, louca. Silêncio. Ela me pergunta se irei visitá-la no dia seguinte. Desligo, ciente de que eu também, já caí em esquecimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3316786881546549916?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3316786881546549916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3316786881546549916' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3316786881546549916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3316786881546549916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/o-fio-da-memria.html' title='Por um Fio de Memória'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-9021251826299045985</id><published>2007-09-21T08:52:00.000-07:00</published><updated>2007-09-21T08:53:29.883-07:00</updated><title type='text'>Confessionario</title><content type='html'>Sua obsessão é igual sua diversão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você preserva o ócio ou foge dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tem medo da solidão ou da loucura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da exposição ou da obscuridade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da contaminação consigo ou com o outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da apatia ou da depressão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da comparação ou da incompetência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do monstro ou da repetição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do desejo ou de não desejar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do silêncio ou do ruído?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem te irrita parece contigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que você vê te preenche ou te esvazia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível ser feliz sozinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo de ficar só ou de não ficar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De romper ou de continuar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De atrasar ou de chegar em ponto? De passar do ponto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-9021251826299045985?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/9021251826299045985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=9021251826299045985' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/9021251826299045985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/9021251826299045985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/confessionario.html' title='Confessionario'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1001431136551837669</id><published>2007-09-20T18:23:00.000-07:00</published><updated>2008-04-06T09:21:36.521-07:00</updated><title type='text'>Entre o Concreto e o Campo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 102, 102);"&gt;De Simone Silveira Kaplan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hanna considera-se uma andarilha. Mesmo assim não foi fácil dizer adeus àquela Ilha—o casarão, o jardim, suas plantas, mais de duzentas fincadas no solo nos últimos dez anos. Para trás ela deixava a esperança de que as alfazemas sobreviveriam sem o seu cuidado. Duas maçãs tímidas ainda amadureciam no pé. A horta e o coração de Hanna minguavam aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hanna é orgânica. Suas mãos haviam cavado buracos admiráveis, misturado à areia seca e amarelada, um bom monte de esterco feito de algas marinhas. Lá estão elas, já se enraizando em terra boa, as árvores de folhas picotadas avermelhadas. Lindas. Elas crescem robustas apesar de tanto vento e sal nos galhos e tronco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem os olhos de Hanna só viam a mata. O outono chegando, as folhas secando e amarelando. Da janela do carro, ela descrevia as flores e arbustos, a geografia, a relação destes objetos entre si e o espaço. Os seus olhos não registravam a arquitetura tradicional entre uma cidadezinha ou outra no meio do caminho. Ela lamentava, bem dentro de si, por conseguir levantar a cabeça, e enxergar algo diferente, como lhe dizia o marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada de Hanna foi um desalento. Era um chegar definitivo, sem voltas. Como se habituaria? Ela colocou as malas no chão do corredor da nova residência e desabou de cansaço. Pela noite, deitada, sentiu o cheiro do travesseiro, experimentou a sensação familiar do peso do cobertor sobre o corpo. Pousou a Ilíada na cabeceira. Lembrou-se de Priam, rei de Tróia, suplicando o corpo do filho morto, Hector, a Aquilles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, Hanna pegou o metrô lotado. O centro da cidade—gente, carrinho, barulhos, lixo, sufocou-a. Era impossível andar por aquelas ruas estreitas e confusas. Porém caminhou, infinitamente. Seus pés calejavam. No campo, eles jamais reclamaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1001431136551837669?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1001431136551837669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1001431136551837669' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1001431136551837669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1001431136551837669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/o-relato-do-imperador.html' title='Entre o Concreto e o Campo'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-371761256218538772</id><published>2007-09-18T11:41:00.000-07:00</published><updated>2007-09-18T11:43:28.292-07:00</updated><title type='text'>adeusbia</title><content type='html'>Ademar já tinha pensado nas múltiplas possibilidades para o fim, mas num certo dia — depois do culto de todos os domingos, diante da sopa de sempre à noite - resolveu. ¶ &lt;br /&gt;Aquela menina já estava passando dos limites. Não que não fosse bonita. Era. Não que não gostasse dela. Gostava. Aprendera a gostar de sua falta de modos, sua boca constantemente vermelha, seu risinho cínico depois das frases mentirosas, sua tatuagem verde de rifle no cofrinho, sua mania de esvoaçar qualquer seriedade. ¶ &lt;br /&gt;Um tiro no peito foi uma idéia que apareceu no princípio, mas logo abandonada porque sua mãe, Inês, já beirava os 78, e não merecia tanta desconsideração. Ademais, não lhe agradava ser alvo de comentários maldosos na Igreja Multitransnacional de Todos os Dias, como um fracassado do auto-flagelo de amor. Nada a ver com culpa ou medo de ir parar no limbo. Era vergonha mesmo.¶ &lt;br /&gt;Fez as contas e sabia que o pé de meia poderia lhe servir por alguns meses. Afinal tinha valido a pena sacrificar partidas de sinuca das terças-feiras, um conhaquinho que usou comprar até os 28 anos na mercearia do Seu Juca e as duas últimas férias embolsadas da firma. A intenção primeira era passá-las em Passo Vazio, uma cidadezinha charmosa do norte do Estado, em que havia uma pescaria tradicional no mês de julho. Os peixes quase vinham comer na mão. Mas custava caro, mais a vara nova, mais a passagem, mais o tropeirão no final do dia, mais umas e outras com os colegas. Agora sabia, obrigado senhor, eu consegui sublimar as duas últimas férias. ¶ &lt;br /&gt;Catou as duas malas velhas no armário, calçou uma bota velha amiga, amaciada aos calos de Ademar. Fez a barba, botou um cinto novo, presente de dona Inês no último Natal, até um gelzinho ele arriscou naquela data. Saiu assobiando como malandro, arrastando o pé, tentando elegância no último movimento. Zé Ramalho no toco, tomou o trago derradeiro. ¶ &lt;br /&gt;No outro dia, pela manhã, quem pegou o ônibus na avenida Lopes Silva, na região de Ribeiro Pro Mar, pôde acompanhar centenas de cartazes pretos com letras brancas, pregados nos pontos da linha 4201: AdeusBia. Estou indo embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-371761256218538772?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/371761256218538772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=371761256218538772' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/371761256218538772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/371761256218538772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/adeusbia.html' title='adeusbia'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3421468093663938311</id><published>2007-09-17T19:51:00.001-07:00</published><updated>2007-09-17T19:51:49.071-07:00</updated><title type='text'>Alternativa ao Faustão</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Giovana Damaceno&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo, quase cinco da tarde. Volto de um almoço na cidade vizinha. Acabo de comer uma feijoada e saio devagar, curtindo a tarde de sol e vento fresco. Passo em frente a um motel de periferia e vejo um casal debruçado na janela, totalmente aberta. Ele, sem camisa: ela, de sutiã. Comentei na hora o que vi, ainda em tempo de observar melhor a cena, já que estávamos sem pressa. Ele, moreno; ela bem clara; ambos bonitos, magros, sorridentes. Da janela do motel vê-se o pôr-do-sol em toda a sua beleza e o casal lá, silencioso, apenas observando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem costuma se deliciar com as nuances do dia, como eu, é capaz de entender. Uma tarde fina, de luz mansa de inverno, uma brisa que parece triste. O pôr-do-sol é laranja, já baixo, o céu é límpido. E o dia vai morrendo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando naqueles dois, numa tarde de domingo, após uma hora de sexo (mais? ou menos?), curtindo o inverno morno pela janela do motel. Não conheço alguém que faça isso. “No mínimo é uma alternativa ao Faustão”, disse meu namorado, “nós fomos comer uma feijoada e eles estão ali, românticos, descansando à janela depois de uma tarde de sexo selvagem”. Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um amigo que detestava domingos. Saía nas noites de sexta e sábado, encontrava gente, bebia todas. Mas, no domingo, mal acordava e já encarava uma sessão de filme atrás da outra, para não ver o dia passar. Janelas e cortinas fechadas, sanduíche, água, café. Chegava a noite, via o Fantástico e cama. Foi assim durante quase toda a juventude até que conheceu uma garota. Que adorava domingos. As tardes de domingo. E ela o ajudou a descobrir algo de útil para fazer nesses momentos. Sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram tardes e tardes dominicais, cada uma delas numa suíte de motel diferente. Ele, aprendendo a gostar de domingo; ela juntando algo que gostava com algo de que gostava ainda mais. Porém, em nenhum desses dias memoráveis a janela foi aberta, entravam debaixo de sol e saíam já noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro dos relatos dele sobre essas horas. A tara pela garota, as conversas, a cerveja, o café depois do sono. E imagino em que pensava o casal na janela, onde morariam, e o que fariam da vida. Seriam namorados? Ou amantes? Estariam felizes? Ou se conheceram no almoço? Na noite anterior, talvez, e estavam ali encerrando o fim de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tanta divagação vejo que já estou à porta de casa. Quase 5h30. E lembro do que meu namorado disse. “Uma alternativa ao Faustão”. Realmente nada melhor para um domingo que uma tarde de sexo, com direito a pôr-do-sol a dois. Sem TV.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3421468093663938311?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3421468093663938311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3421468093663938311' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3421468093663938311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3421468093663938311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/alternativa-ao-fausto.html' title='Alternativa ao Faustão'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-558951751975871776</id><published>2007-09-16T06:52:00.001-07:00</published><updated>2007-09-16T06:52:51.746-07:00</updated><title type='text'>Pacto com o diabo, isto é, com o dinheiro</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;— Vou vender meu carro.&lt;br /&gt;— Não faça isso, minha senhora, não fique a pé.&lt;br /&gt;— Doutor, eu posso pegar táxi, mas minha cara não dá jeito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Diálogo relatado em entrevista pelo cirurgião plástico Paulo Müller) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou mesmo uma mentirosa. Gosto de contar que vendi meu carro, há mais de dez anos, numa decisão madura e ecologicamente correta. E que nunca senti falta, agora só ando a pé, etc. etc. Mentira pura. Vendi meu carro há mais de dez anos porque ele foi batido durante a noite, estacionado na rua. E usei o dinheiro para fins exclusivamente estéticos: implantei dois dentes que me faltavam por falha genética. Disso, apesar da dor e do incômodo na época — e do preço da cirurgia: um carro batido! — nunca me arrependi mesmo. Quem suporta pela vida inteira a amolação de usar na boca duas pontes móveis, uma de cada lado, entende do que estou falando. Nunca mais comprei outro carro, bem, hum. Não tenho dinheiro pra isso. Depois de optar pela literatura, então... nem se fala mais nisso. Quem vive de escrever, todo mundo sabe, é uma criatura superior: não liga pra miudezas, consumo, vaidades. Mas ultimamente, não sei não. Perdeu todo o élan, a poesia, o charme de uma vida desregrada, pra não dizer desesperada:  não bebe; tem conta em banco; faz supermercado como todo mundo, uma vidinha irritantemente normal. Como afirma Martha Medeiros, em sua crônica de hoje, escritor virou funcionário: bate ponto, declara imposto e obedece a prazos. É, gente. Já me acusaram disso antes, isto é: de ser normal. Quando eu era xamã, tinha este amigo que sempre me gozava, fazia pouco das minhas fantásticas habilidades porque eu, apesar das magias todas, pegava ônibus e ia ao supermercado. Ele esperava, com certeza, que eu levitasse, me teletransportasse, e materializasse com um gesto de mão um farto banquete à mesa, como naquele conto de fadas que todo mundo já conhece. Ou simplesmente, nem precisasse comer.&lt;br /&gt;Pois é, Martha. Pra falar a verdade, sempre te invejei: uma felizarda que ganha pra escrever, sem essa de blog, bem, sempre não. Só depois que resolvi escrever. Já até me dispus a pagar qualquer preço... pra trocar de lugar contigo ou conseguir, pelo menos, uma linhazinha na sua coluna, hum, já vi este enredo antes. (Parece o filminho que eu vi ontem, &lt;a href="http://www.dvdclubeonline.com.br/dvdclub/x.php?num=7508" target="blank"&gt;"O julgamento do diabo"&lt;/a&gt;, onde um escritor pobre e frustrado troca a alma imortal por fama e fortuna pra depois concluir, coitado, sem grande criatividade: eu era feliz e não sabia, blablablá.) E agora entendo — pelo que li hoje — que na verdade mesmo,  você é que daria tudo pra trocar de lugar comigo. Tá tudo certo. Podemos combinar.&lt;br /&gt;Não faço mais dieta. Não vou mais à academia. Não pinto cabelo, nem corto. Não tenho plano de saúde, e não faço check-ups nem plásticas — embora na minha idade,  segundo o Paulo Müller, já devesse estar na segunda. Bebo quando escrevo, me desatino, me entrego, me desespero... e bem, me suicidar não me suicidei. Ainda. Mas não vou negar que penso nisso de vez em quando, pensa bem, não seria bonito? Viver intensamente, amar, se entregar, se desesperar, botar tudo em livro e logo depois de publicar... se matar? É, Martha. Penso nisso com freqüência, e se você pensa que estou mentindo, basta ler meu post de ontem, anterior à sua crônica. &lt;br /&gt;Bem. Hum. Mentira pura. Não me mato por ser covarde. E por não ter desistido, no fundo no fundo, de ser descoberta um dia: virar best-seller da noite pro dia, largar a bebida e finalmente, ganhar algum dinheiro. Comprar um carro, dar um jeito na cara enrugada, encher o guarda-roupa, ficar mais simpática e, acima de tudo, parar de incomodar com a minha eterna carência, meu puxa-saquismo... e principalmente, com os textos agressivos deste maldito blog. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-558951751975871776?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/558951751975871776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=558951751975871776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/558951751975871776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/558951751975871776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/pacto-com-o-diabo-isto-com-o-dinheiro.html' title='Pacto com o diabo, isto é, com o dinheiro'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3585330719456306241</id><published>2007-09-12T13:11:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T13:12:45.720-07:00</updated><title type='text'>Primavera no apê</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;jardim de apartamento no Alto Leblon Foto: Noga Lubicz Sklar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;img src="http://www.noga.blog.br/uploaded_images/housegarden1-706201.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Só loucos como eu ainda lêem romances", afirma a contista &lt;a href="http://www.nadanonada.blogspot.com/" target="blank"&gt;Lúcia Bettencourt&lt;/a&gt;. Foi apenas aos 53, em 2005, que Lúcia publicou seu primeiro conto; e é com contos que tem colhido, nos últimos dois anos, alguns bons prêmios literários, entre eles — com o livro &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4495&amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8501073512" target="blank"&gt;"A Secretária de Borges"&lt;/a&gt; — o SESC de literatura. Concordando que essa mania de ler romance é mesmo loucura dela, o jovem e bem-sucedido escritor &lt;a href="http://eraodito.blogspot.com/" target="blank"&gt;Marcelino Freire&lt;/a&gt;, com seu talento nato pra agenda social, entende tudo muito bem: "Desisti do romance mesmo sem escrever nenhum. É tanta coisa pra fazer: tevê a cabo, dvd, sites pornográficos".&lt;br /&gt;E pra cultivar violetas no apartamento, será que alguém ainda tem tempo? Mamãe tinha. A mãe de &lt;a href="http://simonesilveira.blogspot.com/" target="blank"&gt;Simone K.&lt;/a&gt;, segundo ela mesma conta, também. Já vovó não; cultivava rosas, que como todo mundo sabe, levam muito mais tempo pra cultivar. Tempo a vovó tinha de sobra. Tinha também intimidade com a terra. Tinha espaço. Tinha jardim.&lt;br /&gt;Agora eu. Embora uma nova na Cobal só custe &lt;em&gt;dois real&lt;/em&gt;, é doce este prazer herdado de ver florescer, na mureta baixa da área de serviço, a mesmíssima velha violeta, em seu vasinho barato de plástico preto. De sol mesmo, coitada, só tem dois meses de verão por ano, e um dia quase secou. A flor murchou, morreu, capitulou. Mas eu não: insisti. Decidi apostar na sobrevivência dela, no sonho, no fruto maduro, e reguei na medida: nem demais, nem de menos. Dei a ela o tempo justo da primavera, o longo tempo de escrever um romance, taí: como a Lúcia, sou mesmo antiga. Ou quem sabe louca.&lt;br /&gt;Educada à base de Tolstói, a mãe de Amós Oz costumava inebriar-se, no jardim de sua infância na Rússia, com o perfume intenso de uma florzinha roxa, até sentir-se leve, flutuando. Mas em seu berço de imigrante pobre foi com o cheiro inebriante da cola, em seu primeiro sapato de couro, que o menino Amós se deliciou. A mãe de Oz se matou; o menino cresceu, se libertou: virou romancista. Conto ou romance, se for por prazer de ler — ou de escrever —, criam seu próprio tempo. É a escolha de cada um que importa, e não a circunstância em volta.&lt;br /&gt;Vovó nunca leu nenhum romance. Nem conto. Nem mesmo jornal. Imigrante também, nunca aprendeu a ler. Mas num tempo em que ninguém mais tem tempo a neta dela escreveu um romance, apostando a vida em sonhos que muitos outros, em seu lugar, já julgariam perdidos. Em vez de comprar flor, prefere cultivá-las num canto apertado do apartamento, fazer o quê: tem gosto pra tudo, e sim, muita coisa pra fazer. Mas conto ou romance, quando um livro é realmente bom, encontro sempre o tempo de lê-lo: nem demais, nem de menos.&lt;br /&gt;No final das contas, não é o tempo disponível que interessa, claro. Nem o tamanho do texto, mas o assunto, o envolvimento. É pensando nisso que custo um pouco a entender porque tanta gente hoje em dia, com tanto assunto pra escolher, decide escrever sobre o que escreviam, ou pensavam, ou sonhavam, os autores de antigamente: reconhecidos, porém já mortos. Será medo? Medo de ousar? Medo de escolher? Ou medo de incomodar? Ainda mais se levarmos em conta que o clássico moderno sobre o tema já foi escrito em 2002, e é tão bom, mas tão bom, que dificilmente será superado: é o &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4495&amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8575034456" target="blank"&gt;"Mal de Montano"&lt;/a&gt;, de Enrique Vila-Matas. Medo de assunto não está com nada, mas que existe, existe. Até mesmo José Castello, meu favorito entre os críticos literários, anda pensando em optar pelos mortos. Mas no caso dele, a coisa até se justifica: com o parecer honesto e original que lindamente praticou, nas suas &lt;a href="http://rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&amp;modelo=2&amp;amp;secao=3&amp;lista=1&amp;amp;subsecao=11&amp;ordem=0&amp;amp;semlimite=todos" target="blank"&gt;"Cartas de um aprendiz"&lt;/a&gt;, incomodou tanto aspirante a gênio que simplesmente... desistiu. Largou de mão. Mesmo sendo crítico, o cara é ótimo: não quer magoar ninguém, e nós, escritores, é que perdemos com isso. Enquanto há tempo, confere lá. E vê se aprende alguma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3585330719456306241?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3585330719456306241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3585330719456306241' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3585330719456306241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3585330719456306241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/primavera-no-ap.html' title='Primavera no apê'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2010107981829001957</id><published>2007-09-10T17:39:00.000-07:00</published><updated>2008-12-13T03:07:14.621-08:00</updated><title type='text'>Segunda vida</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Ana Beatriz Guerra&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então minha curiosidade me levou até o Second Life...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engana-se quem pensa que o tal jogo vai ser tão "hype" aqui no Brasil quanto o Orkut foi há algum tempo atrás. O Second Life não vai virarconversa de bar, apesar de algumas multinacionais e empresas de comunicação tupiniquins já investirem seus logotipos no mundinho virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até alguns meses, só quem tinha um certo trânsito em línguas estrangeiras, especialmente inglês, poderia fazer uso do programa. Mas agora já existe o Second Life em português e, em questão de poucos meses ausente do jogo, pude constatar diferenças gritantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Copacabana de lá é povoada por uns seres tão estranhos quanto a de verdade. A Copa de lá tem bares que soltam bolhas de sabão pelas paredes. No Copacabana Palace de lá não existe foyer, é tudo branco, com espaços ainda a preencher, pontos a ligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os papos em português são totalmente vazios. Não se fala português, na verdade. Fala-se internetês o tempo inteiro. E, em poucos minutos, pelo nível de complexidade das conversas, dá para perceber o abismo educacional dos brasileiros médios em relação aos estrangeiros médios que usam o programa. O Brasil de lá não é hype, só acha que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impulso básico mesmo para começar a brincadeira é a curiosidade. Como deve ser um mundo, como dizem os desenvolvedores, "imaginado e criado por seus habitantes"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virtualmente falando, pode-se fazer qualquer coisa dentro do Second Life. Desde que você entenda algo de design. A plataforma é pesada e requer máquinas com processamento mais rápido e bastante memória. Enquanto se roda o programa, é bom não abrir janelas de outros aplicativos. Aliás, você nem vai querer isso. Porque a segunda vida pode ser bastante sedutora e envolvente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você começa criando um login e senha na web para depois fazer o download (gratuito) do programa. Não é preciso pagar para usar o Second Life, mas os usuários premium têm direito a 300 Linden Dollars (a moeda "local") por mês para gastar como for, seja comprando terrenos ou uma xícara de expresso. Só me digam depois por que cargas d'água ter um terreno que não existe ou tomar um expresso sem poder sentir o sabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O login é o nome do seu "avatar", a personagem que você vai assumir lá dentro.Prefiro dizer "boneco" ou "boneca", porque, montando o meu avatar, me senti menina de novo, recortando bonecas e roupinhas de papel. A idéia é a mesma, só que muito mais sofisticada e muito menos imaginativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que você cria o seu boneco e "nasce" para a sua "segunda vida",vai parar num território neutro onde existem avatares que vão responder a todas as suas perguntas de novato. E é aí que começam os seus problemas. É aí que termina o seu livre arbítrio. Porque você descobre que existem códigos de conduta. Porque você descobre que, para fazer qualquer coisa, essa coisa precisa ser pré-definida pelo programa. É aí que todo sonho socialista termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ganham uma aparência padrão, de acordo com o sexo escolhido. É aí que todo sonho de igualdade termina. Sua aparência pode ser configurada de acordo com o seu gosto. Gastei horas, ou melhor, dias só adaptando a aparência da minha boneca. Tentei fazê-la parecida comigo - em vão -, porque, na minha cabeça, não teria nada a esconder, não gostaria de ser, numa segunda vida, nada diferente do que sou na primeira. É uma descoberta e tanto você saber que tem confiança o suficiente para não querer ser mais ninguém. Tudo bem, mas o quanto eu não perderia se não fosse alguém diferente? Que tal uma personalidade diametralmente diferente da minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que resolvi que minha boneca seria dançarina num clube de strip-tease. Talvez eu tenha sido influenciada por uma francesa cuja boneca tinha a mesma profissão."Você vai precisar de um avatar mais bonito", a garota me disse. E eu até entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo no Second Life, tirando os novatos, tem aquele jeito de personagem de mangá: olhos grandes, cabelos ultracoloridos, roupas bem ajustadas, corpo torneado. A obssessão pela beleza é nítida. São poucos os que escolhem aparências diferentes, como de bicho, monstro ou robô, mas, ainda assim, bichos, monstros e robôs de vídeogames e desenhos animados. Fui percebendo que eu não teria muita mobilidade se continuasse "feia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ter um corpo mais bonito, eu precisaria de dinheiro. Porque no Second Life tudo é opcional: cabelo, pele, roupas e até os órgãos sexuais. Minha boneca até bem pouco tempo não tinha nem mamilos nem vulva. Rodei todo o mundo atrás de uma pele "bonita" (entenda-se próxima do real) e gratuita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incrível como nos poucos meses que passei sem jogar tudo foi mudando. Há especulação imobiliária no mundo virtual. Lugares que existiam num determinado ponto não existem mais. As mudanças são tão rápidas quanto os pensamentos. E, com um pouco de lábia, consegue-se tudo, todas as dicas para uma melhor circulação nesse universo estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri, por exemplo, que se ganha dinheiro virtual ficando alguns minutos sentado numa cadeira, esfregando o "chão" ou panfletando notinhas de eventos. Os poucos Linden Dollars acumulados nessas atividades rendem pequenos prazeres como sapatos novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você quiser radicalizar, pode passar 300 minutos sentada para ter o corpo igual ao da Tyra Banks. E com igual quero dizer idêntico mesmo, existem lojas onde você pode comprar um dublê de corpo, desde o da Avril Lavigne até o da Sophia Loren. Nova, é bom frisar. Porque não existe gente velha no Second Life, andei observando. Ou doentes. Uma boneca mais rechonchuda teve dificuldade em encontrar um par para dançar dia desses, numa ilha perdida do "Japão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LD5flKrhAv8/RuXjFhjoE0I/AAAAAAAAAAc/imwZphQiepk/s1600-h/secondlife1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LD5flKrhAv8/RuXjFhjoE0I/AAAAAAAAAAc/imwZphQiepk/s400/secondlife1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108739036368343874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que então este é o espaço para exercitar os maiores sonhos impossíveis da humanidade, como ter um corpo perfeito, não envelhecer e não morrer? Talvez, se você achar que um monte de pixels é a perfeição...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será então que este é o espaço para exercitar todos os seus medos e preconceitos antes de ser banido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que atrai e repudia e amedronta no Second Life é a bizarra semelhança com a realidade. Quantas vezes já não me vi em minhas atividades diárias achando que estava mesmo numa simulação de computador... Quanto tempo as pessoas não passam sem ser elas mesmas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sigo percorrendo aquelas ruas falsas em terceira dimensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha boneca já teve muitos pretendentes, ficou presa numa gaiola, flutuou numa cadeira inflável, voou, teletransportou-se, comprou vestidos vintage com um clique no botão direito, fantasiou-se de Mulher Maravilha, fez e aconteceu. E, do outro lado da tela, estava eu, minha primeira vida suspensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chama a atenção é que, mesmo num espaço que convida à brincadeira, as pessoas, ou melhor, os avatares se levam muito a sério. Transporta-se para o mundo virtual os mesmos pré-conceitos, falhas e inseguranças do planeta presente, como se nem por trinta minutos se pudesse escolher ser outra pessoa só por diversão. Como se tudo tivesse que ser um grande compromisso. Como se não existissem válvulas de escape. Para alguns avatares, certamente não. Para a minha boneca, bom, ela vai continuar por lá enquanto tiver graça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2010107981829001957?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2010107981829001957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2010107981829001957' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2010107981829001957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2010107981829001957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/segunda-vida.html' title='Segunda vida'/><author><name>Reiki pela vida</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LD5flKrhAv8/RuXjFhjoE0I/AAAAAAAAAAc/imwZphQiepk/s72-c/secondlife1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8835696871650809916</id><published>2007-09-06T08:27:00.000-07:00</published><updated>2008-12-13T03:07:14.753-08:00</updated><title type='text'>Feira</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(255, 102, 0);"&gt;Por Simone Silveira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Feira é sempre maravilhosa, seja lá onde for, do Brasil à Turquia não há muita diferença não. São todas caóticas, são todas criativas, são todas convidativas e a gente se perde, em meio de tralhas, comida, flores, temperos, gente, bicho. Feira de São Cristovão é forró. Mercado de Istambul é cheiro de chá de maçã seca e tapetes luxuosos. Feira de Martha's Vineyard é feira florida. Feira africana na Ilha de Maurício é labirinto de saris indianos. Feira da Praça da Gávea é pra comprar peixes pro seu gato. Feira do Campo do São Bento em Niterói é pra se perder em meio de bibelôs e artesanato. Feira do Embarcadeiro em San Francisco tem gosto de mel e tortilhas mexicanas. Mercado das Pulgas em Paris é pra achar cacaréus e quinquilharias preciosas. É na feira que eu conheço o país, a cidade, o povoado. Feira é de gente e para gente—gente pobre, gente rica, gente preta, gente branca, gente velha, sarada, todo tipo de gente. Porque eu gosto de ser gente, onde vou, onde passo, meus olhos se abrem. Em qual esquina, em qual rua, haverá uma feira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(255, 102, 0);"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/RuAcmXD0I0I/AAAAAAAAAW0/ZV7Lh9yyxTE/s1600-h/IMG_2913.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/RuAcmXD0I0I/AAAAAAAAAW0/ZV7Lh9yyxTE/s200/IMG_2913.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5107113422788764482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Feira na Ilha de Martha's Vineyard, Ma, USA.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8835696871650809916?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8835696871650809916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8835696871650809916' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8835696871650809916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8835696871650809916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/feira.html' title='Feira'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/RuAcmXD0I0I/AAAAAAAAAW0/ZV7Lh9yyxTE/s72-c/IMG_2913.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-6940994220902644618</id><published>2007-09-05T10:56:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T10:57:43.539-07:00</updated><title type='text'>artefato que enfeitava a saia verde dela</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;paetê miçanga lantejoula. não sei o nome exato do apetrecho que dá nome à coisa. nem ao que senti: uma espécie de dejavú, retorno ao tempo, lembrança fora de hora, saudade do raio que o parta. o fato é que exatos cinco meses depois que aquela arremedo de mulher me deixou, entro no quarto e dou de cara com o objeto reluzente no chão. tal artefato enfeitava a saia verde dela. a saia comprada no comércio popular carioca, no saara. fico paralisada com a avalanche de sensações que de repente cercam minha cabeça, tudo assim, em nove segundos e meio. foi necessário apenas esse tempo fictício para que tudo voltasse à tona: os beijos, as juras, as entregas, o calor, a sede, o quarto sempre trancado, o gelo, a pasta dental de morango, a calcanhotto no repeat, a quentura de janeiro, os dias que não sabíamos onde iniciavam e se estes terminavam, enfim. ela voltou aqui. eu, que acredito que as pessoas vêm me visitar em espíritos e vontades, sei que ela passeou por aqui e me senti invadida. que sacana! aproveitou de minha ausência e veio bisbilhotar minhas coisas! observei outro tanto de tempo antes que apanhasse o acessório que enfeitava a tal saia. lógico que, pervertida que sou, me lembrei que tal objeto deveria ter sido retirado com nossas fúrias voluptuosas e senti saudade. do sexo, dos medos, das descobertas, do cabelo azul, das risadas, das mãos dela, e das historinhas pra dormir. segurei delicadamente o treco como daquela primeira vez que encostei os meus lábios nos dela. foi tão cerimonial que pareceu uma dança. e foi. o enigma é que a música parou de tocar há exatos cinco meses.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-6940994220902644618?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/6940994220902644618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=6940994220902644618' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6940994220902644618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/6940994220902644618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/09/artefato-que-enfeitava-saia-verde-dela.html' title='artefato que enfeitava a saia verde dela'/><author><name>Uma conversa e muitos laços</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09687678465496120309</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://4.bp.blogspot.com/_0GxxAvOUgIc/TPaZ61zIYOI/AAAAAAAARlc/wwE4uggwOuc/S220/camisa_estampa..jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4834966155993887335</id><published>2007-08-31T14:31:00.000-07:00</published><updated>2007-08-31T14:32:43.098-07:00</updated><title type='text'>Um real</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Essa mania de bancar a engraçadinha só me causa problema, gente. Sério. Ou vocês pensavam que era só aqui no blog? Não. É um vício. Um transtorno. Uma praga. Um modo de viver a vida que não vale a pena, garanto. Já me valeu muita inimizade, muito tiro pela culatra, pra não falar do meu péssimo hábito de resolver os problemas de todo mundo. Eu falo demais.&lt;br /&gt;Hoje, por exemplo. Resolvi que hoje, dia trinta e um de agosto de dois mil e sete, eu ia, finalmente, mudar. Não ia fazer nenhum comentário desnecessário, nem explicar nada, nem facilitaria a vida de ninguém, em detrimento da minha própria. Ficaria na minha. Discreta. Calada. Hum. Não funcionou.&lt;br /&gt;Eu tinha planejado comprar uma azaléia nova, e ao passar pela loja, na Antero de Quental, perguntei o preço:&lt;br /&gt;— Oito reais. — Mais os três da violeta que eu queria levar pra mamãe, por conta da sexta-feira e tal, onze.&lt;br /&gt;— Aceita cartão?&lt;br /&gt;— Não. Só dinheiro. E cheque. — Na carteira, eu só tinha dez. Vou passar no banco, pensei. Enfrentar a fila, porque afinal, não tinha trazido o tal chaveirinho gerador de senha, conhecem essa? Na agência perto do cinema não tinha Prime, e a fila... vocês sabem: é sexta; pela hora da morte. Fui à minha agência, sete pessoas na minha frente. Pensei: ao chegar no caixa, não vou comentar nada, nem fazer nenhuma piadinha. Afinal de contas, estou aqui por minha própria escolha. Ninguém tem nada a ver com isso.&lt;br /&gt;O caso é que das sete pessoas, pelo menos três tinham uma verdadeira bíblia em contas, fala sério, e eu lá em pé, morrendo de calor, ainda com gripe, indisposta. Esperando. Sete. Seis. Cinco. Quatro, três, dois. Opa. Sou eu. Não consegui, gente. Cheguei na frente do caixa:&lt;br /&gt;— Vinte reais, por favor. — E fui em frente: — os vinte reais mais custosos de toda a minha vida. Mas não tem importância, foi até bom. Deu pra relaxar.&lt;br /&gt;— Mas quando a senhora só quiser retirar, use o caixa automático...&lt;br /&gt;— Eu sei, minha filha. Mas não planejava tirar dinheiro, e não trouxe o tal do chaveirinho. Paciência.&lt;br /&gt;Saí do banco meia hora depois, com os vinte reais, mas muito puta comigo mesma. Enquanto eu andava as duas quadras até a loja de plantas, na direção contrária da minha casa, repetia obsessivamente dentro da cabeça: "quando eu chegar na loja, não vou falar nadinha, juro. Vou comprar a planta, pagar e pronto. Não vou ficar me explicando, tintim por tintim, ninguém agüenta mais isso." Pego a azaléia, a violeta, levo no caixa, dou um leve sorriso e adianto os vinte reais, cash.&lt;br /&gt;— Tem um real?&lt;br /&gt;— Não! — respondo, bem lacônica. E fico ali quieta, enquanto na mente, vendo o movimento da vendedora procurando troco, já vou criando a novela: "não quer deixar por dez? Poxa. Se fosse pra deixar por dez, não precisava eu ter ido ao banco. Fiquei na fila mais de meia hora, imagine." Mas a boca? Nem se mexeu. Vejo a vendedora perdida, buscando uma solução, roda daqui, roda dali, mas me segurei. Finalmente ela se decidiu, abriu a própria carteira, tirou de lá uma nota de dois "real" toda amassadinha, mais duas moedas de um real (que eu odeio), e me deu o troco contadinho: nove reais.&lt;br /&gt;— Obrigada.&lt;br /&gt;Saí de lá feliz da vida, pronta pro fim de semana, e com sorte, uma nova vida. Mas fala sério: podia ter passado sem essa, e afinal de contas, economizado um real.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4834966155993887335?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4834966155993887335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4834966155993887335' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4834966155993887335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4834966155993887335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/um-real.html' title='Um real'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1569025715544976951</id><published>2007-08-27T07:52:00.000-07:00</published><updated>2007-08-27T07:53:14.853-07:00</updated><title type='text'>Um blog que (quase) ninguém lê</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Let's not, and say we did", repete o Alan. Tem sido este, ultimamente, o mantra preferido dele, que enjoou de vez de sair de casa. E segundo ele mesmo conta, o do pai dele antes dele, e antes disso o do avô, e por aí vai. Ou diz que foi. Algo que, com meu parco talento de tradutora, não consigo importar pro português de jeito nenhum. Não com o ritmo e a cadência que eu gostaria, ah, Noga, deixa de frescura e traduz assim mesmo, afinal de contas, não tem ninguém lendo: "a gente não vai, mas diz que foi". Fudeu*. Se estrepou. Criou-se o mito, a mania, a onda: simples assim. Todo mundo diz que foi, mas não vi ninguém lá. Todo mundo tem, mas ninguém usa (até parece vibrador). E aquele best-seller então? Todo mundo comprou, mas ninguém leu. Tô falando de quê, mesmo? Pra quem?&lt;br /&gt;— Ei, você aí! Tá me ouvindo?&lt;br /&gt;— Quem? Eu?&lt;br /&gt;— É. Você mesmo, que me encontrou online.&lt;br /&gt;— Tá falando comigo? Eu, hein! Já fui. Tô fora.&lt;br /&gt;Bato na porta. Grito. Insisto. Mas não acho ninguém. Escrevo para milhões, todo mundo sabe, faço isso faz tempo. Desde que resolvi publicar online, todo santo dia, uma versão vagamente confessa dos meus dramas cotidianos. Draminhas. Dramalhões. Transformados com alguma arte em projeto único de literatura, é. Pra você aí que (não) me lê (nunca), faço do blog um compromisso sagrado, um cultivar diário do ritual de escrever, quase outra religião, ah bom, agora entendi: digamos que eu rezo, mas não tenho a menor fé. Capricho no tema, no toque, no bom ou mau humor do dia, na dor, na nudez* da emoção, no gozo* da poesia. Corrijo a sintaxe com o maior carinho, a grafia, o ritmo. Leio em voz alta feito louca, o dicionário sempre ao lado, ops, na janela do lado. Digamos que eu escrevo, hum. Gosto de escrever, e não tenho mais nada pra fazer. Digo pra todo mundo que tenho um blog, sim, um sucesso de público, muito lido e apreciado, pode publicar aí, Joaquim, no Gente Boa: "Está no ar, totalmente remodelado, o blog da escritora e cronista Noga Lubicz Sklar, retumbante sucesso na blogosfera — onde sua audiência vem crescendo, e em ritmo chinês. Noga autografa no dia 4 de outubro, na Travessa do Leblon, o seu mais recente e pornográfico* romance: &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=4495&amp;tipo=2&amp;amp;isbn=8599822608"&gt;Hierosgamos - Diário de uma Sedução&lt;/a&gt;."&lt;br /&gt;Tudo pelo leitor, este feitor. Ou melhor: esta ilusão. Sim, gente. Foi pensando em vocês — e claro, naquele chatíssimo, indesejadíssimo pop-up do Mercado Livre que tanto nos atormentava — que eu mudei de contador, e foi aí que a coisa pegou: acabei descobrindo que oitenta e quatro por cento da minha querida, valorizadíssima audiência, que me enche tanto a bola, passa menos de 5 segundos por aqui, ouviu? &lt;br /&gt;— Hei, você! Peraí, volta aqui, pô! Fica mais um pouco! &lt;br /&gt;Inútil, já era. Paciência. Pesquiso e descubro que isso acontece nos melhores blogs, verdade: coisas da ingrata blogosfera. E por causa disso, ou melhor, apesar disso, o Noga Bloga volta hoje a ser o que sempre foi: um espaço aberto, democrático e transparente, onde me mostro inteira e provo por a+b — e outras 21 letrinhas, parágrafos, travessões e vírgulas, claro — ser uma escritora única, erótica*, ousadíssima, genialíssima, injustiçada... e não-sei-por-que-cargas-d'agua, ainda inédita. Azar de quem não me lê, viu? Perdeu. Perdeu. Não gostou? E daí? Eu sim. Afinal de contas, ninguém me lê a não ser eu mesma, e francamente: não existe, atualmente, escritora melhor do que eu, espelho, espelho meu. &lt;br /&gt;Resistiu até aqui (são 5%! só 5%!)? Pois saiba que aqui se pratica literatura, sim, a verdadeira, a amadora, a de quem escreve por puro amor à arte de escrever. Nada dessa chatice, dessa obrigação careta de ser profissional. O que não dá dinheiro, mas pelo menos, dá uma liberdade danada. Tchauzinho. Cansei, vou pra praia agora e pronto. Ninguém tem nada com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* ah, sim. te peguei. essa foi só pra gerar tráfico, viu? ops. tráfego. dos sites de busca. entendeu? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1569025715544976951?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1569025715544976951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1569025715544976951' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1569025715544976951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1569025715544976951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/um-blog-que-quase-ningum-l.html' title='Um blog que (quase) ninguém lê'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4313108058314864433</id><published>2007-08-23T14:14:00.000-07:00</published><updated>2007-08-23T18:22:43.521-07:00</updated><title type='text'>Para Não Esquecer</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;De Simone Silveira, Agosto 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;Texto dedicado à Noga Sklar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três horas da tarde de ontem, o carteiro me entregou  um papel cartão rosa choque. Era uma comunicação de comparecimento ao correio. Corri. Há um bom tempo que não recebo cartas tão importantes. Julgo-as, inocentemente por opção, de valor elevado por serem registradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se levar em consideração o cuidado extra do remetente pois não quer que seu leitor fique a ver navios e sua obra caia em mãos desafortunadas que jamais apreciarão a dedicação de se escrever uma carta, levá-la ao correio, dá-lhe tratamento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;VIP&lt;/span&gt;, e com coragem, tirar aqueles reais extras do bolso, ignorando a insistente pulguinha atrás da orelha que sussurra— e aí, boboca, palhaço, vai pagar mais? E se a carta acabar chegando de qualquer forma? Nunca se sabe, meu chapa... Você perde, mané.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pulguinha pára para se coçar e então aquela cena da multa presa no pára-brisas lhe vem à cabeça. Multa, eu? Falta a humildade de colocar aquela moedinha na máquina, ou pagar aquela gorjeta extra pro flanelinha. Tudo pra driblar o sistema e brincar com a sorte. Como é bom a adrenalina correndo pelas veias, meu caro. O jogo vira. Vez ou outra, mais cedo ou mais tarde, ele sempre vira. E a multa está lá, brincando contra o vento que te irrita ainda mais. Não seria melhor ter colocado a moeda, ou mesmo duas só pra garantir a paz de espírito. Há os que cumprem, não são jogadores. Melhor comprar mais selos, registrar a carta e ter a certeza que é tudo pela felicidade geral do leitor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro do tempo, há uns dez anos atrás, antes da internet e dos emails, como me extasiava com a chegada de cartas. Nunca deixei de prestar a atenção ao horário de entrega das correspondências. Hábito. Aprendi bem aquele prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digo mesmo que foram as cartas e a certeza da chegada delas que me salvaram da depressão e da falta da pátria quando aterrizei nos EUA. Estava, como se diz aqui, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;homesick&lt;/span&gt;. Fechava os olhos e sentia o gosto do sal da água do Arpoador, o gosto do milho carregado na manteiga do ambulante em frente ao Canecão, das ladeiras da Lapa, do carnaval, me via atrás do Suvaco do Cristo e do Simpatia, blocos carnavalescos inesquecíveis— o carnaval havia acabado de acabar e eu partira. As lembranças eram ainda latentes, o Baixo Gávea e seu bafo que não deixava de ouvir até quando dormia, janela virada para os braços do Cristo abertos para mim, o meu namorado de então, o Jardim Botânico e o jardim da escola de teatro da Uni-Rio, na Praia Vermelha. Saudades do palco do teatro Lucinda e de alguns malucos do grupo de teatro Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fodidos Privilegiados&lt;/span&gt;, Dirigido por Antônio Abjamra e João Fonseca. Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Privilegiados&lt;/span&gt;  foi a minha casa e minha família por um ano e meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;1996, A companhia havia acabado de se reunificar depois de alguns anos parada. Cara nova, grupo novo, tudo muito  frágil. Explico: a dedicação do grupo ao espetáculo e companhia era intensa e inevitável. Precisava de uma reestruturação. Éramos muitos, o grupo era de alguma forma "democrático." Entrava qualquer um, desde que fosse comprovado que o teatro era uma escolha profissional do artista (carteirinhas do sindicato dos artistas, ainda me lembro. Quem não tinha, acabou ganhando). O espetáculo foi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Que É Bom em Segredo É Melhor em Público.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor, Antônio Abujamra, juntamente com  João Fonseca, tinha tido uma idéia brilhante no início do processo, que ele mesmo não participou pois estava dirigindo novela em São Paulo e vinha a cada duas ou três semanas para dar forma à peça. O homenageado seria o Nelson Rodrigues. Montaríamos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que é Bom&lt;/span&gt; em três atos baseados na adaptação do folhetim &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Homem Proibido &lt;/span&gt;e rechearíamos os entreatos com cenas baseadas nas crônicas do Nelson. O entreato era a genialidade da montagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostava de chamar o grupo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fodidos&lt;/span&gt;, como o Abujamra. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fodidos&lt;/span&gt; porque até os nossos figurinos eram pagos por nós. Não se fazia dinheiro lá.  Patrocínio mesmo só alimentício. A nossa fome era religiosamente saciada nos intervalos dos ensaios à base de kani, aquela carne imitação grotesca de siri parecendo cigarrilha. O kani chegava aos montes durante os ensaios e apresentação. O significado mais profundo da palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fodidos&lt;/span&gt;, era a analogia direta e intrínseca à nossa condição de artista no Brasil. Éramos todos jovens, sonhadores e estávamos fazendo arte em um país que até hoje não acredita na educação, na classe artística e seu ofício, na política limpa como forma de evolução de um país e seu povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Que É Bom em Segredo É Melhor em Público&lt;/span&gt;, estreou aos trancos e barrancos para os atores. O ilustre Abujamra, apesar de  ser  um diretor excepcional, mostrou um lado anti-ético decepcionante. Cortou 2/3 do espetáculo dois dias antes da estréia, deixando assim, não mão, mais da metade do elenco, me incluo nesta leva, depois de um ano de pesquisa intensa. Aprendi ali a minha primeira grande lição de desrespeito ao artista. Talvez a mais dolorida de todas pois se deu dentro de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de trabalho, começou com visitas semanais à Biblioteca Nacional para fotografar páginas dos jornais onde o Nelson havia escrito suas crônicas. Naquele tempo não havia quase nada da obra jornalística dele publicada em livro. Quando vi os inúmeros livros de crônicas sendo vendidos na FLIP—Festa Literária de Paraty, quase tive um enfarto. Tudo lá, prontinho pra levar para casa. Trouxe. Progresso gigantesco na literatura brasileira. Depois das visitas à biblioteca e dinheiro suado gasto para a xerox e passagem do próprio bolso, foi a vez das leituras e mais leituras— peças, romances e textos. Palestras. Começamos aliás, no Joquey Clube, na Gávea, até conseguirmos o espaço do Lucinda, na Cinelãndia. As noites acabavam ao lado, em brahma e batata frita no Amarelinho. Mesas de discussão, dentro e fora do teatro. Entre a aparição da Camila Pitanga, dando o ar da graça e de sua presença marcante por duas semanas, provando que nem todo global é, aliás insuportável e a saída dela, muito sangue rolou naquele grupo e naquele teatro, que diz a lenda ser mal assombrado (assombrado mesmo, era para mim voltar pra casa cruzando a Cinelândia à uma da manhã em dia de semana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camila era, penso ainda ser, simpática. Falava com todo mundo. Dizia estar em busca de uma experiência teatral. Trocamos até telefone. Iríamos tentar trazer meu ex professor da Uni-Rio, Léo Jusi, pra falar do Nelson pro grupo. Daí veio convite melhor, e ela cheia de ginga, partiu. Não sem antes deixar para trás um rastro da sua beleza latina da mistura das raças e da sua bunda perfeita e redonda, segunda a própria Pitanga, eleita naquele ano, a melhor da rede globo de televisão (perdão Camila, prometi confidência. Mas não fiquei famosa e duvido que ainda se lembre de mim. A verdade, mais cedo ou mais tarde sempre vem à tona. E hoje, quem se importa? Queria eu ter a sua bunda. ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas daquele ano continuaram. Talvez não tão para a parte privilegiada do grupo. Quem faria o papel principal ? Era a nova questão. Uma outra mocinha, selecionada para o papel principal,  durou poucos ensaios, foi selecionada para um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gig&lt;/span&gt; melhor, novela no SBT e partiu para Sampa. O negócio é esquecer gente famosa e lançar sangue novo e ambicioso, como foi com a Cláudia Abreu no papel de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hamlet&lt;/span&gt; da memorável montagem a seguir premiada de Abujanra de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um certo Hamlet, &lt;/span&gt;em 1991&lt;span style="font-style: italic;"&gt;,&lt;/span&gt; só com mulheres. Foi nesta montagem, que decidi ser atriz profissional, estudar teatro pra valer na universidade. Ainda trabalho com este cara, pensei, então, no auge dos meus dezesseis anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem? Quem? Quem? Põe a Guta Strauss, que acaba de chegar do Sul, de Curitiba. Guta tinha alguns conhecidos que já trabalhavam com o Abu há algum tempo, foi recebida com carinho extra. E por que não? E lá entrou a Guta. Menina cheia de energia, determinação. Ambiciosa. Tinha mesmo uma fisionomia rodriguiana, misteriosa, quase macabra. Ela era despachada. Sem medo. Repito, aquela menina não tinha medo de nada, do palco, de gente, do diretor, das luzes, dos erros, nada, absolutamente nada. Era impressionante. Eu a detestava como atriz, meu santo não batia com o dela fora dos palcos, mas admirava o profissionalismo e a eficiência. Guta aprendia tudo numa rapidez, marcação, fala, tudo. Assim foi. Papel escolhido é a vez de ensaiar. Era necessário colocar o volume exacerbado de informação coletada pelo grupo numa forma simples e atingível ao público. Paralelamente começou a ser produzido um outro espetáculo de Nelson Rodrigues, a adaptação de Abujamra e João Fonseca, assinando também a direção, para o romance &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Casamento&lt;/span&gt;, Guta assumiu aquele desafio também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha casa virou um antro rodriguiano na época dos ensaios. Arrastava móvel pra cá, levava a reck da televisão para lá. O meu namorado, que odiava gente em casa, estava à beira de um ataque de nervos. E eu decorava as frases da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Engraçadinha e Seus Pecados &lt;/span&gt;e procurava alucinadamente apagar o naturalismo da sua imagem de seriado global. Expressionismo. Era só o que ecoava naqueles dias. Precisávamos de espaço. O Dulcinda, na reta final, estava mais ocupado com os ensaios de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Homem Proibido &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O casamento. &lt;/span&gt;As cenas rodriguianas que conectavam a trama tinham que se virar para sair do papel. A gente ensaiava em qualquer lugar. Ano louco aquele. Peça pronta, ensaio geral. Chega o diretor de Sampa. Passamos a peça. Abu só balançava a cabeça. Muito longo, três horas e meia de espetáculo, dizia ele, o público vai dormir. Medo da Bárbara Heliodora sentada na primeira fila no dia da estréia? E não é que ela malhou mesmo? Detestou tudo. Temos que enxugar, concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ducinda quase veio abaixo. Cabeças rolaram, obviamente. Foi um deus nos acuda nos bastidores, novatos à beira do pranto. Depois do corte, lá se foram quase todas as cenas do entreatos, dois dias antes da estréia. Depois do choro, o boato—Tudo pelo processo. Não é esta a desculpa dita preferida aos que vivem pela arte no Brasil, principalmente aos que sonham em acontecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peça enxuta, o resto do povo, virou mesmo, obviamente, povo, plebe, coro, no fundo do palco, cinqüenta atores da companhia, sentados em cadeiras duras durante duas horas e meia no fundo do palco do Teatro Lucinda. Imóveis. Mão nos joelhos. Só podiam piscar. É yoga. O negócio é dar vida aos olhos. Aos olhos, pupilas e cílios. Sobrancelhas, jamais! Juro ter sido esta a mais dolorida temporada teatral de todos os tempos. Tudo pelo teatro, era assim para muita gente ali— O tempo, o dinheiro dos pais, o próprio vindo dos salgadinhos, langeries e produtos da Natura vendidos no intervalos. Eu só pensava nas três classes que havia trancado na Uni-Rio, no meu dinheirinho suado de vendas de bombons e jóias entre uma matéria e outra na faculdade. Tudo em vão. Tudo? Claro que não. Pois não estou aqui hoje recordando com saudade, e digo mais, até com um certo prazer daquela experiência? Foi uma escola. Certamente. Verdade que não esqueço o desrespeito do mestre às suas próprias crias. Abraão sacrificando seu próprio filho para adorar a seu deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo pela arte. Abú cortou muito. Resolveu eliminar os figurinos de quem não era elenco principal, vestíamos camisolas sexy preta. Nem deu pra salvá-las porque ele as detestou. Na tentativa final, quis que fossem cobertas em renda dourada. Passei uma noite com a figurinista e uma latinha de spray nas mãos tirando o negativo da renda sobre a camisola de laicra barata. Camisola rendada, cortada da peça também. Dezenas e dezenas, lixo. Nem deu pra levar pra casa a peça que me custou, ainda me lembro trinta reais. Elenco de apoio, sim viramos apoio dois dias antes da estréia, entra em roupa cotidiana—calça jeans e camiseta, resolveu o mestre. Ponto. Do pouco que restou da extraordinária obra do Nelson  baseada nas crônicas e engavetada na Biblioteca nacional, que garimpamos e adaptamos, foi a dispensável mini cena com a loirinha linda de desessete aninhos. Era ligada ao Glauber Rocha, tinha o sangue do mundo do cinema. A loura não hesitou em ter uma cena de um minuto completamente nua, à meia luz. Era a sua única e primeira aparição nos palcos brasileiros. Abu entendia, a platéia também. Era Nelson Rodrigues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao imigrar para os EUA, o teatro, foi o que mais me trouxe sofrimento e gerou saudades. Traidora dele no seu conceito e princípio mais puro. Carreguei esta sensação e culpa por anos. Tudo pela arte? Tudo mesmo? Eu falhei no meu próprio país. Léo Jusi escreveu no quadro negro da Uni-Rio em uma aula de Direção Teatral —&lt;span style="font-style: italic;"&gt;você quer o teatro, e o teatro, te quer? &lt;/span&gt; Ali ele deve ter tirado metade da turma do trilho. Jamais esqueci aquela colocação. Exílio para mim aos vinte e dois anos. Meu exílio foi espontâneo, necessário, para esquecer os amores deixados para trás. E as cartas, as cartas me salvaram. Telefone era muito caro, ninguém ligava mesmo e eu não ligava de volta. Não sabia dos cartões telefônicos. Nem sei se tinham. Além do mais, sempre detestei falar pelo telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Cartas eram conforto, entre elas as de Rosa, minha grande amiga, irmã de alma, chegando semanalmente e sendo respondidas prontamente. Lia uma e a saudade era saciada. Nas respostas que lhe enviava, contava sobre a América, e assim eu ia me entusiasmando com tudo que era novo, com as minhas próprias impressões da realidade observada e vivenciada. Até que fiquei, fiquei mesmo, namorei, casei, tive filhos, jurei à bandeira, virei cidadã, estou voltando às artes— ao teatro, à costura, à leitura, à escrita. Tudo sendo feito novamente. Bem feito. Com amor. Dedicação e retorno. Há coisas que não mudam. Adormecem. De tanto cansaço. Ainda bem. Alívio. Há outras que evoluem muito rápidas, como a comunicação, o surgimento dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;emails&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chatrooms&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;msn&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;skype&lt;/span&gt;, e outras maravilhas do mundo moderno, que estou aos poucos me simpatizando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais cedo ou mais tarde, eu me modernizo, me atualizo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I will catch up, I will be on the ball&lt;/span&gt;, o leite jamais ferverá e transbordará, não perderei o trem das onze, e vou parando aqui para não perder a originalidade do texto. Longe de plagiar o mestre Joaquim Ferreira dos Santos e suas expressões ressuscitadas do limbo, da lama, do escuro amedrontador do esquecimento. Esquecimento, que um dia, mais cedo ou mais tarde, cairemos todos, a maioria. Não cairemos, despencaremos, como fruta amadurecida, amarelada, murcha, manchada, bichada, flácida, seca, sem vida, sem suco. Inevitavelmente, desprevenidamente, assim sem mais nem menos, num dia quente de verão, ou mesmo por uma chuva forte, quem sabe pela força delicada da leve brisa interrompendo a natureza caridosa que ainda permite o fruto gozar do seu último gole de seiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu, você e o próximo cairmos, de verdade, ou no esquecimento, não restará muito, cartas, quase impossível. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Emails &lt;/span&gt;salvos no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hard drive&lt;/span&gt;, talvez. Mais cedo ou mais tarde se apaga tudo para não sofrer. São elas, as cartas, objetos de afeição quase perdidas, quase esquecidas pelo desuso, pela evolução da humanidade, como o latim, que pena, como uma lembrança vaga, um beijo de outrora. Eu gosto mesmo delas, de verdade. Sou tão obsoleta, fora de moda. Então, pedi perdão ao santo padroeiro das mães, coloquei os filhos na frente da televisão, gritei pro marido trabalhando no quarto ao lado que iria dar uma saidinha por quinze minutos. Fui ao correio buscar a minha carta. Há anos não recebo uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era. De dentro do envelope, puxei o conteúdo. Li &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hierosgamos—Diário de uma Sedução&lt;/span&gt;, de Noga Lubicz Sklar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha querida amiga de Oficina Literária de Paraty colocou dedicatória no seu livro capa rosa choque. Coincidência gostosa. Tem dedicatória, pensei, pode se dizer que é carta. E assim foi para mim. Fiquei feliz, ganhei meu dia! Carta longa é este livro. Noga, vou ler sua obra como se estivesse me escrito e contado um segredo seu, sagrado. Prometo te enviar uma carta de volta com comentários ao término da leitura. O meu obrigado é esta crônica que dedico agora, neste exato momento, à você.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4313108058314864433?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4313108058314864433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4313108058314864433' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4313108058314864433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4313108058314864433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/para-no-esquecer.html' title='Para Não Esquecer'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8293894694474399128</id><published>2007-08-16T06:33:00.000-07:00</published><updated>2007-08-16T06:34:12.511-07:00</updated><title type='text'>Terror em Silent Hill</title><content type='html'>"A acompanhante, imagine, dopava o casal de idosos e saía pra namorar, deixando os dois em casa sozinhos. Numa dessas, exagerou na dose... e a senhora morreu durante a noite", é o que me conta C., a simpática, doce criatura responsável por mamãe nos últimos três anos. Acabei de demiti-la, com a desculpa bastante real da contenção de despesas, mas cá entre nós, nunca engoli esta mulher. &lt;br /&gt;Venho trabalhando no assunto há quase seis meses, procurando uma alternativa viável ao esquema dela e tentando convencer a família da urgência em substituí-la. Me entendam bem: mamãe é assistida 24 horas por dia por duas cuidadoras zelosas, nas quais depositamos toda a confiança do mundo (espero que merecida). A ex-funcionária em questão exercia a função de "coordenadora da equipe" — ? e mais: ???? —, e o processo de demissão em si levou 2 semanas, durante as quais fui forçada a escutar de C. os mais escabrosos casos de maus-tratos a idosos, tudo numa tentativa patética de me provar, por a+b, a absoluta necessidade da presença dela para a segurança e bem-estar de mamãe. Até apelar para a possibilidade de apoio financeiro da comunidade judaica esta mulher apelou, ao me contar a história de um casal que acabou se suicidando por falta de recursos, fala sério. Eu disse a ela:&lt;br /&gt;— Não, C., graças a Deus, não. Não é o nosso caso.&lt;br /&gt;Agora vocês sabem o que passei nos últimos dias: vi desenrolar-se à minha frente, ao vivo, um script legítimo de um desses filmes B de terror, transformando o tranqüilo Alto-Leblon numa massacrante Silent Hill. Enquanto especulávamos várias casas de saúde para mamãe, escutei a horripilante criatura listar as desvantagens de cada uma, tudo, é claro, com o objetivo francamente manipulador de desestimular qualquer mudança:&lt;br /&gt;— Você precisa estar atenta, Noga, pensar bem. No Rio Comprido tem tiroteio todo dia, imagine você, no meio da noite, atendendo a uma emergência de sua mãe em meio às balas perdidas. E os enfermeiros, atendimento médico e ambulatório 24 horas por dia? Tudo mentira. A não ser que você contrate acompanhantes particulares da sua confiança, sua mãe será maltratada, passará fome, tomará os remédios errados.&lt;br /&gt;Não é que C. não tenha sido importante. Foi. Recomendada pelo psiquiatra de mamãe para organizar a rotina, pôr fim ao caos que imperava na casa enquanto morei nos Estados Unidos, montar uma equipe de confiança... tudo isso ela fez, e com sucesso. Se fosse, além de competente, honesta... teria ficado lá durante os seis meses necessários e seguido em frente...&lt;br /&gt;— Escute, C. — aleguei, amenizando o golpe — o doutor disse que há tanta gente precisando de você. Antes do fim do aviso prévio você já terá outra paciente, não vai perder nada.&lt;br /&gt;— Outro paciente? Não, não quero. Tenho sérios problemas de família e vou me dedicar a eles, não quero outro paciente tão cedo.&lt;br /&gt;Ah, bom. Era este então o plano perfeito dela: receber um bom salário pra não fazer nada, explorando a nossa boa-fé e insegurança de filhos... e foi por isso que ficou tão revoltada. Há quase um ano, sem que a gente soubesse, C. vinha contratando uma das moças da equipe para substituí-la. E claro, pela metade do preço. Enfim. Já foi. Posso respirar de novo.&lt;br /&gt;A noite passada foi de suspense absoluto, eu aqui em casa e mamãe na casa dela, entregue à megera recém-demitida. Tudo correu bem. Impressionante é descobrir a quantidade de pessoas que baseiam seu bem-estar e rotina profissional na exploração da desgraça alheia. O que ela me conta das casas de saúde para idosos, pelo que pude ver, não é tão absurdo quanto parece. O cliente, geralmente filho do paciente, já fragilizado pela triste situação do pai ou mãe e ainda por cima se culpando por tudo — é, gente. numa situação como essa a gente ainda por cima se culpa por tudo — é o pato perfeito para ser depenado. Maldade pura.&lt;br /&gt;"Este é o mal que existe em tudo o que se faz debaixo do Sol: o mesmo destino cabe a todos. O coração dos homens está cheio de maldade; enquanto vivem, seu coração está cheio de tolice, e seu fim é junto aos mortos". Está na Bíblia, gente. Está na Bíblia. Já estou quase acreditando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8293894694474399128?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8293894694474399128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8293894694474399128' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8293894694474399128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8293894694474399128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/terror-em-silent-hill.html' title='Terror em Silent Hill'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1358162119254706880</id><published>2007-08-15T16:41:00.000-07:00</published><updated>2007-08-15T16:42:52.858-07:00</updated><title type='text'>Do outro lado da mesa</title><content type='html'>Por Giovana Damaceno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São mais de 50 pares de olhos pregados em mim. Quem me conhece mais de perto pode pensar que estou falando de bichos. Sou da Sociedade Protetora dos Animais e com freqüência escrevo sobre bichos. Mas não são deles essas dezenas de olhos aos quais me refiro. Poderia até dizer que são tão infantis, ou inocentes, ou curiosos, quanto os de um cão arisco, ou um gato acuado. Mas falo mesmo de gente, uma turma de mais de 50 alunos do curso de Comunicação Social do UniFOA, onde estreei como professora de História da Comunicação há cerca de 15 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei falando das dezenas de olhos fixados na minha pessoa, porque é o que mais me chamou à atenção – e ainda me chama – nos momentos ansiosos da estréia. Há quase 20 anos estava do lado oposto, a observar atentamente, com olhar muito crítico, cada um dos professores que começavam o ano conosco. É inevitável essa observação atenta. Afinal, aquele cara, ou aquela mulher, entra ali para me ensinar alguma coisa que será fundamental na minha formação, vai passar um tempo considerável comigo e o que é pior, vai me avaliar. Quem é essa figura, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje me lembro do que esperei de cada um deles, quais foram as primeiras impressões, as simpatias imediatas e as antipatias que se tornaram eternas. Ficaram para sempre algumas conversas rápidas na saída da sala, quando falávamos sobre alguma particularidade minha – ou dele. Também não foram poucas as decepções ou frustrações com aqueles de quem esperei muito e não obtive nada, além de “boa noite, pessoal” ou “até semana que vem”. Nenhum conteúdo interessante, técnico ou filosófico, político, social ou cultural. Esses eram professores por acaso, por bico, por erro. Sim, eram pessoas erradas na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os inesquecíveis ficaram, desde as primeiras semanas de contato, no altar da minha imaginação, onde os tenho guardados, como peças raras de colecionador. Alguns ainda firmes e fortes, outros que já cumpriram seu tempo. Foram mestres, amigos, pais, mães, companheiros. Tinham matéria e história para contar, eram ocupados e preocupados com a responsabilidade de uma formação profissional, puxavam nossas orelhas e criticavam duramente nossos textos ainda tímidos. Formaram minha postura ética, ajudaram a moldar meu caráter, me ensinaram, letra a letra, a ser uma jornalista atenta a algo mais que a reportagem, o fato em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora lá estou, do outro lado da mesa, sendo observada, avaliada. Quem é essa mulher? “Boa noite, pessoal! Sou a Giovana, professora de História da Comunicação.” E são mais de 50 pares de olhos esperando que eu os ajude a ser jornalistas e publicitários com as histórias que tenho pra contar. Sinceramente, não creio que seja tarefa fácil, a começar pela certeza de que não sou uma pessoa errada nesta vida. Se decidi aceitar o desafio de ensinar, é exatamente porque sei que não vai ser moleza. E acaba sendo muito prazeroso estudar, organizar e preparar tudo perfeitamente para que não me torne a decepção que muitos se tornaram para mim. Infelizmente conheço gente que não dá se dá ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei para escrever tudo isso, porque na outra janela do navegador está uma enorme pesquisa em curso, para a aula da semana que vem. Muita informação para compilar, quatro tempos de aula para programar, a história dos meios de comunicação para destrinchar a partir da próxima segunda-feira. E aqueles 50 pares de olhos estão aqui, diante dos olhos da minha mente, aguardando o que vem por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1358162119254706880?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1358162119254706880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1358162119254706880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1358162119254706880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1358162119254706880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/do-outro-lado-da-mesa.html' title='Do outro lado da mesa'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2184647202160050216</id><published>2007-08-14T16:11:00.000-07:00</published><updated>2007-08-14T18:03:01.747-07:00</updated><title type='text'>O que fica</title><content type='html'>Quando eu era pequena meu pai me deu uma boneca. Eu queria tanto, mas tanto, aquela boneca que, finalmente, em um dia de natal, lá estava ela. Em minhas mãos. O nome dela era Nádia. O que a tornava muito melhor do que qualquer outra boneca era que ela falava. Aperto o botão verde. "Oi, eu sou a Nádia". Eu, toda feliz, respondia: "Oi Nádia, eu sou a Érica". "Desculpe, você pode falar mais alto?". "OI NÁDIA, EU SOU A ÉRICA". "Você pode repetir?". Sim, foi frustrante. Eu simplesmente não conseguia me comunicar com a tal boneca. Minha voz era fraca e os sensores de voz da boneca não conseguiam capta-la. E meu pai, com toda a sua paciência paterna, vinha ensinar-me a brincar com a semi-menininha de cabelos ruivos. "Oi, eu sou a Nádia". "Oi Nádia, eu sou o Marco"(com seu timbre de voz forte). "Vamos fazer um passeio no parque?". "Sim". Ele colocava as mãos no rosto da boneca. "Está escuro aqui, você consegue enxergar alguma coisa?". Ele tirava as mãos. "Oh, está ficando mais claro". E assim, meu pai passava longas horas brincando com a bonequinha sob meu olhar atento. Eu gostava daqueles momentos, apesar de não participar ativamente da brincadeira. Mas aquilo passou. Uma hora eu já nem lembrava mais que a Nádia existia. Ela foi parar no patamar mais alto de meu guarda-roupa. Aquela boneca cara. O sonho de toda menina da minha idade. E de vez em quando eu ainda subo lá. Coloco as pilhas. Arrumo sua blusa rosa e sua calça de veludo vermelho que cheiram a mofo e ouço. "Oi, eu sou a Nádia". Agora ela me responde. Mas percebi que a brincadeira já não tinha mais graça. Não porque eu havia crescido e perdido o gosto pelas brincadeiras infantis. Mas porque ela me respondia. E eu não precisava mais chamar meu pai para brincar comigo. Porque a brincadeira mais legal tornou-se aquela em que eu podia ter a companhia de meu pai. Ouvir a sua voz forte. Sentir sua compaixão por me ver tão frustrada com a boneca que não queria falar comigo. E aquela boneca, cara, ficou jogada. Sem que aceitasse as minhas perguntas ou ouvisse as minhas respostas. Mas uma coisa eu sempre tive certeza: por mais baixo que eu falasse, meu pai estava sempre ali para ouvir. E isso, não há nada que possa comprar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2184647202160050216?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2184647202160050216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2184647202160050216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2184647202160050216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2184647202160050216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/o-que-fica.html' title='O que fica'/><author><name>Josephine</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-391197856396341894</id><published>2007-08-13T08:35:00.000-07:00</published><updated>2007-08-13T08:37:42.996-07:00</updated><title type='text'>nas páginas amarelas da agenda do pequeno príncipe</title><content type='html'>eu tenho uma agenda do pequeno príncipe. azul. onde supostamente são anotadas coisas para uma suposta execução. mas eu me lembro de tudo. de tudo. não precisa do azul da agenda, e nem do marcador branco, em fita de cetim, entre as páginas: eu não esqueço nada!na capa há o menino do b612, com as mãos no bolso, no planeta que é só dele e a criança tem um ar de pessoa perdida, embora ele esteja lá no seu mundinho. é como eu. como todos nós, os nós. as estrelas sempre ao alcance das mãos, mas não se ousa.depois da capa, há figurinhas de um cenário mágico. e depois, na página amarela o intocável: palavras escritas de caneta azul (e as frases de caneta, você não pode apagar!) revelando que foi quebrável o que não deveria ser. ora, mas eu tenho mania de querer ditar as regras do jogo quando a vida não é jogo, e sim dança. me jurou o amor absurdo, um abuso, até. confessou que é simples e indolor a entrega à mim e de quebra, ganhei todos os olhares mais atenciosos. assim, nas páginas amarelas da agenda do pequeno príncipe, que é igualzinha à dela, lá, naquele planeta onde ela cultiva sua flor. eu, que nunca quis ser rosa de ninguém, pra não ficar na redoma de vidro, pra não me aprisionar a um lugar; só então me dei conta de que não sou nem o menino e nem o planeta: eu sou o vulcão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-391197856396341894?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/391197856396341894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=391197856396341894' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/391197856396341894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/391197856396341894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/nas-pginas-amarelas-da-agenda-do.html' title='nas páginas amarelas da agenda do pequeno príncipe'/><author><name>Uma conversa e muitos laços</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09687678465496120309</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://4.bp.blogspot.com/_0GxxAvOUgIc/TPaZ61zIYOI/AAAAAAAARlc/wwE4uggwOuc/S220/camisa_estampa..jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1759856847647954340</id><published>2007-08-10T11:22:00.000-07:00</published><updated>2007-08-10T11:24:45.826-07:00</updated><title type='text'>Pra sempre meu amigo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Giovana Damaceno&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ele se foi. Depois de 14 anos de vida em comum, parte do que vivi durante todo esse tempo se foi, num suspiro sofrido, no meu colo. Oito quilos e meio cobertos de pêlos negros, já salpicados de fios brancos que a velhice tratou de descolorir. Meu grande amigo, velho amigão. Creio que nos últimos anos foi realmente o único que viveu comigo as maiores alegrias e as mais amargas derrotas. Viu e ouviu meu choro, meus grunhidos de desespero, me olhava atento, fixo nos olhos, quando conversava com ele, ficava triste quando eu ficava triste. Me fez companhia naqueles momentos de solidão que só nós dois sabemos, porque sentimos juntos, nos cômodos do apartamento, na varanda, embaixo do tanque, na casinha de madeira, na porta da cozinha. Eu chamava, ele atendia; não chamava, e ele sentia mesmo assim, que precisava dele. Quando eu saía, não continha o medo de que eu não voltasse mais e gritava no portão. E quando eu chegava em casa era festa, aquela felicidade saltitante, corridas pela casa, latidos, ou às vezes choro, por me ver de volta. Só quem conhece, viveu ou vive amizade assim, sincera, pode entender. Amizade com base em amor mesmo, verdadeiro, incontestável, profundo, como de almas irmãs. Meu preto, meu crioulo, meu negão, hoje não saltitou quando abri a porta da casa de manhã. Não veio correndo abanar o rabo de bom dia. Fiquei triste, quando te vi triste. Meu dia desmoronou, quando o vi caído, sem forças. E nada me consola, desde que sua cabeça pendeu nos meus braços e de seu peito senti o respiro final. Não contenho o choro, desde o momento em que o deixei para trás, em companhia das árvores. Ficou lá um pedaço da minha vida, a minha dedicação, meus maiores segredos que só a ele confessei. Obrigada, meu amigo, por todas as gargalhadas que me tirou da garganta, pelo conforto ao chegar em casa e ser recebida por você. Por ter me ensinado a cuidar, desobrigadamente, a entender que você entende, a sentir que você também sente. Sinto sua falta. Desde sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1759856847647954340?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1759856847647954340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1759856847647954340' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1759856847647954340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1759856847647954340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/pra-sempre-meu-amigo.html' title='Pra sempre meu amigo'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-1640991006877529611</id><published>2007-08-09T19:49:00.000-07:00</published><updated>2007-08-13T19:53:12.658-07:00</updated><title type='text'>Radar</title><content type='html'>&lt;em&gt;por Ana Beatriz Guerra&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubem Alves, em sua crônica “Ao Carlos Rodrigues Brandão, meu amigo”, fala, obviamente, de seu amigo Carlos Brandão e narra “causos” peculiares que tanto ama. Em um determinado momento, Rubem Alves divide conosco uma filosofia pessoal de seu amigo: “aquilo de que me esqueci eu não possuo”. O amigo de Rubem chegou a aproveitar-se dessa filosofia para não devolver um dinheiro que lhe tinha sido emprestado. Até aí não se sabe se é verdade ou mais um “causo”, mas essa filosofia certamente pôs Rubem para pensar, e a mim também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia haver nada de mais verdadeiro: “aquilo de que me esqueci eu não possuo”. Rubem usa o exemplo de um livro emprestado. Quantos livros emprestamos por aí e que deixam de ser nossos quando nos esquecemos deles ou de qual pessoa exatamente tem sua posse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho alguns livros por aqui que talvez não pertençam mais a seus donos, mas que, certamente, também não pertencem a mim, porque sei que não sou dona deles. Mas conservar um objeto de alguém é um jeito de manter a pessoa ainda a seu alcance? Porque os objetos que tenho em minha posse não são necessariamente meus, nem das outras pessoas, que sequer clamam por eles. São, em sua maioria, objetos de pessoas perdidas, não por desejo mútuo de nos perdermos, mas porque a vida se impôs entre nós. São vestígios de amizades não necessariamente findas, mas suspensas, vividas apenas num fio de memória, em frágeis encontros ocasionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a filosofia de Carlos Brandão funciona para objetos, será que ela funciona também para pessoas? Podemos reclamar a posse de uma pessoa: eu me lembro de você, logo você é minha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, me pego pensando nas pessoas que passaram pela minha vida e as encaixo em três categorias: as que de fato esqueci (tanto que não consegui classificá-las, porque caíram mesmo no esquecimento e sequer as resgatei de lá), as que jamais vou esquecer (algumas entre as minhas pessoas preferidas) e as que não podemos esquecer, porque se fazem lembradas pela vida cotidiana (são as pessoas que convivem com a gente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Eu gostaria muito que você caísse na primeira categoria, mas isso é perto do impossível. Tá, é mentira, não quero que caia na primeira categoria, mas, que seria bom, seria. E também devo estar exagerando quando digo que é perto do impossível.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tenho a tendência de querer delimitar posse em tudo e de tudo, tenho muita pena das pessoas da primeira categoria, pois são aquelas que ou não causaram nenhuma impressão ou passaram simplesmente sem deixar vestígios marcantes. São oportunidades perdidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas pessoas esbarram conosco na rua, um universo encerrado em cada uma delas, e que simplesmente passam sem que nos demos conta, sem que possamos dar atenção, sem que a vida se imponha no meio? São perdas e ganhos cotidianos, a cada instante em que nos mantemos em nosso caminho, em nossas convicções, sem cruzar com os quereres e fazeres do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As memórias que construímos nos escolhem ou são escolhidas, sempre ligadas a condições pré-determinadas. Mas, se eu me lembro bem, você existe. Se eu não me lembro, você não existe. Se me lembro, as pessoas são como os livros que não me pertencem: estão comigo, mas não posso reclamar sua posse. Se não me lembro, não estão comigo e perdi o seu alcance. E, se é que existem, existem independentes de mim. Mas, se não estão ao meu alcance, é como se não existissem; são mais um dos muitos universos encerrados dos quais não tomamos conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não me lembro de você, eu não te possuo. Se eu me lembro de você, eu não te possuo também. Não porque você possa cair no esquecimento, mas porque memórias são particulares, construídas por cada um e, encerrados nelas, somos universos muito solitários. É a solidão que existe na raiz das memórias compartilhadas, memórias de eventos em comum, mas que jamais são as mesmas para duas pessoas, por mais que se amem, por mais parecidas que sejam, simplesmente porque são um e outro. E vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partilhar as memórias, dividir sensações e sentimentos, expressar pensamentos é o máximo dentro do outro onde podemos estar, é o alcance onde podemos fazer alguma diferença, é quando a gente ecoa dentro do que se lembra. É quando se voa dentro do alcance do radar do outro. Quando somos esquecidos, é como voar por instrumentos. É turbulência. É tempestade. É deriva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria que você saísse do meu radar, mas a vida se impôs entre a gente. E quem somos nós para desafiarmos a vida? Amores e desamores não são maiores do que ela. Mas é certo que lembranças cultivadas são uma forma de manter o outro vivo dentro da gente, pelo menos aqueles que não temos a ousadia de esquecer, pelo menos aqueles que foram importantes demais para virarem um universo encerrado fora do nosso alcance.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-1640991006877529611?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/1640991006877529611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=1640991006877529611' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1640991006877529611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/1640991006877529611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/radar.html' title='Radar'/><author><name>Reiki pela vida</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3970640424313763290</id><published>2007-08-09T06:22:00.000-07:00</published><updated>2007-08-09T11:40:58.840-07:00</updated><title type='text'>ALINE YASMIN</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0); font-style: italic;"&gt;Para a nossa amiga Aline Yasmin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Aline&lt;br /&gt;Alada&lt;br /&gt;Quando calada&lt;br /&gt;Quando não&lt;br /&gt;Yasmin&lt;br /&gt;Moldada&lt;br /&gt;Em palavra-estopim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3970640424313763290?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3970640424313763290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3970640424313763290' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3970640424313763290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3970640424313763290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/yasmin.html' title='ALINE YASMIN'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5741126190738300610</id><published>2007-08-08T20:37:00.000-07:00</published><updated>2007-08-08T20:38:13.098-07:00</updated><title type='text'>Pequeno contado do medo</title><content type='html'>Do ponto de vista da madame – entre 35 e 40 -  de chapéu e protetor solar 30 na praia depois das quatro, lendo um romance – ela viu o sujeito se aproximar. Tinha dois sacos enormes de latinhas para reciclagem. Ela de óculos olhou por cima, debaixo da sombrinha. Aquela altura a praia estava praticamente vazia, era segunda. Ela tinha biquíni comportado e caro, brancura condizente, queria ouvir o mar e terminar o livro, “Naufrágio”. O sujeito tinha calças no joelho, deixando à mostra as tatuagens nas duas pernas, cadeieiras, cruz, Jesus, letra de rap; era branco mas bronzeado da andança, cabelo anelado no ombro. Ele sentou na areia de modo que se via remendos no meio das pernas e acendeu um cigarro. Olhou em volta.&lt;br /&gt;Até bem antes, ela já tinha pensado no celular, bolsa, no seu corpo branco, nos quantos cartões levava, nos filhos de conhecidos seqüestrados, nos ônibus incendiados, nas torturas da ditadura vistas em filme, nas atividades de assistência social adiadas cada ano, na segurança dos netos que virão, no futuro da humanidade, nos delegados que dão entrevista no vídeo, bigodudos, nos desfiles de escola de samba. Tudo por cima dos óculos, achou melhor fechar o olho. Não jamais olhava direto.&lt;br /&gt;O sujeito cavucava areia com um palito de picolé, terminava o cigarro fazendo careta que deixava ver que tinha dentes brancos.&lt;br /&gt;A banda do parque ao lado acelerava acordes graves no ensaio. Só o baixo em acordes graves, repetidos.&lt;br /&gt;Ela virou de costas com o livro na frente, suando, pensando baixo de banda, esfregando mãos trëmulas de esmalte novo. Arrumou que o livro tampasse parte da barriga e sobrasse uma réstia de sombra entre o final da capa e aba do chapéu.&lt;br /&gt;Ele cavucou mais forte até o ponto em que a areia fica úmida e escura.&lt;br /&gt;Ela lhe atribuiu uma porção de tédio, revolta, pobreza, sujeira, raiva, solidão, sob a música do parque. Ela queria correr, mas passou a página do livro.&lt;br /&gt;Ele mexeu nos sacos de latas esprimidas recicláveis com o pé.&lt;br /&gt;Ela agora só via entrega, fim da linha de olhos fechados.&lt;br /&gt;Ele sacudiu a areia da calça cinza – como sendo a que ela lhe viu na prisão – botou os dois sacos num ombro e seguiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5741126190738300610?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5741126190738300610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5741126190738300610' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5741126190738300610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5741126190738300610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/pequeno-contado-do-medo.html' title='Pequeno contado do medo'/><author><name>anadangelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00830238137028787257</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-956669873507277093</id><published>2007-08-07T19:43:00.000-07:00</published><updated>2007-08-08T06:52:21.759-07:00</updated><title type='text'>R E L A T O</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 0);"&gt;De Simone Silveira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 de agosto de 2007. E a tempestade em alto mar? Já passou por uma, meu chapa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de semana trancada dentro do meu ateliê costurando minhas criaturinhas de pano, feltro e algodão, assim foi.  Sábado,  baile rap rolando no parque em frente `a minha janela. Entra e sai agulha no tecido, os olhos vão se formando. Eu faço olhos. Vou enchendo os seus corpos. Eu crio volume à forma flácida. Pensamento voando por outras bandas. No dia seguinte, entrego as criaturas ao novo dono. Vou correndo pegar o trem das duas da tarde, linha Nova York-Boston. Chego dois minutos antes da sua partida. Peito arfando. Fome. Vou ao vagão-restaurante e como um cachorro quente. Lingüiça mal passada, esquentada no microondas. Isso aqui ainda me mata, penso. Celular toca, pego as minhas direções com o meu marido. Agora sei como chegar à Ilha de Martha’s Vineyard. Não é para Boston e sim Kingston o meu destino. Como o Bruno Vaks, preciso aprender melhor geografia. Desço em Kingston. Chove muito. Pego a van até a estação das barcas. Sabe se este é o caminho mais rápido? pergunta um homem ao meu lado, acompanhado da família—esposa algumas décadas mais nova, a filha de quatro anos, um filho de dezessete e a sogra, é claro. Não sei não. Nem sei se este é o caminho, respondi. Puxei conversa. Gosto de conversar. Da onde são? Daqui e de Cuba. Cuba? Como assim? A minha mulher e a minha sogra são cubanas, disse ele, com orgulho. Sou brasileira, confessei. Robby é baterista de jazz, esteve no Brasil, no Rio de Janeiro, no mês passado tocando no Centro Cultural Banco do Brasil. Mundo minúsculo. Descubro os points certos para se ouvir um bom jazz em Nova York e onde comer uma boa comida cubana. No &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Victor’s.&lt;/span&gt; Pegamos o barco, atrasadíssimo. Lucía, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;la niña &lt;/span&gt;de quatro anos encontra exatamente treze pedras brancas para a viagem e as coloca na lancheirinha. Entramos no barco, compro cerveja e amendoim. O mar está bravo, penso se devo comer amendoins e tomar a minha cerveja. Começo, afinal já paguei por eles. Depois daquela ponte, diz Robby, o mar fica um pouco violento. O barco meia hora atrás do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;schedule &lt;/span&gt;resolve ir mais rápido. Voa sobre as ondas. os adolescentes gritam e gargalham de entusiasmo. É adrenalina pura. Lucía chora de medo. Eu penso nas treze pedrinhas brancas que não podem se perder. Ana, tu sabes nadar?, pergunto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Non&lt;/span&gt;, ela confessa. Olho para o Robby. Está acertado. Procuro com os olhos a porta e coletes salva-vidas. Conto quatro bueiros no chão do barco. Estou preparada. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La hola&lt;/span&gt; vem, feroz, gigante. Arrebenta no lado direito do barco. Silêncio. As gargalhadas se calam. O barco inclina-se. Quase tocamos uma linha vertical imaginária. Por um triz não vira. Lucía berra. Ligo para a casa. Amor, o mar está bravo, quase viramos. Um instantinho só, tenho que ajudar o nosso filho lá fora, te ligo daqui a pouco, diz meu marido. Claramente não me ouviu. Desligo. Eis o que se passa em segundos pela minha cabeça: Nos meus vinte, criou-se um  medo inexplicável em mim, medo de voar, de altura. Agora nos trinta, não. Não sinto nada. Se o barco virar, penso, acho que me safo e levo um comigo. Da onde vem tanta confiança? Paixão pelo mar? Se ele me levar, vou mesmo, de braços abertos, penso. Não tenho medo. Não penso no futuro. Sinto uma felicidade de ter chegado até aqui, o hoje. Me surpreendo comigo mesma. Que diabo é este pensamento egoísta? E os meus filhos pequenos? Nada. Serão felizes, sempre. Se tiver que morrer agora, neste mar enfurecido, assim é. O marinheiro reduz a velocidade do barco, pede paciência pelos próximos trinta e cinco minutos. Seguimos em paz ao som de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“I gotta feeling, I feeling inside,”&lt;/span&gt; vindo dos autofalantes e se misturando com o barulho do motor. Dá até para relaxar. Volto a comer meu amendoim. Lucía tira as treze pedrinhas da lancheira. Terra à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco não virou, meu chapa, quase, porém não virou. E se virasse?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-956669873507277093?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/956669873507277093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=956669873507277093' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/956669873507277093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/956669873507277093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/se-simone-silveira-6-de-agosto-de-2007.html' title='R E L A T O'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4745645553479718256</id><published>2007-08-07T10:37:00.000-07:00</published><updated>2007-08-07T10:38:15.223-07:00</updated><title type='text'>Soberba Ignorância</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De Bruno Vaks&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não adianta. Passa ano, vem ano e continuo tendo um certo problema com a geografia. Não é que não goste. Pelo contrário, sempre fui bom aluno nas aulas do primeiro grau, hoje ensino médio. Adorava saber nomes de bacias hidrográficas, explicar o que é planície ou planalto, que tipo de clima tem o continente europeu, ou simplesmente o que são as monções. Mas tenho de confessar algo que me atormenta até hoje. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sim, confissão na porta da sacristia para o padre orador me mandar quatrocentas ave-marias. Não há maneira alguma de eu conseguir acertar as capitais de alguns estados brasileiros sitiados ao norte do país. Tirando Amazônia e Pará, que são grandes, o resto é um martírio. Sempre confundo Boa Vista com Roraima, Boa Vista com Acre, Rondônia com Roraima, Porto Velho com Amapá e por aí vai numa quase infinita análise combinatória. Não adianta. Continuo errando. Nunca sei onde é aonde. E olha que, inclusive sou formado com pós-graduação (quase coloco meu currículo aqui para vocês verem). Se participasse de programa de auditório com essas perguntas, iria para o brejo sem ganhar nenhum tostão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas esse nem é o caso. O que me traz a esse assunto tão intrigante, foi a entrevista que a Danielle Souza concedeu a uma coluna social do jornal O Globo, semana passada. Para quem não conhece Danielle, ela é a já famosa mulher samambaia do programa Pânico. Eu mesmo já dei varias risadas com o programa. Mas para aqueles não familiarizados, a mulher samambaia é uma ajudante de palco, desses de auditório. A única diferença para as outras que também costumam ser beldades, é o fato dela usar um biquinizinho (vale enfatizar o diminutivo) todo revestido de folhas. Os atributos de Danielle são totalmente visíveis. Seu corpo bem torneado, digo escultural, seus olhos claros, cabelos longos e morenos. Um colírio que prende a atenção de qualquer marmanjo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas o fato também não é esse. O que me impressionou em suas belas curvas devidamente vestidas num vestidinho (de novo o diminutivo) foram suas belas palavras ao responder perguntas frugais da coluna. Nada muito difícil, nada que qualquer ser humano instruído saberia responder. O resultado foi uma galhofa. Fiquei impressionado com minhas risadas que seguiram a leitura de cada frase que continha na entrevista. Era de uma alienígena. De uma pessoa fora do espaço, alguém que sem querer, nasceu. Falando português. Ela poderia ser vietnamita ou de Gana. Não importa. O grau de escolaridade de suas respostas me impressionou. De dez perguntas, não conseguiu responder nove. E que desenvoltura. Cada pergunta feita era respondida com um: - “Ihhhh, não sei!”, “Nossa que pergunta difícil” ou “Podemos pular essa?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ora Dani, claro que pode. Na verdade, você pode tudo. No nosso país aonde corpo é essencial. Mente pra que? Temos de ser verdadeiros com os outros e mostrar a cara do que somos. Você pode ser pedreiro, engraxate, executivo de multinacional, piloto, tradutor e outras quinhentas profissões. O que importa é ser digno com as coisas que faz. E de que se é capaz. Espera-se do ser humano o poder da sabedoria e da educação. Que ele ao viver e crescer possa absorver tudo aquilo que der, tornando-o uma pessoa melhor, para que assim, possa ajudar o mundo a viver melhor.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Você não tem culpa de não saber as respostas. Ninguém te ensinou e te disseram que a valorização do seu corpo era muito superior e podia lhe render alguns frutos. Não tem como negar, você é monumental. Um colírio para metade dos cidadãos brasileiros. Mas da mesma maneira que você é um colírio, você também é uma realidade. Com um cérebro pouco exigido trouxe a tona o que nosso país tem de podre. A falta de educação. Te garanto que dezenas de milhares de cariocas se deliciaram com sua entrevista. Se divertiram, zoaram com as possibilidades perdidas por você e com a falta de massa encefálica contida no bate papo informal. Ao mesmo tempo em que traz vergonha, traz também satisfação. De uma maneira que não saberia explicar a você. Um antagonismo crônico capaz de elucidar o mais premiado dos pesquisadores.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Toda vez que passo por você Danielle, pelas bancas me dá uma vontade de te comprar e te conhecer melhor. Mas a possibilidade das respostas me afugenta, para que continue sonhando com as curvas perfeitas da minha imaginação. E enquanto isso passa, pretendo decorar as capitais e estados citados acima para não dar vexame num futuro concurso nacional. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4745645553479718256?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4745645553479718256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4745645553479718256' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4745645553479718256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4745645553479718256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/soberba-ignorncia.html' title='Soberba Ignorância'/><author><name>Bruno Vaks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16474994982686437563</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2856238904228430434</id><published>2007-08-05T12:24:00.000-07:00</published><updated>2007-08-09T06:45:56.769-07:00</updated><title type='text'>A N N A K</title><content type='html'>&lt;p style="color: rgb(255, 102, 0);"&gt;para annak, que diz não saber escrever. ainda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;anna k&lt;br /&gt;asa gaiata&lt;br /&gt;k passa&lt;br /&gt;como asa&lt;br /&gt;de garça&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2856238904228430434?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2856238904228430434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2856238904228430434' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2856238904228430434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2856238904228430434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/n-n-k.html' title='A N N A K'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-4403794668199748868</id><published>2007-08-05T07:54:00.000-07:00</published><updated>2007-08-05T08:00:53.633-07:00</updated><title type='text'>Os Fantasmas de Mário e os Meus</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;De Simone Silveira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; color: rgb(102, 102, 102); font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;OS DEGRAUS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desças os degraus do sonho&lt;br /&gt;Para não despertar os monstros.&lt;br /&gt;Não subas aos sótãos - onde&lt;br /&gt;Os deuses, por trás das suas máscaras,&lt;br /&gt;Ocultam o próprio enigma.&lt;br /&gt;Não desças, não subas, fica.&lt;br /&gt;O mistério está é na tua vida!&lt;br /&gt;E é um sonho louco este nosso mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mário Quintana em o Baú de Espantos)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei a ler mais um dos livros de poesia do Mário Quintana. Baú de Espantos tem como tema central a morte e a exposição, melhor afirmando, a justaposição, de dicotomias e contrastes, como o mundo palpável e o invisível. Há poemas extraordinários como Os Degraus, O Deixador e Poema Transitório. Há uma série de outros poemas de referência à era de Camões. Os sonetos são, para mim, leitura não tão agradável e fluida como os poemas curtos, cortantes e brilhantes do Mário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia do Mário em mim é transcendental e deixa as impressões mais profundas. Fechei o Baú e os olhos. Tive um sonho absurdo com o meu falecido avô, Aristides Couto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristides nasceu, criou-se e morreu em Bom Jesus do Norte, E.S. Era ferreiro e tornou-se surdo e mudo aos 24 anos devido ao som agudo das suas marteladas no ferro. Eu conheci bem os labirintos da casa velha do meu avô, bem erguida no século passado e de pé até o dia de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as manhãs, era eu quem levava o seu almoço amarrado no pano de prato listrado. Ele tinha já seus 90 anos. Eu sentava lá, olhava o buraco no teto de sancas adornadas de videiras enquanto ele mastigava com a gengiva. Trocávamos umas duas ou três frases, ele, tentando ler meus lábios e falando muito alto. Após ao término da refeição, ele embrulhava o prato vazio e preto do resto do caldo de feijão e se punha a palitar os dentes invisíveis no fim da boca. Levantava-se, colocava o chapéu na cabeça e, sem muitas dificuldades, me guiava até o quintal de mangueiras e jabuticabeiras. Lá no fim daquele quintal que parecia infinito corria o rio Itabapoana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pé, eu me encontrei, na mesma sala de outrora, a cristaleira de vidro com os mesmos bibelôs e quinquilharias. O mesmo buraco negro de onde as lendas brotavam naquela casa. À minha volta estavam todas as minhas tias e tios já mortos (e como são tantos. Aristides e Dona Maria José tiveram treze filhos e meu pai foi o último a nascer). Os mortos falavam muito e eu só via as saias dos vestidos coloridos das mulheres. Entre elas tagarelava a Sônia, vestida em saia vermelha rodada e estampada de peónias. Sônia é lenda viva entre as irmãs Campos Couto. Ela, ainda menina, caiu da mangueira no quintal (a mesma da minha infância), aterrisou num toco de madeira e aos quinze anos morreu de tétano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sônia abriu a porta azul da cozinha e se pós a correr pela rua afora. Atrás dela, montado em uma bicicleta, o guardião dos mortos, uma figura magra, alta e alucinada voava entre os vivos. Eu de longe e sem medo, espiava o alvoroço, afinal eram todos, apesar de mortos, família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei às pressas, engoli uma xícara de café morno, coloquei o Báu de Espantos dentro da bolsa e fui para o dentista. Lendo o Mário no trem para Manhattan hoje pela manhã, me dei conta pela primeira vez da minha natureza de poeta. Eu olho o mundo ao meu redor e olho o mundo dentro de mim e tudo emfim se transcreve em palavras; como o mundo deve se transcrever em cores para os pintores. O texto me persegue como os fantasmas de Mário e os meus próprios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-4403794668199748868?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/4403794668199748868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=4403794668199748868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4403794668199748868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/4403794668199748868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/os-fantasmas-de-mrio-e-os-meu.html' title='Os Fantasmas de Mário e os Meus'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-7562382427649475303</id><published>2007-08-04T21:00:00.000-07:00</published><updated>2007-08-04T21:06:47.875-07:00</updated><title type='text'>RUMO DAS PEDRAS</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Giovana Damaceno&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de baixada a poeira já consigo mobilizar a memória e organizar minhas idéias para escrever. Durante mais de 30 dias vivi um êxtase, misturado ao temor do novo, do desconhecido, temperado com uma dose de felicidade completa. Fui selecionada para participar da Oficina Literária de Crônicas da FLIP 2007, em Paraty. A partir do dia em que recebi a notícia fiquei como em sonho, até poucos dias – confesso que ainda estou despertando. Afinal, foram centenas de inscrições de todos os cantos do país e também de fora, para selecionar 30, e lá estava eu, uma jornalista do interior do Estado do Rio, entre os escolhidos. Para completar, quatro dias em Paraty seriam realmente um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parti para o litoral no primeiro dia da Festa. Cheguei a tempo de assistir ao show de abertura, na Tenda da Matriz, um espetáculo chamado Orquestra Imperial. Só mesmo em Paraty, em plena FLIP, é possível assistir a algo assim, com tamanha qualidade. Músicas, músicos, cantores e cantoras, num show pra lá de popular, feito para quem tem ouvidos sensíveis. Para ficar ainda melhor, uma participação especial de João Donato. Minha presença na FLIP começou a ficar inesquecível a partir dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, ah..! amanhecer em Paraty... quantas vezes me lembro dessa sensação quando acordo em casa. Nem sempre é possível despertar nessa paz, com uma perspectiva de vida nova. Banho rápido, roupa leve, mochila nas costas e chinelo no pé. Em poucos minutos estava à frente da Tenda dos Autores para conferir o primeiro dia de movimento das mesas da FLIP. Me senti em casa, completamente confortável naquele ambiente. Foi minha estréia na Festa como participante, não como das outras vezes, jornalista, com pauta a cumprir e horário de fechamento de edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchi o peito e fiquei importante por isso. E assim cheguei à Pousado do Ouro para a Oficina. Deste momento em diante tive certeza de que algo estava mudado na minha vida. Na crônica de uma amiga da turma, quando fala de Paraty, há uma frase interessante, que retrata bem esse momento: “Passear por suas ruas é dar uma volta com quem você foi e vislumbrar um pouco quem você vai ser”. Isso parece comigo – valeu, Bia – não pelo caminhar nas pedras, mas o passeio pela literatura, uma proximidade que já buscava há anos e mal conseguia chegar perto, por motivos vários e inconfessáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, estava lá, diante de Joaquim e Artur - assim mesmo, sem sobrenome de jornalista famoso - admirados desde que me tornei colega de profissão, à distância e anônima. Estava dentro de uma sala de aula, com dois grandes mestres e mais um grupo de pessoas que, cada um na sua história, vivia mais ou menos o mesmo que eu. Enfim, a tão desejada interlocução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajamos juntos pelo universo brasileiríssimo da crônica, aprendendo técnica que não tem técnica, tentando definir o que não tem definição. Nossa liberdade estava sendo discutida em alto nível, com a doçura de Joaquim e a altivez de Arthur. Tudo isso sob as bênçãos da Flor de Obsessão, chamado Nelson Rodrigues, homenageado da festa e na oficina, um patrono. Entre cabras, grã-finas e moralismo, vivemos três dias intensos, que poderiam ter sido 30, ou 300.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de flanar pela história da crônica, começando por Alencar, Machado, passando por João do Rio, Vinícius, Oswald , Antônio Maria, Chico, e tanta gente muito boa, cheguei a mim mesma, renovada, renascida pelas páginas da literatura. Muita coisa já havia ficado pra trás, quando escolhi o que faria parte da bagagem. E outras tantas deixei em Paraty, deixei cair pelas ruas, pelas pedras, no frio da noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-7562382427649475303?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/7562382427649475303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=7562382427649475303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7562382427649475303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/7562382427649475303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/rumo-das-pedras.html' title='RUMO DAS PEDRAS'/><author><name>Giovana Damaceno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13541132833983084068</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-yKZXBeBC2dM/TpeNZJ6rouI/AAAAAAAAFvI/Jp7teHHbXLg/s220/corte%2B6.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-2341105820368909800</id><published>2007-08-03T21:04:00.000-07:00</published><updated>2007-08-03T21:05:11.476-07:00</updated><title type='text'>sim, trocaria todas as minhas paixões por você</title><content type='html'>&lt;strong&gt;encaixa tudo: os planos, as músicas que tocam aqui dentro. eu danço minha música, no meu ritmo, no meu tempo. compasso. o passo de dança que é contemporânea. que nem ela, que é antiga também. que me mostra outras coisas dos lugares mais bonitos e inusitados. é tempo de observar navios porque ela mesma é embarcação. carrega farelo dos restos de estrelas. prometeu me dar as linhas coloridas. aguardo. tento organizar as idéias, depois as responsabilidades, as decisões, os amores, a paixão, o encanto. quase não me caibo de tanta mirabolação, mas bom mesmo é assim pois não consigo me entediar. me liga no meio da manhã e resolve meus dramas. eu confio em tudo o que vem dele, por isso a raiva passa logo. me jogo de novo do alto da torre, da pedra, do tempo. me lasco inteira por meia hora de tagarelices. ele me entende. abraça forte meu corpo e vai ser a tal da pessoa ocupada e que vai salvar o mundo. vai crescer, vai.. te espero para um sorvete de raio de sol. naquela esquina em que vejo passar meus sonhos. eles passam e eu corro atrás. atleta, eu: salto, nado, corro, atiro, me jogo, velejo. de novo o mar, o rio. eu rio tu ris ele ri nós rimos. segurou minha mão e disse se orgulhar de mim. me confessou incondicional o seu amor. eu chorei. e a lágrima rolou pela avenida das treze alegrias, fertilizou as flores do meio-fio ao meio-dia do dia em que as coisas fugiram do meu controle. a varinha mágica virou farinha láctea sem estrelas na constelação, no meio do caos da era de aquário. &lt;strong&gt;sim, trocaria todas as minhas paixões por você&lt;/strong&gt;. isso é querer ser límpida. mas já não posso: mordi a hóstia na primeira comunhão pra ver se saía sangue. eu não era santa! sorri peralta e grudou tudo no céu da boca. pro céu eu não iria mais, mas ele me levou lá tantas vezes. hoje parei no mesmo local onde a gente começou a trilhar o futuro: ‘pra que servem aqueles tambores no alto da torre?’ ; ‘os marcianos vêm tocar!’. eu acreditei de novo, e ninguém nem sabe..o cigarro é pra não deixar aflorar o gosto da tua boca, porque se eu fechar os olhos ainda sei teu beijo teu sexo teu corpo teu cheiro. tu inteiro ainda em mim. eu, tua. a cidade vai ficando distante e tu mais perto, porque essa sua mania de me presentear com a segurança é que me faz ir mais longe. é afeto um nó uma estrada coração e alma. amor sem condições. é história contada nas noites de medo, de insônia e segredos. é música, a descoberta de um povo novo que planta algodão doce em terras geladas. é o rastro que tu deixa por esse mundo, que eu sigo. te observando entre os atos mais bonitos. nessa tua expansão que me atravessa inteira. e permanece.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-2341105820368909800?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/2341105820368909800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=2341105820368909800' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2341105820368909800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/2341105820368909800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/sim-trocaria-todas-as-minhas-paixes-por.html' title='sim, trocaria todas as minhas paixões por você'/><author><name>Uma conversa e muitos laços</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09687678465496120309</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://4.bp.blogspot.com/_0GxxAvOUgIc/TPaZ61zIYOI/AAAAAAAARlc/wwE4uggwOuc/S220/camisa_estampa..jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-5142712862051301263</id><published>2007-08-03T18:46:00.000-07:00</published><updated>2007-08-03T18:48:47.279-07:00</updated><title type='text'>A LIÇÃO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;De Simone Silveira,&lt;br /&gt;Martha’s Vineyard, Julho de 2006&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei mais tarde que o normal. A casa já estava movimentada—o café passado, as crianças  vestidas e correndo pelos corredores. Desorientada pelo excesso de horas dormidas, perambulei  ainda meio sonolenta do quarto  à cozinha. Finalmente beijei o filho mais velho, depois o marido e me arrastei para o chuveiro de praia ao lado de fora da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima da minha cabeça, as andorinhas migravam. Pelas gretas espiei as roseiras que havia  plantado no dia anterior. Enrolei-me na toalha e fui aguá-las por medo de que elas jamais medrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as comprei, a senhora me alertou, “as roseiras são muito frágeis, tem que ler sobre elas,  aprender como cuidá-las, saber como podá-las, protegê-las das doenças  que destroem suas folhas, e mesmo assim, não há garantias.” Saí de lá com uma dúzia de roseiras inglesas e nada mais a declarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vesti-mem e pintei-me. Era sábado, dia de ir passear na cidade com a família. Encontrei meu filho  mais novo parado à porta. “Mamãe, mamãe, olha o coelhinho morto!”, ele disse estupefato. Entre os inúmeros coelhos que coabitam o nosso jardim, por meios não evidentes, aquele foi um  desafortunado que acabou esticado e duro aos nossos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu marido sugeriu que fizéssemos a limpeza do corpo do animal mais tarde, depois do passeio.  “Está doido?”, eu disse, “se ele ficar aí, vai virar banquete para os gambás, é melhor resolvermos a  situação logo.”, completei decidida. Nossos dois filhos nos olhavam curiosamente. “Vou lá pegar  a pá para jogá-lo do outro lado do muro.”, ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para as crianças e dei-me conta que este era o primeiro contato delas com a morte. “Enterre o coelho, por favor, e leve os meninos para  que eles dêem adeus ao animal,” eu disse pausadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três saíram em procissão-à frente, meu marido carregando a pá e o coelho esticado dentro nela,  atrás foram as crianças se acotovelando. “Victor, quer dizer alguma coisa?”, perguntou meu  marido ao filho mais velho. “Por que você morreu, coelhinho?”, ele indagou. Nenhuma resposta.  Enterraram o bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ontem deparei-me com a fragilidade daquele animal, hoje foi com vulnerabilidade das rosas. Vi  os coelhos comendo suas pétalas. “Da terra nos alimentaremos, para a terra voltaremos e dela brotaremos  para que alimentemos o outro” eu disse aos meus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos todos, pouco a pouco, entendendo o  ciclo da vida.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-5142712862051301263?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/5142712862051301263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=5142712862051301263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5142712862051301263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/5142712862051301263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/de-simone-silveira-marthas-vineyard.html' title='A LIÇÃO'/><author><name>Simone Couto Kaplan</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mn5UQ5g1mlg/TR1k5ZiWoLI/AAAAAAAABXQ/06ufGFlHWhc/S220/IMG_1035.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-8398171833339482183</id><published>2007-08-02T11:01:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T11:02:08.188-07:00</updated><title type='text'>Vou por aí a procurar</title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Eu tinha que escrever essa crônica, fosse por uma vontade de perpetuar minha passagem pela FLIP 2007, fosse pela demanda da oficina de crônica, fosse apenas por regozijo mental ou até mesmo por puro diletantismo – que me desculpem os leitores, sei que boa parte terá que parar sua leitura e ir ao dicionário saber o que significa esse vocábulo e caso eu trabalhasse num jornal de grande circulação isso seria motivo de admoestação pelo respectivo editor, voltemos, o ponto de partida não podia ser melhor, falar sobre possíveis lugares por onde Nelson Rodrigues passaria em Paraty (ou mesmo passou, quem sabe) já que foi o grande homenageado da quinta edição dessa festa que não pára de crescer. O estranho é que por mais que o tema fosse bom, a aura do lugar magnífica e a vontade de fazê-la ser imensa eu não consegui passar da primeira linha nos primeiros dias. Talvez tenha me acanhado após ler algumas pérolas da antologia As cem melhores crônicas brasileiras e ainda havia um outro ingrediente: o prazo. Segundo os mestres Joaquim Ferreira dos Santos e Arthur Dapieve esse tempero foi o responsável por boa parte de nossas melhores crônicas. E foi assim, o tempo passando, o bendito prazo acabando, acaba hoje por sinal, e eu olhando para o papel em branco com receio de escrever uma crônica ruim. Resolvi criar coragem, o pouco tempo de que disponho para terminá-la tornou-se por fim grande amiga. Coloquei músicas da Orquestra Imperial no &lt;i style=""&gt;Windows Media Player&lt;/i&gt; para assim reviver Paraty. Moreno entrou cantando Sem compromisso e eu lembrei que ali estava sob a Tenda da Matriz mui bem acompanhado. Depois do show uma taça de Casillero del Diablo e um tranqüilo sono. A caminhada até a Pousada do Ouro na manhã seguinte tinha um quê de em busca do El Dorado das crônicas, afinal de contas apesar de concordar com Joaquim de que “crônica não se aprende na escola”, o simples fato de ter acesso aos bambas já faria sentido e muito. Chegada tímida, não vi yanomamis, fui bem recebido pela Roseli no credenciamento e em seguida por Dapieve. Após o primeiro dia de aula comi uma moqueca de peixe que não tinha pirão, substituíram o dito cujo por uma farofa de camarão que por sinal estava gostosa. Do restaurante segui para a mesa 4, com os autores Will Self e Jim Dodge, este último é responsável pela criação de uma pata obesa e eu fiquei pensando se a Fup se daria bem com o cachorro atropelado de Nelson. Depois das diatribes (aqui outra admoestação, com certeza) de Will e da promessa de jantar romântico entre ele e o Dapieve, que mediava a mesa, saí de lá tentando encontrar Nelson Rodrigues e com medo de morrer no banheiro por conta dos sabonetes assassinos. Andando pelas ruas de pedras seculares me senti como um cãozinho de Pavlov desorientado, pois ouvia sinos vindo de todos os lados, salivava e nada. O papa é pop, a FLIP também. Andar entre semi-deuses não é fácil, pois ali todos parecem sê-los (outra?). São muitas pessoas portando crachás das mais diversas cores e desfilando uma gravidade típica de intelectual importante, menos os de crachás amarelos e camisas vermelhas. Não vi Nelson muito menos Otto Lara Resende quando entrei no Bar do Che, a festiva ainda não tinha dado as caras, era cedo e constatei ao comprar uma cerveja &lt;i style=""&gt;long neck&lt;/i&gt; de que socialismo no dos outros é refresco, a garrafinha me saiu por três reais e cinqüenta centavos “hei de endurecer” pensei, mas segui na paz com a garganta saciada pela loirinha. No segundo dia de aula aprendi que é preciso sair do lugar comum, não repetir assuntos pra lá de batido nos jornais e de que é preciso ter uma boa condução da crônica, sempre associando idéias, infelizmente saí da aula ainda sem nenhuma sobre o que escrever e mais ainda se continuaria minha busca pelo Anjo Pornográfico. A mesa 9 me deixou mais calmo, talvez eu estivesse, como disse Lehane, num estado de coma em relação à escrita. Mas não me conformava e saí decidido a encontrar Nelson e lhe pedir, por favor, uma crônica. Frustração. Nem a cabra vadia eu consegui ver, a mesma se sentiu mal e foi embora no segundo dia de festa. Terceiro e ultimo dia de oficina, sábado de sol, tomei um sorvete de goiaba e fui para a aula com a mente tomada pela manifestação de um grupo de moradores que cobrava luz da Ampla. Belos contrastes, a cobertura da Ampla não condiz com o nome da empresa e mesmo tendo tantos iluminados na quinta edição da festa vemos que essa luz realmente é para poucos. Faltou apenas cantarem Chico no protesto para transformá-lo em mais uma performance artística dentre as muitas que foram vistas pelas ruas de Paraty. Neste dia ensolarado aprendi que é importante ser subjetivo, informal. Não posso me distanciar do leitor, é preciso pega-lo de cara, sem muitos preâmbulos. Ficou combinado que o prazo para entrega das crônicas seria hoje, uma quarta-feira e cá estou a escrever. Depois fotos coletivas, troca de e-mails e a promessa de contato da turma via internet. Não encontrei quem tanto procurei, mas no final das contas creio que procurava era por mim mesmo e me encontrei logo após O beijo no asfalto. Voltei ao Rio de Janeiro com a benção dos mestres. Deixe-me ir, preciso andar.  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;André Salviano &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-8398171833339482183?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/8398171833339482183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=8398171833339482183' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8398171833339482183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/8398171833339482183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/vou-por-a-procurar.html' title='Vou por aí a procurar'/><author><name>André Salviano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03335554542990904376</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yaOjgZiALVw/TJDsD2d6WoI/AAAAAAAAAGI/QFWCvBFDqP8/S220/bio1a.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-3652849084017670424</id><published>2007-08-02T09:13:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T09:17:58.970-07:00</updated><title type='text'>"Eu não sei nada de literatura" *</title><content type='html'>"Não se pode ter tudo", &lt;a href="http://www.cronai.com/" target="blank"&gt;Cora Rónai&lt;/a&gt; foi na mosca. É disso tudo que é preciso entender para se entender, se perdoar, engolir o mico e se preservar. É. No turbilhão — clichê! — da informação que sufoca, desgosta, deleita, se descolar, decolar no espaço do admirar, parar, calar: um breve intervalo entre poema e prosa, entre ficção e vida. Entre a banda larga e a banda que passa, ah, gente, na janela: vendo ela passar quando ainda era música, não megabytes por segundo. Saudade, é. Estou num momento assim, ai, que medo de algum tipo "nossa, como ela é feia", ou, "burra", ou, "preguiçosa", ou, resumindo tudo, "decepção, coitada, prometia tanto...".&lt;br /&gt;É tudo mentira. Lá fora, sim, é o século 21, mas aqui dentro é o esterno que dói, o corpo que se rói, a falta de saco, o chamego, a vontade de fazer nada, a prisão de ventre, a fome voraz sem vontade nenhuma de comer nada. A verdade é a anemia dos vegetarianos, gente, é. A falta do excesso de assunto, pra não dizer coisa com coisa. Ou vocês pensavam que era tudo brilho? Perdeu, meu chapa. Falou besteira, e se não der pra apagar, voltar atrás... fica na fama feito nódoa.&lt;br /&gt;Um dia no hype outro no skype, se for preciso eu explico: vendo a vida de fora. Se algum texto precisa de explicação (é o que me diz o Alan, me exasperando na praia ao sol do meio-dia) é que não vale nada, deixa de fora a mesmice. A curta-imaginação. Uma ousadia de arriscar poema, ouvindo a trilha digamos assim... acabar em ruído.&lt;br /&gt;Todo mundo tem seu dia, essa nem fal(h)a, de coelhinha aparecendo vestida. A burrice alheia diverte, nos engrandece, tá certo: *Mulher-Samambaia e seu cérebro-de-minhoca, fatiado ao vivo no Gente ?Boa? do Globo (&lt;a href="http://www.experimenteoglobo.com.br/flip/"&gt;de graça online sob cadastro&lt;/a&gt;), em público, para milhões, hum. No fundo do intestino a merda sempre fede, chegar lá pra quê?&lt;br /&gt;Mais compaixão e menos sensacionalismo, gente, porque do mico ocasional ninguém escapa, certo, hum: dizem que há limites. Mas a "vida pequena", sim, continua (entre as aspas o termo é da Cora). Apesar da banda: cada vez mais larga e menos musical, respira fundo e toca o sino três vezes. Om.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-3652849084017670424?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/3652849084017670424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=3652849084017670424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3652849084017670424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/3652849084017670424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/08/eu-no-sei-nada-de-literatura.html' title='&quot;Eu não sei nada de literatura&quot; *'/><author><name>Noga Sklar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16926157271445897968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4CWXMO-6VQ/TI_eBZdbXMI/AAAAAAAAAN0/THrs3cX2HFk/S220/nogaface.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1939879312331697331.post-9143535640936836693</id><published>2007-07-31T10:22:00.000-07:00</published><updated>2007-07-31T10:34:19.997-07:00</updated><title type='text'>Não falo sobre o óbvio porque o óbvio não me assalta</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="right"&gt;Por&lt;strong&gt; Elaine Pauvolid*&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Paraty vai para muito longe com a FLIP. Isso é óbvio e o óbvio não assalta. Falarei sobre o encanto, sobre o significado especial da cidade de Paraty. Considero-a um lugar mágico assim como Santa Teresa, Lapa ou Parque Lage. São lugares para os quais ou pelos quais preciso passar ou chegar quando estou no Rio de Janeiro. São lugares inexplicáveis. Quem passeia pela Lapa ou Santa Teresa simplesmente há de balançar a cabeça e concordar comigo. Não precisam palavras. É isso. Com o Parque Lage a mesma coisa, talvez, com menos cabeças balançando. Para concordar comigo a pessoa deverá ter o que fazer lá. Ou dar uma esticada nas pernas ou estudar Artes Plásticas, ou seja lá o que for. Se o parque Lage é passagem para alguém, eu diria, que é, eu sei. Há os caminhantes a seguir as trilhas da floresta, mas, ir por este caminho seria desviar do meu ponto de vista. Fico com o reduzido olhar que me cabe ao enxergá-lo necessariamente como um lugar de chegada e ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Paraty, eu diria ser óbvio o fato de ser aqui – escrevo do lugar mesmo – o lugar onde prêmios Nobel deveriam tropeçar nas pedras lisas das ruas de pé-de-moleque mais parecidas com fundo de riacho. Deveria ser aqui onde simples mortais esbarrariam com entidades, como Barbara Heliodora, a senhora a teimar em levar à glória ou ao fracasso qualquer peça que lhe passe sob os olhos, a manter-se altiva a despeito dos anos lhe pesando às costas, a vestir-se como uma alemã e a trazer o ar de aluna de um Sacre Coeur, a fazer a lição de casa.Também Paraty seria o único lugar possível para Alice no país das maravilhas vir atuar em seu mais fiel Lewis Carol. Eu esbarraria com ela e a cumprimentaria por legítima força do hábito. Seria possível um Kafka se debatendo em uma cama encardida abaixo de uma amendoeira feliz. E para explicar o inexplicável eu diria que Paraty só poderia ser aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;a href="http://www.elainepauvolid.net/"&gt;http://www.elainepauvolid.net/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1939879312331697331-9143535640936836693?l=cronicaspara-ti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/feeds/9143535640936836693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1939879312331697331&amp;postID=9143535640936836693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/9143535640936836693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1939879312331697331/posts/default/9143535640936836693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicaspara-ti.blogspot.com/2007/07/no-falo-sobre-o-bvio-porque-o-bvio-no.html' title='Não falo sobre o óbvio porque o óbvio não me assalta'/><author><name>Elaine Pauvolid</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15092887586813827826</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
